Pular para o conteúdo
Newra News
Economia

Minério de ferro sofre cortes de produção

O mercado de minério de ferro chega à reta final de 2026 sob pressão. O valor do frete marítimo praticamente dobrou desde o início dos conflitos no Irã em fevereiro, o que eleva os custos das operações transoceânicas.

Valor Econômico3 min de leitura

Trecho

Por outro lado, a demanda na China, o principal destino global do minério de ferro, é declinante, comprimindo os preços internacionais da commodity.

Em setembro, quatro mineradoras brasileiras - Mineração Usiminas (Musa), CSN Mineração, Cabo Verde e Itaminas - anunciaram redução temporária em suas operações de minério de ferro. A Musa interrompeu o funcionamento de sua planta de Samambaia, em Itatiaiuçu (MG), que responde por 30% da produção total da companhia. Em 2025, a Musa produziu 9,6 milhões de toneladas (Mt) de minério de ferro, tendo exportado por volta de 70% do total.

A CSN Mineração reduziu as atividades de produção própria e decompra de minérios de terceiros para beneficiamento. No início do ano, a companhia estimava processar 45 Mt a 47 Mt em 2026. Com o corte, a nova estimativa é de uma produção na faixa entre 39 Mt e 41 Mt. Em 2025, por volta de 90% da produção foi exportada.

O frete na rota Brasil-China já supera US$ 40 por tonelada, praticamente o dobro do patamar de janeiro, na casa de US$ 22 a tonelada. Segundo o CEO da Usiminas, Marcelo Chara, o custo atual do frete representa entre 40% a 45% do preço final do minério de ferro entregue na China, onde os preços da commodity em 2026 flutuam em um patamar inferior a US$ 100 por tonelada. “Há um claro impacto na rentabilidade da operação”, diz Chara.

O Brasil foi o segundo maior exportador de minério de ferro em 2025, com 69% do volume destinado ao mercado chinês. Mas a demanda global da commodity e mais especificamente a demanda chinesa, está em um ciclo de retração. A World Steel Association divulgou que a produção mundial de aço bruto alcançou 144,2 Mt em agosto, com uma queda de 1,2% sobre um ano antes. No mesmo período, a produção da China recuou 3,7%. No acumulado de janeiro a agosto, a retração chinesa foi de 3,1%. Em 2025, a produção da China já havia retraído em 4,4%.

“O mercado de aço na China ainda não conseguiu superar o colapso gerado pela crise no setor da construção civil, que teve seu estopim com a quebra da Evergrande em 2021”, diz o consultor Eduardo Bartolomei, da Oak Commodities. A construção civil historicamente responde por 30% da demanda chinesa de aço.

“Não há sinais no mercado de outra atividade que possa substituir a demanda por aço da construção civil chinesa, nem na China nem em outro país”, diz Bartolomei. “O mercado de aço continuará reprimido e com ele a demanda por minério”, afirma.

A pressão no mercado internacional de minério de ferro também é resultado do início da operação comercial de Simandou, na República da Guiné, mina projetada para alcançar uma produção de 120 Mt por ano em 2030. O projeto pertence à Rio Tinto e ao consórcio chinês Chalco Iron Ore Holdings (CIOH). Em Simandou, o minério apresenta alto teor de ferro, 65%. “A Simandou vai acelerar a retirada da oferta de minas de baixa produtividade e com baixo teor de ferro, que perderão competitividade”, diz Daniel Sasson, analista de commodities do Itaú BBA.

No Brasil, os investimentos em mineração de ferro até 2030 somam US$ 19,8 bilhões, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram). Empresas como a CSN e a Itaminas, que reduziram suas produções para se adequarem à conjuntura atual, executam projetos de expansão visando o longo prazo.

Leia na fonte

Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

Leia também

Newsletter

O mundo não cabe no seu feed. O resumo certo cabe na sua manhã.

Receba o Newra Daily no seu e-mail: o artigo do dia, escrito a partir das principais notícias, em uma leitura só.

Um e-mail por dia. Cancele quando quiser, em um clique.