Brasil mostra sistema eleitoral sólido e clima menos tenso, avalia Ifes
Membros da Fundação Internacional para Sistemas Eleitorais (Ifes, na sigla em inglês) que estiverem no Brasil acompanhando o primeiro turno da eleição, no dia 4 de outubro, dizem que o sistema brasileiro é sólido e as votações ocorreram em um clima de menor tensão do que em 2022.

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Ainda assim, não esperam que as abstenções, que bateram recorde, recuem significativamente no segundo turno. A Ifes é uma organização sem fins lucrativos, apartidária, sediada nos Estados Unidos.
Segundo Maximo Zaldivar, representante da Ifes para a América Latina e o Caribe, que esteve em Brasília no dia 4, a votação eletrônica do Brasil mostrou, mais uma vez, seu funcionamento sólido, ainda que questionamentos sobre o sistema tenham sido resgatados. Ele também elogiou a "arquitetura de auditoria" do voto no Brasil. "Credibilidade não depende apenas de ter tecnologia, mas de conseguir fazer as verificações necessárias. E o Brasil providencia isso", afirmou durante evento promovido ontem pela Ifes e pelo Brazil Program, do Inter-American Dialogue.
Para Zaldivar, o ambiente da eleição foi "muito mais tranquilo e calmo" e menos tenso do que em 2022.
Na avaliação de Fernanda Buril, diretora adjunta do Centro de Pesquisa Aplicada e Aprendizagem da Ifes, que também esteve em Brasília, houve menor ênfase na narrativa de que as urnas eletrônicas seriam, supostamente, fraudulentas, na comparação com a eleição de 2022.
Ela não se disse muito otimista, no entanto, com a queda das abstenções no segundo turno. "Espero estar errada, espero que as pessoas vão votar", afirmou.
Quase 33 milhões e meio de eleitores não compareceram às urnas no primeiro turno, número que representa mais de 21% do eleitorado e é o maior desde 1998. Os membros da Ifes destacaram também a abstenção entre eleitores no exterior, que se aproximou de 63%.
"No Brasil, sempre há a oportunidade de dar um voto de protesto, votando nulo ou branco, sem o risco de pagar a pequena multa por não comparecer. Ainda assim, 6 milhões votaram branco ou nulo e 33 milhões não foram votar. Acredito que, entre essas pessoas, existam aquelas que não mudaram seus endereços, que não podem votar. E está muito fácil justificar", afirmou Buril.
"Então, muitas pessoas podem não estar indo votar pela insatisfação com o contexto político, mas também porque simplesmente não estão perto dos seus locais de votação", disse.
Christopher Le Mon, vice-presidente de programas e estratégia da Ifes, disse que o Brasil é um país muito importante para quem estuda democracia, não só pelo seu tamanho, mas pelos desafios que enfrenta. Uma eleição no Brasil tem consequências não só para o país, mas para toda a região, afirmou.
Sobre acusações de suposta interferência estrangeira na eleição, Buril disse que ela não se observou no processo eleitoral em si e na transmissão dos resultados, por exemplo. "Seria mais no sentido de uma narrativa comum, manipulação de informações e clara preferência [por algum candidato]", afirmou.
Zaldivar concorda. "Houve quem esperasse ver situação similar à que aconteceu em outros países, particularmente da América Central. Não acho que vimos isso no Brasil", disse.
Antonio Augusto/Ascom/TSE
Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.
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