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Buzinas de trens: MPF recorre para acelerar ações contra poluição sonora no interior de SP

MPF recorre para acelerar ações contra poluição sonora de trens no interior de SP

G15 min de leitura
Buzinas de trens: MPF recorre para acelerar ações contra poluição sonora no interior de SP

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Luciano Claudino/Código19

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com um recurso para que a concessionária de ferrovias Rumo adote medidas imediatas para reduzir a poluição sonora causada pelas buzinas de trens no perímetro urbano de São Carlos e Ibaté (SP).

Segundo o MPF, moradores do entorno da linha férrea têm convivido com níveis de ruído muito mais altos do que os permitidos devido ao uso dos equipamentos, inclusive durante a noite. A situação levou o órgão a entrar com uma ação civil pública.

Em nota, a Rumo informou que as operações da concessionária seguem todas as normas de segurança vigentes e buscam causar o menor impacto possível à população. Em relação ao uso da buzina, disse que as ferrovias em todo o mundo usam o dispositivo, pois é essencial à segurança dos trens, veículos e pessoas que circulam próximas à linha férrea. (Leia o posicionamento completo abaixo).

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O MPF informou que, em agosto, a empresa foi condenada a tomar providências, porém a sentença da Justiça Federal determinou a adoção das medidas apenas após a conclusão do processo.

Agora, o MPF busca a execução imediata das obrigações, para evitar que a poluição sonora se mantenha por anos a fio durante a tramitação dos recursos.

"Cada dia de atraso representa noites de sono interrompidas e adoecimento crônico da população lindeira de São Carlos e Ibaté", destacou o procurador da República José Rubens Plates, autor da ação.

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Décadas de problema

Trem passa pela área urbana de São Carlos

Fabiana Assis/g1

O excesso de ruído causado pelas buzinas dos trens é denunciado há mais de uma década. O MPF informou que o inquérito aberto pelo órgão registrou cerca de 4 mil reclamações de moradores.

Segundo o parecer técnico da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), os níveis de barulho durante a passagem das composições ferroviárias em São Carlos, mesmo sem o acionamento das buzinas, chegam a 67,6 dB durante o dia e 63,2 dB à noite, ultrapassando os limites adotados pela estatal de 65 dB e 60 dB.

Barreiras acústicas

Com o objetivo de reduzir os ruídos causados pela operação dos trens, a Justiça Federal atendeu os pedidos do MPF e determinou que a Rumo instale barreiras acústicas em pontos críticos dos dois municípios.

Para reduzir o acionamento das buzinas, a Justiça determinou a substituição de algumas passagens em nível por viadutos e a desativação de todas as passagens de pedestres, que deverão ser transformadas em passarelas.

"Se uma passarela ou viaduto eliminam a necessidade de acionamento da buzina em um ponto de cruzamento, essa medida deve ser adotada, ainda que mais custosa, pois protege simultaneamente a segurança de quem cruza a linha e o direito à saúde da população lindeira. O custo da externalidade negativa (ruído) não pode ser indefinidamente transferido à comunidade", explica a sentença da 1ª Vara Federal de São Carlos.

MPF recorre para acelerar ações contra poluição sonora de trens no interior de SP

Reprodução EPTV

A concessionária também deverá adequar o Regulamento Operacional para restringir o acionamento das buzinas a situações de risco concreto e imediato; limitar a intensidade e duração dos toques; e suspender o uso dos equipamentos em passagens com passarelas entre 20h e 7h.

A decisão também determina obrigações à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que deverão analisar, aprovar e fiscalizar os projetos apresentados pela Rumo.

Caso a execução imediata das obras não seja determinada pela Justiça, o recurso do MPF pede que, pelo menos, sejam logo cumpridas as obrigações de caráter administrativo, como a identificação de passagens irregulares, a elaboração de projetos de engenharia, a apresentação de cronogramas e as alterações do Regulamento Operacional.

O que disse a Rumo

Em nota, a Rumo disse que as as operações da concessionária seguem todas as normas de segurança vigentes e buscam causar o menor impacto possível à população.

Em relação ao uso da buzina, disse que as ferrovias em todo o mundo usam esse dispositivo, pois ele é essencial à segurança dos trens, dos veículos e das pessoas que circulam próximas à linha férrea.

De acordo com a concessionária, a intensidade da buzina atende às orientações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), e os maquinistas são periodicamente treinados e auditados para seguir corretamente os procedimentos de utilização desse dispositivo.

"A buzina é acionada nas passagens em nível e em situações de risco, inclusive para alertar pessoas que circulam indevidamente pela área operacional da ferrovia, cuja prática é proibida. Essa medida contribui para prevenir acidentes e atropelamentos", finalizou a nota.

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Matéria publicada por G1. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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