Uso de estruturas metálicas reduz tempo de obras
A busca por um projeto arquitetônico contemporâneo, aberto, fácil de ser adaptado e modulado como um Lego, levou João Luis de Souza, CEO do Grupo Jee Invest Brasil, a optar pela construção industrializada no lugar do modelo tradicional na hora de erguer o novo centro de serviços do grupo.

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“Além de rápida, é uma obra mais sustentável, com menos resíduos e economia de água e energia, o que se alinha com nossa proposta de sustentabilidade”, diz Souza.
Localizado em Uberaba (MG), o centro de serviços do Grupo Jee reúne em 712 m2 as sedes das mais de 20 empresas da holding, que atuam em diferentes áreas, de móveis planejados ao agro. O projeto, que combina estrutura metálica com vedação com isopainéis, foi erguido em menos de cinco meses, quando no sistema tradicional não levaria menos de oito.
“O tempo é sem dúvida o grande diferencial para o setor corporativo”, afirma Guto Oliveira, CEO e fundador da Goah Arquitetura, responsável pelo projeto. “É sabido que quanto mais rápido a obra é finalizada, menor é o tempo de payback do investimento. A conta fecha”, diz. Mas o mais rápido não necessariamente custa menos. “Em média o metro quadrado da construção de concreto tradicional varia de R$ 500 a R$ 700, enquanto na metálica modula, afirma. Com projetos em 18 Estados, o escritório adota a industrialização em 60% das construções.
O aumento da demanda pela construção em aço deve contribuir para a redução de custos desse tipo de obra, na avaliação de Felipe Dal Corsi, diretor executivo da Fatto Construtora. Especialista em obras rápidas, sobretudo para o varejo, a empresa adota estruturas em aço em 40% dos projetos. “Em geral o uso de elementos estruturais em aço oferece mais benefícios do que desafios”, diz. “A luta é para quebrar a barreira cultural ainda fortemente ligada aos métodos convencionais de construção”.
Corsi comenta que, no caso do varejo a redução do prazo de construção é um benefício significativo. Além disso, as estruturas de aço possibilitam uma maior precisão nas dimensões internas dos ambientes e execução de vãos maiores. “A tendência é de expansão”, assinala.
De acordo com o Índice Geral de Industrialização da Construção (Igic), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), em junho, 33,6% das empresas declararam utilizar sistemas industrializados em todas as suas obras ativas e 14,6% afirmaram utilizá-los parcialmente. Na soma, 48,2% apresentam algum grau de adoção. Todavia, a combinação dos dois subíndices que compõem o Igic, um de adoção e outro de intensidade, apontam que apenas 15,7% das obras podem ser definidas como industrializadas. Isto é, usam sistemas construtivos com estrutura pré-fabricadas, paredes de concreto que chegam prontas ao canteiro de obras, steel frame, drywall, kits hidráulicos pré-prontos e outros elementos pré-fabricados.
Ainda de acordo com o Igic, as estruturas em aço ocupam o segundo lugar entre os sistemas mais utilizados em 2026, respondendo por 44%, atrás apenas do concreto pré-fabricado (56%) e à frente do drywall (41%).
“A industrialização da construção está relacionada a alguns grandes desafios do setor como aumento da produtividade, disponibilidade e qualificação da mão de obra, prazos de execução e capacidade de ampliar a produção de habitação e infraestrutura”, afirma Ana Castelo, coordenadora de projetos de construção da FGV Ibre. Ela prevê mais estímulo com a reforma tributária. “Até agora se produzir no canteiro paga ISS, se produzir na fábrica e levar para o canteiro paga ICMS, que é muito mais caro. A tendência é a dinâmica mudar com a unificação dos tributos”, observa.
Para Pedro Lyra, coordenador do curso de engenharia civil do Instituto Mauá de Tecnologia, um dos principais entraves para o crescimento da construção industrializada é a escassez de profissionais. “O sistema pede mão de obra mais específica, carece de capacitação para uso das tecnologias. O engenheiro precisa não só saber projetar e calcular o nível de resistência, mas também como a peça será fabricada e montada”, afirma.
Dados do instituto de pesquisa Mordor Inteligence apontam que o mercado brasileiro de edifícios pré-fabricados pode movimentar US$ 4,26 bilhões até 2029 e chegar a US$ 5,02 bilhões até 2031. O avanço, segundo o instituto, se dará por conta do impulso habitacional (Minha Casa Minha Vida), expansão da indústria e logística, ativos públicos adotando o modelo modular, metas de descarbonização e incentivos verdes, além da demanda por respostas rápidas a desastres climáticos.
A construção civil é a segunda maior consumidora de aço do planeta, respondendo por mais de 50% da demanda global. No Brasil, o setor responde por 37,3% do consumo, à frente do automotivo (24,8%) e de bens de capital (19,2%). E a tendência é continuar na liderança. “Os números que temos acompanhado tanto em infraestrutura quanto em construção imobiliária são de crescimento. Assim, a demanda aumentará, porque não se faz construção sem aço”, afirma Dyonisio Klavdianos, vice-presidente de materiais, tecnologia, qualidade e produtividade da Câmara Brasileira da Indústria da Construção-CBIC.
Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.
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