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Universidade do Ceará leva caju à produção de aço

Leandro Miranda (esq.) e Diego Lomonaco: biomassa em vez de petroquímicos

Valor Econômico2 min de leitura
Universidade do Ceará leva caju à produção de aço

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Guilherme Silva/UFC

A parceria de um químico industrial focado em biomassa com um pesquisador com conhecimento da indústria siderúrgica e de mineração levou ao desenvolvimento, na Universidade Federal do Ceará, de um novo uso para o líquido da castanha de caju (LCC). O insumo é usado como aglomerante em processos siderúrgicos, uma solução que responde às necessidades da transição energética do setor, já que substitui materiais de base petroquímica.

“Juntamos a minha expertise na biomassa com a do Leandro [Miranda, pesquisador do Departamento de Química Orgânica e Inorgânica da UFC] em aglomerar minérios; entendendo o novo momento da siderurgia, que está mudando não só os processos, mas também os insumos, trocando petroquímicos por biomassa”, conta Diego Lomonaco, professor-doutor do Departamento de Química Orgânica e Inorgânica da UFC.

O desenvolvimento, durante o doutorado de Leandro Miranda, sob orientação de Lomonaco, começou em 2018 e teve parceria com as empresas Regenera e Prorad, que dividem com a universidade a titularidade da patente depositada em 2020 e concedida em 2025. A UFC liderou a parte científica e os testes laboratoriais, enquanto as companhias parceiras atuaram na etapa de desenvolvimento tecnológico, escalonamento e estratégias de aplicação prática.

Nossa expectativa é criar um produto tecnicamente competitivo e ambientalmente mais sustentável”

O LCC funciona como uma cola, ligando as partículas finas dos materiais em corpos de maior dimensão e resistência mecânica. “A Europa, em função da meta de redução de carbono, tem puxado o mercado para soluções mais sustentáveis. Nosso produto, o caju, é orgânico e de origem renovável”, explica Miranda. A ideia é oferecer uma alternativa aos métodos tradicionais de aglomeração de minério, como sinterização e pelotização.

A empresa brasileira de mineração Lion Mining se interessou e, em parceria com a universidade, está desenvolvendo briquetes de minério de ferro com propriedades metalúrgicas capazes de atender às exigências da indústria siderúrgica e permitir sua utilização direta nos altos-fornos. “Nossa expectativa é criar um produto tecnicamente competitivo, ambientalmente mais sustentável e que agregue mais valor à cadeia produtiva do minério de ferro”, diz Jader Fernandes, diretor da Lion Mining.

Fernandes aponta que há avanços expressivos na busca pelas propriedades metalúrgicas desejadas para os briquetes. “Esse reconhecimento reforça o potencial da iniciativa e valida a importância da colaboração entre universidade e empresa”, destaca o executivo.

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Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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