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Siderúrgicas investem em autoprodução de energia

A entrada em operação, em março, de uma usina solar com capacidade para produzir 200 megawatts (MW) no complexo Babilônia Centro, em Várzea Nova (BA), reforçou a estratégia de autoprodução de energia da ArcelorMittal.

Valor Econômico4 min de leitura

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O parque híbrido soma 753,5 MW de energia solar e eólica, construído a partir de uma parceria com a Casa dos Ventos e deve destinar cerca de 90% da energia produzida às unidades industriais da siderúrgica, enquanto o restante será comercializado no mercado. A estimativa é elevar de 61% para 85% a parcela de geração com fontes renováveis até 2030. No total, o investimento em autoprodução de energia foi de R$ 5,8 bilhões, que inclui também o parque solar Paracatu, em Minas Gerais.

O movimento da ArcelorMittal tem se mostrado cada vez mais comum entre setores eletrointensivos, como a siderurgia, em uma estratégia que envolve redução de custos, segurança energética, busca de competitividade industrial e descarbonização. “A autoprodução funciona como uma proteção estrutural contra períodos de preços elevados no mercado. Além de aumentar a previsibilidade dos custos, ela viabiliza investimentos de longo prazo, fortalece a competitividade da indústria brasileira e acelera a expansão de fontes renováveis”, afirma Fábio Paiva Scárdua, diretor financeiro e de estratégia de aços longos para a América Latina da ArcelorMittal.

No complexo Babilônia Centro, as torres eólicas, em operação desde setembro de 2025, e os painéis fotovoltaicos compartilham a mesma infraestrutura, como subestação, linhas de transmissão e conexão com o sistema elétrico. “Os projetos já resultaram em redução do custo de energia se comparado com o mercado. Nosso investimento em geração renovável, portanto, é fator potente de competitividade industrial”, diz Scárdua.

Segundo o executivo, a estratégia de reposicionamento do portfólio de energia elétrica da ArcelorMittal deve combinar novos investimentos em fontes renováveis, soluções de armazenamento de energia e instrumentos que aumentem a flexibilidade do consumo. “O Brasil possui condições excepcionais para o desenvolvimento de projetos de geração renovável, o que abre espaço para novos investimentos”, diz.

A energia passa a ocupar espaço mais estratégico nas decisões de negócio”

A CSN, que possui um portfólio próprio de geração com mais de 2 GW de capacidade instalada com pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), parques eólicos, solar e termelétrica de cogeração dentro do complexo siderúrgico, já consegue suprir 100% do consumo próprio e comercializa o excedente no mercado.

A estratégia da empresa leva em consideração o suprimento das necessidades de energia futura, face à expansão em andamento dos negócios, principalmente no segmento de mineração. Outra vantagem da autoprodução é a conexão com o Sistema Interligado Nacional (SIN), com despacho flexível da geração no critério de reserva de capacidade e o compartilhamento de baterias junto à infraestrutura local da indústria. “É de cunho estratégico produzir a própria energia, o que traz benefícios de previsibilidade, segurança energética, matriz renovável e ainda a blindagem econômica em relação a encargos setoriais", diz Vitor Augusto Garcia, gerente de planejamento energético da CSN.

A dimensão relacionada à transição energética é um dos fatores que embasam os investimentos das empresas eletrointensivas na autoprodução, na visão de André Almeida, gerente comercial da Echoenergia, empresa do grupo Equatorial especializada em geração e comercialização de energia. “A dimensão ambiental ganhou peso. O acesso de longo prazo à energia de fontes renováveis pode contribuir para as estratégias de descarbonização das empresas e para o atendimento a mercados que passam a considerar cada vez mais a pegada de carbono em seus produtos e serviços.”

Na ArcelorMittal, as três plantas de geração de energia renovável devem contribuir para a estratégia de descarbonização do aço produzido pela companhia, evitando a emissão de mais de 208 mil toneladas de CO2 na atmosfera - o equivalente, segundo a empresa, a 9,2 milhões de árvores plantadas. O complexo tem uma abordagem circular no uso de insumos: os vergalhões de aço usados na fundação dos aerogeradores do conjunto eólico foram produzidos pela empresa com baixa pegada de carbono - com matéria-prima 100% de sucata metálica e energia elétrica renovável na produção. A ArcelorMittal estabeleceu como meta chegar a 100% de energia elétrica renovável até 2030 e neutralizar as emissões líquidas até 2050.

“Estamos vendo uma transformação na forma como grandes consumidores se relacionam com a energia, que deixa de ser apenas um insumo a ser contratado e passa a ocupar espaço mais estratégico nas decisões de negócio”, diz Almeida.

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Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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