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Economia

Infidelidade financeira e o conflito sobre o dinheiro

A ESPM é reconhecida por sua atuação na educação em áreas como publicidade, marketing e negócios. Mas uma iniciativa voltada à população 60+ também merece atenção: o programa Criativa-Idade.

Valor Econômico3 min de leitura
Infidelidade financeira e o conflito sobre o dinheiro

Trecho

Entre as atividades promovidas, a palestra da psicóloga e pesquisadora Paula Gonçalves Sauer sobre infidelidade financeira trouxe uma reflexão necessária.

Segundo dados apresentados pela pesquisadora, 44% dos casais brasileiros não conversam sobre dinheiro, silêncio que pode alimentar conflitos financeiros e emocionais. A infidelidade financeira ocorre quando uma pessoa esconde ou distorce suas decisões econômicas para quem é diretamente afetado por elas. Pode envolver dívidas ocultas, aplicações mantidas em segredo, mentiras sobre o valor de uma compra, presentes não revelados ou perdas com jogos e apostas.

Essas condutas não se restringem a homens ou mulheres, nem dependem de quem ganha mais. Também não se resumem ao impacto no orçamento. Quando decisões financeiras relevantes são omitidas, o que se rompe é a confiança, e o problema tende a crescer quando não é enfrentado.

A dificuldade começa, muitas vezes, antes do conflito. Dinheiro ainda é tratado como um assunto delicado, privado ou constrangedor, mesmo dentro de casa. Por isso, a educação financeira não deve ficar restrita à escola, aos especialistas ou às conversas do casal. Ela precisa ocupar os espaços familiares de maneira mais ampla, envolvendo pais, filhos e outras pessoas que compartilham decisões, responsabilidades e projetos de vida.

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Falar sobre orçamento, consumo, dívidas, poupança e prioridades ajuda a construir autonomia e responsabilidade. Isso não significa expor cada escolha individual ou eliminar a privacidade, mas estabelecer acordos claros sobre aquilo que afeta a vida comum. Nas famílias, esse diálogo também permite que diferentes gerações aprendam umas com as outras e se preparem para decisões que mudam ao longo de uma vida mais longa.

Colunista comenta sobre pesquisa que aponta que 44% dos casais brasileiros não conversam sobre dinheiro, silêncio que pode alimentar conflitos financeiros e emocionais

Freepik

A recomendação é não esperar que o problema apareça. Conversas regulares e transparentes podem prevenir conflitos e fortalecer relações. Quando o diálogo não avança ou a situação já comprometeu o orçamento e a confiança, a orientação de um profissional de educação financeira pode ajudar a organizar informações, criar acordos e apoiar decisões mais conscientes.

A provocação, portanto, não é apenas para os casais. Se o dinheiro atravessa a vida familiar, a educação financeira também precisa atravessá-la. Quanto mais cedo esse tema entrar nas conversas de casa, menores serão os espaços para segredos e maiores as possibilidades de escolhas compartilhadas.

Renato Bernhoeft é fundador e presidente do conselho da höft consultoria.

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Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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