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Lula, Alckmin e aliados reúnem apoiadores em ato na avenida Paulista

Manifestantes se reuniram neste domingo (11) na avenida Paulista, em São Paulo, para declarar apoio à campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A mobilização foi convocada pelo PT e contou com a presença de artistas e políticos aliados. Lula esteve por cerca de uma hora no local.

Valor Econômico7 min de leitura
Lula, Alckmin e aliados reúnem apoiadores em ato na avenida Paulista

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Ele defendeu a participação popular na política e pediu aos apoiadores que covençam idosos a votar no segundo turno.

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A campanha petista busca atrair eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno para tentar virar contra o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, que terminou a primeira rodada à frente de Lula. O índice de abstenção na votação do dia 4 de outubro bateu 21%, o que corresponde a 33 milhões de eleitores.

Apoiadores ocuparam entre sete e oito quarteirões da avenida Paulista. A estimativa da campanha petista é de que um milhão de pessoas estiveram presentes. Não há ainda, no entanto, dados de órgãos oficiais. O Monitor do Debate Político da USP/Cebrap, que geralmente calcula a quantidade de público em manifestações políticas na avenda Paulista, além disso, afirmou que a campanha de Lula não autorizou o uso de seus drones no local e ameaçou abatê-los.

Após o encerramento oficial do ato pelos membros da organização, manifestantes seguiram em caminhada pela rua da Consolação até a Praça Roosevelt. Torcidas de clubes de futebol, fã clubes (os chamados fandoms) e organizações estudantis seguiram mobilizando o ato.

Entrevista à imprensa

Lula chegou ao local por volta de 12h30 acompanhado do vice-presidente Geraldo Alckmin e da primeira-dama Rosângela Silva, a Janja. A jornalistas, antes de discursar, o presidente disse que a votação da PEC do fim da escala de trabalho 6x1 antes do segundo turno está combinada com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) e cobrou uma posição da oposição. "Agora é a hora da verdade. O PL vai dizer se é favorável ao trabalhador descansar mais ou quer que o trabalhador continue trabalhando mais”, declarou.

O presidente também disse esperar a aprovação da PEC da Segurança Pública antes do segundo turno. Lula ainda criticou o chamado “tesouraço” proposto por seu rival, Flávio Bolsonaro, e contestou a decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Kassio Nunes Marques, que suspendeu o canal “Exército de Lula", criado pelo deputado André Janones para fortalecer a estratégia digital da campanha pstista,

"Não é possivel que o presidente da Justiça eleitoral não tenha comportamento civilizado, republicano", disse Lula. "Nossos advogados vão ter que entrar com explicação ao presidente da Corte eleitoral", acrescentou.

Presidente Lula em ato na avenida Paulista

Amanda Perobelli/REUTERS

Já durante o discurso, Lula criticou a família Bolsonaro e lembrou da pandemia de covid-19, citando a falta de oxigênio nos hospitais e a postura do ex-presidente Jair Bolsonaro em relação à ciência e às vacinas. “Vocês sabem o que é o presidente rir de pessoas morrendo asfixiadas por causa de oxigênio, vocês sabem quantas pessoas foram enterradas em sacos pretos. Porque tivemos um presidente irresponsável que duvidou da ciência, que duvidou da vacina", disse.

Lula também disse que o Brasil não pode perder a democracia, "por pior que ela seja". Ao relembrar o início de sua carreira no movimento sindical e a criação do PT, destacou que a construção de projetos políticos demanda esforço, enquanto a destruição é mais simples. “Construir algo é muito difícil, mas destruir é simples. Construir são poucos que fazem”, declarou.

Alckmin, por sua vez, citou a proximidade de Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. "Disse que nunca encontrou com Vorcaro. Mentira. Disse que nunca entrou em jatinho de Vorcaro. Mentira. Disse que nunca pediu dinheiro pro Vorcaro. Mentira. Esse filme é o cavalo da mentira", afirmou durante discurso, referindo-se ao filme "Dark Horse", a cinebiografia de Jair Bolsonaro. "O povo quer a verdade. A virada começou."

Janja faz breve discurso

Janja foi chamada por Lula para falar ao público e fez um breve discurso. Em sua fala, ela citou o vídeo de uma criança levantando uma arma, durante manifestação bolsonarista de comemoração do resultado do primeiro turno. “Eu sei que a imagem que mais chocou esta semana foi ver uma criança levantando uma arma. Eu tenho certeza que é essa Constituição que as mães querem ver nossas crianças levantando. Por isso, estamos na rua para defender nossa Constituição, não vai ter ninguém que vai passar por cima dela”, disse.

A fala de Janja no ato se dá após a ex-senadora Katia Abreu criticar o destaque dado à primeira-dama na campanha, que seria maior do que o dado ao vice-presidente, Geraldo Alckmin.

Artistas e aliados

O ato contou com a participação de artistas, como o ator Humberto Carrão, e o cantor Baco Exu do Blues, que fizeram falas no carro de som durante a concentração do ato. Também estiveram presentes políticos aliados, como os ex- ministros Fernando Haddad, Simone Tebet e Marina Silva, além de três governadores eleitos do Nordeste: Jerônimo Rodrigues (PT), da Bahia, Rafael Fonteles (PT), do Piauí, e Elmano de Freitas (PT), do Ceará.

Humberto Carrão

Vinicius Lucena/Valor

Em discurso, Fonteles chamou a atenção para a quantidade de nordestinos que vivem em São Paulo e a necessidade de mobilização para o segundo turno. “Eu queria conclamar todos os nordestinos, descendentes de nordestinos, que ajudaram a construir São Paulo, que ajudaram a construir o Brasil, que tem que votar Lula para garantir o desenvolvimento de São Paulo e do Nordeste”, afirmou.

Rodrigues disse que participava do ato “porque o Brasil é um só, não precisa e não será dividido. Nós temos um único Brasil de um povo trabalhador e São Paulo é prova disso”, afirmou.

Já Elmano afirmou que, por muito tempo, os nordestinos saíam dos seus estados para “ganhar a vida” em São Paulo, mas que, depois de Lula eleito, isso mudou. “Nós podemos dizer com orgulho que o povo do Nordeste quer viver é no Nordeste”, disse.

Também estiveram presentes parlamentares petistas, como a deputada federal eleita Luna Zarattini e o deputado federal Carlos Zarattini, e políticos de fora da legenda, como o deputado federal Otoni de Paula (PSD) e a deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL).

“Estamos reunidos na avenida Paulista não por Lula, não pelo PT, não pela esquerda brasileira. Mas estamos reunidos aqui do lado verdadeiro da história. Tiraram o meu mandato, mas não tiraram a minha coragem”, declarou Otoni.

Otoni de Paula

Vinicius Lucena/Valor

Os discursos durante a concentração do ato, em geral, convocavam os presentes a se mobilizarem pela campanha de Lula, em busca de uma virada no segundo turno. A preservação da democracia, o fim da escala 6x1, o enfrentamento ao feminicídio e a defesa da manutenção de políticas sociais também estiveram entre as pautas defendidas pelos manifestantes. Os presentes ainda entoaram palavras de ordem contra o governador Tarcísio de Freitas e ao oponente na corrida presidencial, Flávio Bolsonaro (PL).

Flávio terminou o primeiro turno na frente de Lula, com 47% dos votos válidos. O petista recebeu 45%.

Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (8) mostra o candidato do PL em vantagem no segundo turno, com 49% das intenções de voto, ante 45% de Lula. O cenário, no entanto, é de empate técnico, no limite da margem de erro, que é de dois pontos para mais ou para menos. Em votos válidos - que excluem nulos, em branco e indecisos -, Flávio vai a 52% e Lula, a 48%.

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Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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