LZ diversifica após avançar com condomínios
Anny Meisler, da LZ: cinco lojas, móveis infantis e curadoria de arte

Trecho
Rogerio Vieira/Valor
Anny Meisler decidiu criar a LZ, empresa especializada em mobiliário para condomínios, depois de identificar uma dificuldade comum entre incorporadoras e construtoras: contratar e coordenar fornecedores diferentes para equipar áreas como recepção, piscina e espaços de lazer de edifícios. Da fundação, em 2009, até hoje, o negócio cresceu e ampliou sua atuação, com venda para o varejo, móveis sob medida e infantis, além de curadoria de arte.
A empresa começou no Rio comercializando peças sob demanda e cresceu com equipes especializadas em cada frente. “Delegar foi fundamental. Quando passei a delegar mais, meu negócio cresceu. Cada área tem pessoas que conhecem profundamente aquele negócio, com visões e especialidades diferentes”, diz a CEO e fundadora no novo episódio do podcast “Como eu Cresci”.
O programa é uma parceria da CBN com o Valor e com Pequenas Empresas & Grandes Negócios. As conversas são conduzidas por Leandro Gouveia, repórter e apresentador da CBN, e Mariana Iwakura, editora-chefe de PEGN. O “Como Eu Cresci” faz parte da iniciativa “Média É Mais”, que publica conteúdo sobre empresas de médio porte. O episódio está disponível no site da CBN e em todos os tocadores de podcast.
O empreendedorismo sempre fez parte da vida de Meisler - seu pai tinha uma empresa de piscinas de fibra de vidro. Já a mãe ocupava cargos de alta liderança. “Eu aprendia novas competências independentemente da minha idade. Percorria a indústria, conhecia diferentes áreas e descobria tudo de uma maneira muito lúdica”, lembra.
Ainda na adolescência, começou a trabalhar no negócio da família, que atendia principalmente incorporadoras, construtoras e hotéis. Passou por todas as áreas da empresa e, no dia a dia das vendas, identificou a oportunidade de fornecer brinquedos personalizados para playgrounds de condomínios.
Delegar foi fundamental. Quando passei a delegar mais, meu negócio cresceu”
“Eu comecei a vender para o Brasil inteiro os parquinhos mais legais, com formatos de barco, de Tarzan, de casinha de boneca”, conta. “Deixei de ser a filha do dono e passei a ser a menina dos brinquedos.”
A novidade fez a empresa aumentar o faturamento e a carteira de clientes. Foi quando um mestre de obras mostrou a Meisler um problema do mercado. O processo de mobiliar conjuntos de edifícios exigia a contratação de até 50 empresas, com garantias e demandas de gestão distintas. “Percebi que havia algo ali, um propósito: solucionar a vida desses clientes por meio do mobiliário, com experiência e impacto”, diz.
Sem conhecer nada sobre o assunto, ela saiu da empresa do pai e começou a estudar. Por saber que enfrentaria um grande problema logístico, foi trabalhar na área. Depois, colocou o plano de abrir seu negócio em prática.
Meisler alugou um centro de distribuição, fez parceria com fornecedores de confiança e criou um modelo de negócio sob demanda. O primeiro cliente a contratou para coordenar a entrega dos móveis destinados às áreas comuns de um empreendimento de dez torres. Os itens foram reunidos em um único caminhão e etiquetados conforme o destino no condomínio, como recepção, piscina e salão de festas. A solução funcionou, e o boca a boca ajudou na expansão.
“Uma construtora foi indicando para outra, indicando para aeroportos e para outras empresas”, lembra a empreendedora.
Em um ano, o espaço inicial da LZ, uma vaga de garagem, deu lugar a um galpão inteiro. Meisler então criou um centro de distribuição próprio e investiu em novas frentes. “Hoje, tenho tapeçaria e marcenaria próprias, mas isso não existe desde o primeiro dia. Fui entendendo o meu negócio e identificando quais eram as demandas necessárias.”
A LZ entrou no B2C (venda ao consumidor final) depois de receber pedidos recorrentes de arquitetos interessados em comprar seus móveis. Hoje, a operação tem cinco lojas físicas, parcerias com designers e estrutura de estoque. Após se tornar mãe, a empreendedora criou uma linha de mobiliário infantil, presente atualmente em 60 lojas multimarcas.
Já a LZ Arte surgiu do interesse de Meisler pelo mercado artístico e busca aproximar artistas e clientes por meio de uma curadoria especializada e de eventos que tornam o contato com a arte mais acessível. Mais recentemente, lançou a LZ Sob Medida, voltada a peças para estúdios e apartamentos pequenos.
Para gerir as diferentes frentes, ela aposta em profissionais com conhecimento específico e acompanha de perto as demandas dos clientes. “Não importa se parece uma solicitação que não tem nada a ver com a sua empresa. Anote e depois veja quantas vezes aquilo se repete. Pode estar ali uma pista para o seu negócio.”
Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.
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