Foodtechs levam inovação à mesa
Alimentos desenvolvidos em laboratório, novos formatos de distribuição, sistemas de gestão e reaproveitamento de resíduos estão em pauta no segmento de foodtechs, as startups voltadas ao segmento alimentar.
Trecho
Em 2025, a Liga Ventures identificou 500 delas em atividade no Brasil, atuando em 11 setores, com destaque para novos alimentos e bebidas (14,4% do total), logística e entrega (7,6%) e reaproveitamento e gestão d resíduos e descarte (6,8%). Até outubro, elas haviam captado R$ 207 milhões em 16 transações. Nas 24 rodadas de 2024, foram R$ 877 milhões.
Em todo o mundo foram investidos R$ 12,3 bilhões no setor, segundo o portal Global FoodTech Investments, queda de 27% ante 2024. Este ano, os dados indicam como tendência o maior foco em startups relacionadas ao agronegócio e ciências da alimentação, responsáveis por 64% dos US$ 6,5 bilhões em aportes no primeiro semestre; o delivery fica com 13%.
A chilena NotCo usa ciência de alimentos, tecnologia e inteligência artificial para replicar a estrutura de produtos animais com produtos à base de plantas. Hoje a empresa conta com as linhas NotMilk, NotCreme, NotMayo e NotShake. “Na categoria de bebidas vegetais, o NotMilk alcançou 9,3% de participação de mercado entre janeiro e agosto de 2026, a quinta maior marca do segmento”, conta o diretor comercial Rafael Marques.
A Typcall surgiu em 2023 para transformar resíduos da indústria ricos em nitrogênio e carbono em ingredientes funcionais à base de micélio, o “corpo” dos fungos. Hoje tem biorreatores de até 5 mil litros e capacidade de produção anual de 50 toneladas em Pinhais (PR) por tecnologia de fermentação submersa, que transforma resíduos em biomassa funcional em 21 horas, a mais rápida do mundo.
A startup já captou mais de R$ 10 milhões. Seu principal produto é a farinha Neutra Pro, adquirida por fabricantes europeus para salgadinhos, cereais matinais e barras. O produto também é aprovado no México e no Chile. “A expectativa é de aprovação pela Anvisa em 2027, quando devemos apresentar ainda novos produtos para bebidas e adição de fibras, já patenteados”, diz o CEO Paulo Ibri.
Neste ano, a Cellva captou R$ 20 milhões para produzir um pó feito da casca do café arábica, normalmente reutilizado como subproduto ou fertilizante, para substituir o cacau, e a Brendi levantou US$ 6,6 milhões para expandir sua plataforma de delivery via WhatsApp. A empresa também tem ferramentas de catálogo digital e pagamento e ajuda restaurantes a integrarem aplicativos diferentes.
Já a R aízs tem dez anos de atuação como marketplace de produtos naturais saudáveis com sustentação tecnológica. Algoritmos e IA ajudam a usar dados das cidades e de consumidores para prever a demanda ao longo da cadeia de alimentos, com assertividade de 98,7% e índice de desperdício de 2%, contra 33% da média do setor. “Conseguimos prever a curto e longo prazo quanto será preciso atender”, diz o CEO e fundador, Tomás Abrahão. A tecnologia ajuda a unir cerca de 2 mil fornecedores a cerca de 80 mil clientes no Estado de São Paulo. As vendas exclusivamente por site ou app somam cerca de 80 toneladas mensais. Agora estão sendo avaliados novos canais de receita, com testes na área de crédito rural, entre outros.
O desperdício também é uma das preocupações da Intelligent Foods, que usa tecnologia para aumentar o tempo de conservação de produtos por meio de sistema de autoclavagem, esterilização que usa vapor de água sob alta pressão e temperatura. Depois de atender o food service, com cerca de 12 toneladas por mês de alimentos básicos como arroz, feijão e picadinho, a empresa abriu duas novas frentes: a linha Smarmitas, com cinco tipos de marmitas que podem ser expostas sem refrigeração e passaram por teste bem-sucedido com 40 lojas da Oxxo; e a linha de proteínas, que deve chegar ao em novembro, com snack proteico a base de frango NoBars, parceria com o frigorífico Comercial Talismã, com capacidade de produção de até 200 mil unidades mensais.
“Estamos procurando parceiro para expandir a operação de marmitas”, diz a CEO Flávia Murgel.
Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.
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