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Para obter tungstênio, Mitsubishi Materials recorre ao Vietnã como alternativa à China

A Mitsubishi Materials está adquirindo tungstênio reciclado do Vietnã para a fabricação de ferramentas de metal duro (carboneto), recorrendo a uma fonte mais cara para esse metal industrial a fim de contornar as restrições de exportação da China, apurou o “Nikkei Asia”.

Valor Econômico3 min de leitura
Para obter tungstênio, Mitsubishi Materials recorre ao Vietnã como alternativa à China

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A compra junto ao Vietnã permitiu à fabricante japonesa abastecer suas unidades de produção locais, mas também a forçou a aumentar drasticamente seus próprios preços — parte de uma tendência que pode deixar as empresas japonesas em uma posição competitiva difícil caso as restrições permaneçam em vigor.

O tungstênio é utilizado em lâminas e pontas de metal duro extremamente resistentes para máquinas-ferramenta, componentes essenciais na usinagem de precisão necessária para motores automotivos e peças de aeronaves. Neste ano, a Mitsubishi Materials iniciou a importação em larga escala de tungstênio do Vietnã, incluindo produtos reciclados a partir de sucata de metal duro.

Até 2024, a empresa japonesa detinha uma participação na operadora da instalação de reciclagem da qual realiza as compras. A Mitsubishi Materials manteve negócios com o fornecedor após o fim da relação societária, mas priorizava o tungstênio mais barato da China até que as restrições de exportação forçaram uma mudança.

Atualmente, a Mitsubishi Materials não importa tungstênio da China, mas uma fonte informou que a empresa garantiu a quantidade necessária do metal.

Pequim restringiu as exportações de produtos de tungstênio e de outras quatro categorias de metais em fevereiro de 2025. As importações japonesas de três produtos relacionados ao tungstênio abrangidos por essas medidas caíram cerca de 90% em agosto de 2026, em comparação com dois anos antes.

Empresas japonesas têm buscado alternativas com urgência. A participação da China nas importações de tungstênio do Japão caiu para 13% nos oito meses encerrados em agosto, ante 47% no mesmo período de 2024. Paralelamente, a participação do Vietnã quadruplicou para 20%, e as importações dos Estados Unidos também aumentaram.

O problema é o custo. Os preços de mercado do tungstênio praticamente triplicaram desde o início deste ano, segundo dados da Argus Media, provedora de informações sobre o mercado de commodities.

A Mitsubishi Materials reagiu aumentando os preços de ferramentas de metal duro e peças relacionadas a partir dos pedidos de junho; o preço de alguns itens mais do que triplicou. A concorrente japonesa Sumitomo Electric Industries também elevou seus preços recentemente, pela terceira vez neste ano. "Ainda precisamos reajustar mais os preços", afirmou o presidente da Mitsubishi Materials, Tetsuya Tanaka.

Segundo a Argus, em agosto, os preços internacionais do tungstênio estavam três vezes mais altos do que os praticados no mercado chinês. Ao elevar os preços, os fabricantes japoneses correm o risco de perder espaço para os fabricantes chineses de ferramentas de metal duro.

Os fabricantes de menor porte enfrentam dificuldades ainda maiores.

Grandes empresas com poder de compra ainda conseguem adquirir os materiais de que necessitam, ainda que a um custo mais elevado. No entanto, "os fabricantes de ferramentas de metal duro de pequeno porte não conseguem acesso a materiais caros, por isso provavelmente terão dificuldades para operar", comentou um profissional do setor.

"Os preços de alguns materiais estão mais de dez vezes acima dos níveis anteriores às restrições de exportação", disse o representante de uma pequena empresa de ferramentas de metal duro em Osaka. "Com a disparada dos preços, os clientes estão indo embora. Nossos pedidos caíram cerca de 20%." O fornecimento por parte de três dos seis fornecedores habituais da empresa foi interrompido.

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Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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