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Índia detém manifestantes em protesto contra chefe da autoridade eleitoral

A polícia da Índia deteve mais de 2 mil manifestantes e o fundador do movimento juvenil "Barata" (Cockroach) em Délhi neste sábado, enquanto forças de segurança isolavam partes da capital para impedir um ato que exigia a renúncia do chefe da autoridade eleitoral da Índia.

Valor Econômico4 min de leitura
Índia detém manifestantes em protesto contra chefe da autoridade eleitoral

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Milhares de policiais e agentes de forças paramilitares foram mobilizados pela cidade, serviços de internet móvel foram suspensos no centro financeiro, e dezenas de estações de metrô e mercados foram fechados à medida que as autoridades agiam para barrar a manifestação organizada pelo movimento "Barata".

O protesto visava ao Comissário-Chefe da Comissão Eleitoral, Gyanesh Kumar, devido a uma revisão das listas de eleitores que, segundo críticos, beneficia desproporcionalmente o partido governista do primeiro-ministro Narendra Modi, o Bharatiya Janata Party (BJP).

O movimento planejava reunir milhares de pessoas em Jantar Mantar, no centro de Délhi, mas a área foi isolada pelas forças de segurança antes do início da manifestação.

Um funcionário do Ministério do Interior, falando sob condição de anonimato, disse à Reuters que mais de 2 mil pessoas foram detidas em Délhi. A imprensa local informou que cerca de 400 manifestantes foram detidos em Mumbai, o centro financeiro da Índia.

Não houve comentário imediato da polícia sobre as detenções.

Pequenos protestos ocorreram em outros pontos de Délhi, incluindo um mercado de artesanato popular e o memorial dedicado a Mahatma Gandhi, líder do movimento de independência, com manifestantes exigindo a renúncia de Kumar.

"Viva a revolução", gritavam alguns jovens manifestantes enquanto a polícia os perseguia e arrastava dezenas de outros para dentro de ônibus para serem levados, mesmo com a chegada de mais pessoas, relatou uma testemunha da Reuters.

"Isso viola os direitos do povo, e o país não tolerará mais isso", disse Yogendra Solanki à Reuters enquanto era escoltado pela polícia.

Líderes do movimento detidos

A polícia deteve o fundador do partido Cockroach Janta Party (CJP), Abhijeet Dipke, e os líderes seniores Saurav Das e Ashutosh Ranka assim que o voo deles, vindo de Mumbai, pousou em Délhi, informou o grupo em um comunicado.

Imagens de televisão mostraram Dipke desafiando os policiais que se aproximaram dele a bordo da aeronave.

"Vim para ser preso, prendam-me. Não tenho medo de vocês", disse.

"Não, isto não é uma prisão", respondeu um policial. "Por favor, colabore."

O movimento condenou o que classificou como a "detenção autoritária" de seus líderes, exigiu a libertação deles e prometeu continuar os protestos.

"Continuaremos nosso protesto amanhã, depois de amanhã... até que Gyanesh Kumar renuncie. Estaremos nas ruas", disse o líder do CJP, Ajinkya Shinde, a repórteres.

O CJP também afirmou que as autoridades se recusaram a fornecer informações sobre o paradeiro ou o estado de saúde dos líderes, mesmo após a notícia do falecimento da avó de Dipke. A polícia informou que Dipke foi comunicado sobre a morte dela e que lhe foi oferecida ajuda para retornar para casa e participar do funeral.

Alguns legisladores da oposição e os chefes de governo estaduais Mamata Banerjee (Bengala Ocidental), Arvind Kejriwal (Déli) e Pinarayi Vijayan (Kerala) também foram detidos, segundo imagens exibidas por canais de televisão.

Representantes de dois veículos de notícias digitais informaram que a polícia deteve brevemente quatro de seus repórteres enquanto cobriam as manifestações. Um jornalista da Reuters também foi detido por um curto período antes de ser liberado.

Por toda a capital, que tem cerca de 20 milhões de habitantes, forças de segurança montaram postos de controle nas principais vias e pontos de acesso, abordaram ônibus em busca de manifestantes e vistoriaram veículos. Barreiras e blocos de concreto afetaram o trânsito, enquanto veículos de controle de distúrbios equipados com lançadores de gás lacrimogêneo patrulhavam rotas estratégicas.

As manifestações representam um dos testes mais sérios enfrentados até agora por Modi, decorrentes de alegações de que as autoridades eleitorais revisaram indevidamente as listas de eleitores antes das recentes eleições estaduais.

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Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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