Lucros recorde de Samsung e SK Hynix impulsionam investimentos da Coreia do Sul em base industrial
As empresas sul-coreanas Samsung Electronics e SK Hynix continuam a registrar lucros recordes impulsionados pelo avanço frenético da inteligência artificial (IA), gerando recursos que o governo está utilizando para fortalecer a base industrial do país.

Trecho
As gigantes da fabricação de chips contribuíram com um total superior a 10 trilhões de wons sul-coreanos (US$ 7,45 bilhões) para a arrecadação de impostos do país no primeiro semestre deste ano.
Os resultados preliminares da Samsung, divulgados na quinta-feira, mostraram um lucro operacional de 107,4 trilhões de wons no período de julho a setembro — um aumento de quase nove vezes em relação ao ano anterior e um recorde pelo quarto trimestre consecutivo.
A receita da SK Hynix no período também deve atingir o maior patamar da história da fabricante de chips, segundo diversas corretoras de valores.
Esses resultados são impulsionados pela dinâmica de oferta e demanda restrita de chips de memória. Juntas, as duas empresas detêm cerca de 60% do mercado global. Há mais de um ano, a oferta de chips para centros de dados de IA não consegue acompanhar a demanda crescente, mesmo com o aumento da produção pelos fornecedores. A visão predominante no setor é de que os preços elevados das memórias persistirão além de 2027.
Esse “boom” está engordando os cofres do governo sul-coreano. A previsão é que a arrecadação nacional de impostos para 2026 cresça 28%, atingindo 478 trilhões de wons — sendo que 136 trilhões desse total virão de impostos corporativos —, anunciou o Ministério das Finanças e Economia. O ministério afirmou que o salto nos lucros das fabricantes de chips é o principal fator por trás desses números, ambos recordes históricos.
O imposto corporativo no país baseia-se no lucro operacional, créditos fiscais e outros fatores. Relatórios da Samsung e da SK Hynix mostram que as duas empresas pagaram um total de 11,21 trilhões de wons em impostos corporativos no período de janeiro a junho deste ano, quase o triplo do valor registrado no ano anterior.
No fim de setembro, durante um evento de investimentos nos Estados Unidos, o presidente sul-coreano, Lee Jae-myung, afirmou que seu país planeja reinvestir ativamente os ganhos gerados pelo “boom” da IA e dos chips em indústrias de ponta, infraestrutura essencial e desenvolvimento de talentos.
O Fundo de Resposta ao Futuro, a ser criado no próximo ano, é a peça central desse plano. O governo espera arrecadar 162 trilhões de wons em 2027 — um valor acima da previsão baseada na taxa de crescimento da receita tributária da última década — e planeja utilizar esses recursos ao longo de vários anos. No primeiro ano do plano, em 2027, o governo investirá 45 trilhões de wons em IA, chips, desenvolvimento de talentos e na revitalização de áreas fora dos grandes centros urbanos.
O apoio à indústria de chips também será ampliado por meio das dotações orçamentárias regulares do governo, com a meta de dobrar a capacidade nacional de produção de memórias nos próximos cinco anos.
Em junho, a Samsung e a SK Hynix anunciaram planos para construir um total de quatro fábricas de chips no sul do país, com um investimento conjunto de 800 trilhões de wons, além das obras já em andamento em instalações de chips anunciadas anteriormente perto de Seul.
Essa expansão gerou demandas por mais infraestrutura, incluindo o fornecimento de energia, água e mão de obra. O governo reservou 2,6 trilhões de wons especificamente para o setor de chips em seu orçamento de 2027, além de outros 2,1 trilhões de wons destinados a infraestrutura e suporte.
Em agosto, o governo também promulgou uma nova lei para apoiar a indústria de semicondutores. A legislação institui um novo plano nacional de cinco anos para o setor de chips, visando evitar impactos decorrentes de mudanças de governo, e cria uma conta orçamentária especial para a área.
"Estabelecemos uma base para o sucesso contínuo no setor de semicondutores", afirmou Koh Dong-jin, membro da Assembleia Nacional e ex-executivo-chefe (CEO) da Samsung, autor do projeto de lei.
Políticas que dependem de recursos provenientes do setor de chips também apresentam riscos. O Serviço Nacional de Impostos do país informou que 92% dos impostos corporativos pagos em 2025 vieram dos 10% das empresas com maior faturamento, enquanto a proporção de empresas que não pagaram impostos subiu para 55%, evidenciando a influência significativa que um pequeno número de grandes empresas — principalmente do setor de chips — exerce sobre as finanças nacionais.
Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.
Leia também

Bomba da Rússia explode perto de ônibus na Ucrânia, mata 30 pessoas e agrava apagões

Brasil mostra sistema eleitoral sólido e clima menos tenso, avalia Ifes

IPC-Fipe sobe 0,56% na 1ª quadrissemana de outubro, após alta de 0,51% em setembro

Manhã no mercado: Euforia eleitoral divide atenções com IPCA em dia de alívio no exterior
Newsletter
O mundo não cabe no seu feed. O resumo certo cabe na sua manhã.
Receba o Newra Daily no seu e-mail: o artigo do dia, escrito a partir das principais notícias, em uma leitura só.