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Navi Pillay, ex-juíza do Tribunal Penal Internacional, ganha Nobel da Paz de 2026

Navi Pillay, ex-juíza do Tribunal Penal Internacional (TPI) que presidiu uma comissão responsável por um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) que concluiu que Israel cometeu genocídio em Gaza, ganhou o Prêmio Nobel da Paz nesta sexta-feira "por seus esforços para promover a paz e o direito internacional".

Valor Econômico4 min de leitura
Navi Pillay, ex-juíza do Tribunal Penal Internacional, ganha Nobel da Paz de 2026

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O Prêmio Nobel da Paz deste ano ressaltou a importância de preservar uma ordem internacional organizada, afirmou o comitê responsável pela premiação em sua justificativa.

"O sistema de direito internacional está sob enorme pressão, e suas instituições estão sob ataque", afirmou.

"Estamos testemunhando uma mudança em direção à política de poder, em detrimento das estruturas jurídicas e do respeito global ao direito e à justiça. Sempre que a força prevalece sobre o direito, isso enfraquece a estabilidade, a confiança e a coexistência pacífica."

Nascida em Durban, na província de Natal, na África do Sul, em uma família de origem tâmil indiana, Navi Pillay, de 85 anos, atuou como juíza em vários tribunais internacionais, incluindo o Tribunal Penal Internacional e o Tribunal Penal Internacional para Ruanda.

Ela também presidiu a Comissão de Investigação da ONU sobre o Território Palestino Ocupado, que concluiu no ano passado que Israel cometeu genocídio em Gaza. Israel rejeitou o relatório, classificando-o de "escandaloso".

Pillay também ocupou o cargo de alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Em 1967, tornou-se a primeira mulher a abrir um escritório de advocacia na província de Natal e a primeira mulher não branca a atuar como juíza da Alta Corte da África do Sul.

Navi Pillay, que, entre seus cargos, atuou cmo alta comissária da ONU para os Direitos Humano, venceu o Prêmio Nobel da Paz de 2026

REUTERS/Ruben Spric

'Firme bússola moral'

Pillay responsabilizou Estados e líderes nacionais por seus atos, levou esperança às vítimas da violência e dos conflitos e demonstrou uma firme bússola moral ao longo de sua extensa carreira, afirmou o comitê.

"Há um fio condutor que liga seu trabalho inicial na defesa de Nelson Mandela e de outros que se levantaram contra o apartheid à sua atuação como juíza em alguns dos processos judiciais internacionais mais importantes de nosso tempo", afirmou a justificativa.

O TPI, sediado em Haia, tem sido alvo de uma campanha cada vez mais intensa do presidente americano, Donald Trump, que no mês passado pediu aos países que abandonassem o tribunal.

Washington já impôs sanções direcionadas a vários procuradores e juízes do tribunal e, segundo fontes, considera adotar sanções mais amplas em retaliação às medidas contra líderes israelenses.

Ao premiar Pillay, o comitê não estava criticando diretamente Trump, segundo Haakon Gjerloew, diretor interino do Instituto de Pesquisa da Paz de Oslo.

"Acho que, de modo geral, trata-se mais de uma defesa de uma ordem jurídica internacional. É claro que ele pode reagir ao fato de a premiada ter integrado o TPI, mas não é um ataque direto a Trump", afirmou Gjerloew.

O Nobel da Paz é o quinto prêmio Nobel concedido nesta semana, depois dos de Literatura, Química, Física e Medicina. A líder da oposição venezuelana María Corina Machado venceu em 2025.

O Prêmio Nobel da Paz, no valor de 12 milhões de coroas suecas, ou cerca de US$ 1,2 milhão, será entregue em Oslo em 10 de dezembro, aniversário da morte do industrial sueco Alfred Nobel, que instituiu os prêmios em seu testamento de 1895.

O presidente do Comitê Nobel Norueguês, Jorgen Watne Frydnes, anuncia Navi Pillay como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2026

NTB/Javad Parsa via REUTERS

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Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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