Em sua última disputa, Lula chega ao 1º turno com margem estreita em relação a Flávio e teme avanço do voto útil
O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chega ao primeiro turno, neste domingo (4), com uma margem estreita em relação ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e com receio do aumento da abstenção e do avanço do voto útil na reta final da eleição em favor do adversário.

Trecho
Em em sua última disputa presidencial, Lula enfrenta o cenário mais acirrado desde que assumiu a Presidência pela primeira vez, em 2023.
A campanha do presidente, no entanto, ainda tem a expectativa de ter conseguido converter parte dos votos dos eleitores indecisos após as mais recentes revelações envolvendo Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Lula e seus aliados têm feito um apelo para que mulheres e eleitores com mais de 70 anos votem, e o ajudem a ampliar a vantagem em relação ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O presidente votará nesta manhã em São Bernardo do Campo (SP), seu berço político, por volta das 8h. Depois, seguirá para São Paulo, onde deverá acompanhar a apuração no Renaissance São Paulo Hotel, na capital paulista. Ao fim da contagem dos votos, há expectativa de que Lula conceda uma coletiva de imprensa.
Perto de completar 81 anos, o presidente quis resgatar sua biografia e compará-la com a de Flávio. Mesmo sem apresentar propostas concretas para um eventual quarto mandato, Lula apostou no uso da máquina com "pacotes de bondades" para atrair eleitores, no tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e em desgastar o candidato do PL.
Pesquisas divulgadas ontem, no entanto, mostram um cenário adverso para o petista: o governo Lula tem desaprovação maior do que aprovação e avaliação negativa maior do que a positiva, segundo levantamentos da Quaest e do Datafolha, mesmo depois de anúncios recentes como o reajuste de 15% do Bolsa Família, novas versões do programa Desenrola, de renegociação da dívida das famílias, do avanço do projeto que acaba com a escala 6x1 no Congresso e do anúncio do fim das bets.
Segundo pesquisa do Datafolha, Lula tem 42% das intenções de voto no primeiro turno e Flávio, 40%, em um cenário de empate técnico, na contagem das intenções de votos totais. No segundo turno, a margem do presidente é ainda menor, de 47% a 46%. A pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
A pesquisa Quaest mostra um cenário semelhante – e preocupante – para a campanha petista: Lula tem 40% e Flávio, 38% das intenções de votos totais no primeiro turno. No segundo turno, Flávio aparece à frente numericamente, com 44% a 42%. O cenário é de empate técnico nos dois turnos, dentro da margem de erro da pesquisa, de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.
A campanha de Lula busca mobilizar seus apoiadores para tentar uma vitória no primeiro turno. A avaliação é que se a disputa for para o segundo turno, a reeleição do presidente ficará ainda mais difícil, com uma margem estreita do petista para ampliar seus votos. A tendência dos candidatos “nanicos”, como Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão) é apoiar Flávio ou ficar neutro, e não apoiar o presidente.
Diante de um cenário ainda mais acirrado para o segundo turno, a campanha petista já começou a traçar a estratégia para um eventual segundo turno. A ideia é apresentar propostas que possam resgatar a esperança da população e endurecer os ataques a Flávio – uma reivindicação de lideranças petistas.
O PT vem investindo nessa estratégia nos últimos dias, e a avaliação interna é de que a ofensiva tem apresentado resultados positivos. Em peças de televisão e vídeos publicados nas redes sociais, por exemplo, a legenda repercutiu a investigação da Polícia Federal (PF) contra o senador por suspeitas de lavagem de dinheiro e corrupção no caso do filme “Dark Horse”. Também explorou a relação de Flávio com Vorcaro, a quem chamou de “irmão” em mensagens, e destacou sua ligação com policiais condenados por integrar milícias no Rio de Janeiro.
Na véspera do primeiro turno, Lula pediu, no sábado (3), durante seu último ato de campanha, que ocorreu em São Paulo, que “ninguém descanse” até as eleições. Preocupado com o cenário eleitoral, Lula associou Flávio à barbárie e à corrupção. “É o povo brasileiro que vai derrotar os fascistas. Vamos às urnas amanhã. De um lado, democracia e soberania; de outro, barbárie e corrupção”, afirmou Lula, durante caminhada realizada na manhã de sábado, que reuniu o candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, e as candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB).
Durante a caminhada, o chefe do Executivo também citou algumas das principais bandeiras de sua campanha, como o fim da escala 6x1. Lula voltou a defender a proposta e afirmou que o projeto deve ser votado na semana seguinte pelo Senado. O presidente também criticou as bets e disse que seu governo trabalha no combate ao crime organizado.
Ao longo do trajeto, contudo, o petista evitou detalhar propostas concretas para um possível novo mandato. Como ocorreu durante boa parte da campanha, o petista concentrou o discurso no passado e nos resultados de seu terceiro governo. Lula voltou a afirmar que sua gestão “reconstruiu” o país e que o próximo passo será promover uma “revolução” tecnológica e educacional.
Último ato do Lula em São Paulo antes do primeiro turno eleitoral
Cristiane Agostine/ Valor
Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.
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