Lula aposta em conquistas sociais e Flávio promete mudanças, para abrir campanha do 2º turno
Os programas eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro, no início da campanha do segundo turno, foram marcados pela contraposição entre a defesa das políticas sociais do atual governo e a promessa de mudanças na condução do país.

Trecho
Enquanto Lula apostou na preservação das conquistas sociais e alertou os eleitores para o risco de perderem direitos e benefícios, Flávio apresentou propostas de governo e dedicou parte da propaganda a rebater acusações que classificou como "fake news".
Na propaganda, Lula destacou medidas adotadas durante seu governo e programas sociais, como a valorização do salário mínimo, o programa Pé-de-Meia, o Farmácia Popular, o reajuste das aposentadorias e a isenção do Imposto de Renda e a proibição de bets. A campanha também apresentou propostas como o fim da escala de trabalho 6x1, o fim do imposto sobre a cesta básica e a ampliação das escolas em tempo integral.
"O brasileiro não quer favor, quer oportunidade para crescer e só quem passou quatro anos criando oportunidades para você melhorar a sua vida é que pode fazer ainda mais. Você quer prosperidade e é para isso que eu trabalho", disse Lula.
A propaganda também explorou a ideia de união, com depoimentos de brasileiros e a participação de artistas, como Wagner Moura e Diogo Nogueira, além de imagens de manifestações de apoio ao presidente. O programa também destacou a imagem de aliados políticos jovens eleitos no primeiro turno. Em um vídeo gravado em formato de selfie, Lula pediu que os apoiadores fossem às ruas e conversassem com outras pessoas sobre a eleição.
A campanha de Lula também falou em desigualdade na cobrança de impostos no país, ao afirmar que donos de jatinhos pagavam proporcionalmente menos tributos do que motoboys. A propaganda também afirmou que os mais ricos trabalham em escalas mais leves, enquanto a população enfrenta jornadas mais pesadas.
Também comparou a tributação dos mais ricos com a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, apresentando a medida como exemplos da atuação do presidente em favor da população.
Em outra passagem, o programa comparou as entregas do governo com a postura do adversário e chamou Flávio Bolsonaro de "entregão", sob a acusação de que pretende entregar o Brasil aos americanos. A peça também cobrou explicações sobre recursos que o candidato teria recebido de um "banqueiro", afirmando que ele não apresentou comprovantes dos valores, e citou um pedido de investigação contra o candidato a vice-presidente da chapa adversária, Alfredo Gaspar (PL-AL), por suspeita de estupro de vulnerável.
A campanha de Lula apresentou a disputa como uma escolha entre dois projetos diferentes e dois lados distintos para o país. O programa também ressaltou a experiência administrativa da chapa, destacando a trajetória do vice-presidente Geraldo Alckmin como governador de São Paulo.
Já Flávio Bolsonaro abriu sua propaganda destacando os mais de 56 milhões de votos recebidos no primeiro turno e o desempenho eleitoral em 14 Estados. Com imagens de mapas da votação, o candidato afirmou que a campanha entrava em uma etapa decisiva de um processo de mudança que, segundo ele, já havia começado nas urnas. O programa procurou transmitir a mensagem de que o país não estaria mais dividido, mas unido em torno da mudança.
O programa apresentou o resultado do primeiro turno como sinal de apoio a essa proposta e sustentou que a base eleita para o Congresso permitirá aprovar medidas de seu plano de governo. "Vocês escolheram um novo Brasil e agora, no segundo turno, o Brasil não está mais dividido", disse o candidato.
Entre as propostas apresentadas, estão um "tesouraço" nos impostos, a criação de um voucher para garantir vagas em creches e a implantação de uma rede nacional de monitoramento por câmeras, citando como exemplo o que foi feito em São Paulo. Flávio também prometeu criar um Ministério da Prosperidade para apoiar quem queira estudar, obter crédito ou abrir o próprio negócio.
O candidato também dedicou parte de sua propaganda no horário eleitoral a negar que pretende acabar com programas sociais e reforçar o discurso de que representa a mudança no país. Em meio à disputa com a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre possíveis cortes em benefícios, o senador afirmou que manterá o Bolsa Família, o Farmácia Popular e o Minha Casa, Minha Vida.
"Cuidado com as fake news. Cada mentira que aparece, lembre que o Brasil tá sem presidente", diz o programa. Na sequência, a propaganda pergunta se o Farmácia Popular, o Minha Casa, Minha Vida e o Bolsa Família vão acabar caso Flávio seja eleito. Para os três, a resposta é que os programas continuarão.
"Eu vou manter e reajustar o Bolsa Família", afirmou o candidato, que também prometeu permitir que beneficiários continuem recebendo o auxílio mesmo após conseguirem emprego e reduzir as prestações do Minha Casa, Minha Vida. Sobre o sistema público de saúde, disse que o SUS terá "padrão Einstein", em referência ao hospital privado Albert Einstein.
A defesa dos benefícios ocorre após Lula e aliados afirmarem, em publicações nas redes sociais, que o "tesouraço" anunciado por Flávio para reduzir gastos públicos poderia atingir programas sociais. O atual presidente citou possíveis cortes no Farmácia Popular, no Minha Casa, Minha Vida, no Pé-de-Meia e na merenda escolar. A campanha de Flávio contesta essa interpretação, e o senador classifica as acusações como falsas.
A propaganda também explorou a participação de aliados políticos, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), e o ex-candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD), que declarou apoio a Flávio nesta semana. Também apareceram a senadora eleita pelo Distrito Federal Michelle Bolsonaro (PL) e o deputado federal reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG), reforçando o discurso de mudança defendido pelo candidato.
10/10/2026 21:37:56
Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.
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