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Rede social amplia conexão com compras ‘positivas’

Fe Cortez: “Redes sociais ajudam a propagar a ideia do consumo consciente”

Valor Econômico5 min de leitura
Rede social amplia conexão com compras ‘positivas’

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Divulgação

A combinação de redes sociais com internautas jovens pode contribuir para alavancar a adesão a um consumo mais responsável, segundo especialistas em comunicação e marketing digital. A avaliação é que consumidores de 14 a 28 anos ditam tendências e o que esse grupo defende agora pode chegar, logo depois, a compradores de outras faixas etárias.

Segundo um levantamento feito pelo TikTok para o Valor, as buscas na plataforma por “garimpando em brechó” aumentaram 250% no Brasil nos últimos seis meses, em comparação aos seis meses anteriores. Já as publicações com a hashtag “#brechó” subiram 45% e as visualizações de vídeos sobre “upcycling” (transformação de materiais que seriam descartados em novos produtos, do inglês) dobraram no mesmo período. A análise foi feita na primeira semana de outubro.

“O que é usado ou ‘vintage’, o aluguel e a troca de mercadorias ganham força porque as redes os transformam em identidade e status”, analisa Cláudio Felisoni de Angelo, coordenador do curso de marketing digital e mídias sociais da FIA Business School. Comprar em brechó, por exemplo, deixou de ser sinal de necessidade e passou a ser uma marca de distinção, assinala. “É aqui que as redes sociais funcionam a favor do consumo consciente: ela muda a norma social.”

A observação acompanha os dados de uma pesquisa com 4.834 jovens, de 14 a 28 anos, realizada pelo Observatório Juventude e Trabalho, braço de inteligência de mercado do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE). O estudo indica que as causas sociais e ambientais defendidas pelos fabricantes são os atributos mais importantes para “admirar uma marca”, escolhidos por 28,4% do total de entrevistados - só atrás de qualidade do produto (48,8%).

Na opinião de Luana Clara, fundadora da consultoria de comunicação estratégica LaPresse, é possível combater as compras desenfreadas, também alimentadas pelas redes. “Usuários já declararam ter aprendido sobre temas como consumo consciente [apontado por 24,4%] e reciclagem [18,1%] por meio de postagens de influenciadores”, diz ela, citando uma sondagem da plataforma de energia solar por assinatura Bulbe com 500 brasileiros de todas as regiões do país.

“Criadores digitais podem mostrar aos seguidores, com uma linguagem acessível, que o consumo consciente não é uma questão de luxo”, segue Clara.

É o que está fazendo a comunicadora socioambiental Fe Cortez, autora do livro “Menos 1 lixo para uma vida mais sustentável” (Editora Senac São Paulo, 152 págs.) - o perfil no Instagram que leva o nome da obra tem mais de 620 mil seguidores. “As redes sociais ajudam a propagar a ideia do consumo consciente, mas também de outros tipos de compras, associados a promoções ou ao ‘baratinho’”, alerta a especialista, que atua na área desde 2015.

Para Cortez, o avanço de ideais mais sustentáveis no mundo on-line pode acontecer a partir de uma “coalizão” de influenciadores. “Falta furar as bolhas, com ‘cruzamentos’ inusitados, usando influenciadores de luxo, esportes, de ‘lifestyle’ e culinária”, destaca. “No nicho do consumo consciente já tem muita gente falando sobre o tema.”

Angel Ortega, head de mídia e inteligência artificial da Digital Favela, plataforma focada em influenciadores de comunidades, lembra que práticas ligadas ao consumo solidário fazem parte da realidade das periferias há muito tempo. “Como reaproveitar uma roupa, consertar um eletrônico ao invés de trocar e passar para outra pessoa algo que não usamos mais”, elabora. Isso sempre existiu, muitas vezes por necessidade, aponta. “Mas a internet ajudou a dar um novo significado a esses comportamentos.”

Ortega diz acreditar que é preciso eliminar o “tom de sermão” que ronda o assunto no debate virtual. “Ninguém entra numa rede social querendo ser julgado pela forma como consome”, anota. O conteúdo que funciona é o que consegue primeiro chamar a atenção e depois sugerir uma reflexão, orienta. “Pode ser alguém mostrando como customizou uma peça que estava parada no armário, comparando se vale trocar o celular por um modelo novo ou mostrando alternativas mais econômicas para um produto.”

Para Ortega, os microinfluenciadores (aqueles que têm de mil a 100 mil seguidores), mesmo com uma audiência menor, têm um poder de alcance elevado sobre os jovens. “Consumo consciente envolve confiança e mudança de hábito. E isso acontece pela proximidade”, explica. Quantidade de seguidores não é sinônimo de influência, pondera. “Um criador menor, mas que conversa diariamente com uma comunidade específica, pode ter uma capacidade enorme de influenciar decisões”, afirma.

Gabriel Fernandes, diretor sênior de comunicação e branding de marca da Natura, chama a atenção para o crescimento do número de criadores de conteúdo na região Norte que seguem a trilha do consumo ético. “Eles não têm a sustentabilidade como único assunto, mas falam de cultura, beleza, identidade e território a partir de uma relação próxima com a Amazônia”, explica. “O consumo consciente também começa por conhecer melhor as histórias, as pessoas e os lugares que existem por trás daquilo que escolhemos comprar.”

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Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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