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Para reduzir rejeição feminina, Michelle terá mais participação na campanha de Flávio

Michelle: desentendimento público com Flávio em junho teria feito a ex-primeira-dama optar por um papel mais discreto na campanha do enteado à Presidência

Valor Econômico5 min de leitura
Para reduzir rejeição feminina, Michelle terá mais participação na campanha de Flávio

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Brenno Carvalho/Agência O Globo - 11/8/2016

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) deve ter um papel mais ativo na campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do que teve no primeiro turno. O principal objetivo da participação dela é diminuir a rejeição do eleitorado feminino à campanha do enteado.

Nas menos de duas semanas de campanha que faltam, Michelle deve realizar viagens pontuais a capitais e outros locais com voos que permitam que ela passe pouco tempo fora de Brasília. Desde que o seu marido, Jair Bolsonaro, iniciou em casa o cumprimento da pena por tentativa de golpe e outros crimes, ela está dedicada aos cuidados do ex-presidente, segundo aliadas.

Publicamente, aliados dizem que a ausência na campanha de Flávio durante o primeiro turno deu-se pelo fato de Michelle ter se concentrado em sua própria campanha ao Senado e em eleger a aliada, a deputada federal Bia Kicis (PL-DF), para a segunda cadeira. As duas foram eleitas à Casa pelo Distrito Federal.

Nos bastidores, contudo, o desentendimento público de Michelle com Flávio em junho a teria feito optar por um papel mais discreto na campanha dele à Presidência. Os dois chegaram a ensaiar uma reaproximação com a gravação de peças publicitárias para a disputa presidencial, mas, ao longo da campanha, a atuação dela se restringiu a publicações nas redes sociais.

Interlocutores da ex-primeira-dama também destacam que a decisão que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes proferiu, permitindo que familiares dela cuidem de Bolsonaro, é insuficiente para que Michelle possa viajar por mais de um dia. Isso porque esses familiares têm autorização para cuidar do ex-presidente apenas por poucas horas.

Agora, nesta reta final, os primeiros locais com atos de Michelle devem ser os Estados do Amazonas e do Tocantins, nos quais ela pode ajudar na campanha ao governo estadual de Maria do Carmo (PL) e da senadora Dorinha Seabra (União-TO), respectivamente.

De acordo com as apurações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Dorinha ficou à frente no primeiro turno com 45,52% dos votos válidos, uma margem apertada em relação aos 43,94% do oponente dela, Vicentinho Júnior (PSDB). Já no Amazonas Maria do Carmo ficou atrás de Omar Aziz (PSD-AM) com 24,49% dos votos, enquanto o senador teve 40,63%.

O esforço de Michelle se assemelha àquele realizado por ela enquanto era presidente do PL Mulher, braço feminino do partido que tinha o objetivo de eleger candidatas nos Estados. A ex-primeira-dama deixou o posto em julho, durante o período em que foi a público o atrito dela com o enteado.

Senadora eleita deve participar de atos nos Estados do Amazonas e do Tocantins

Entre os outros Estados que devem ser visitados pela esposa de Jair Bolsonaro estão São Paulo e Rio de Janeiro, que, por disporem de uma grande quantidade de voos direto de Brasília, permitem que ela faça ponte aérea. Também é esperado que ela visite uma capital do Nordeste, ainda a ser definida.

Aliados, contudo, ressaltam que as viagens dela a esses locais ainda não têm data e que dependem de uma logística que permita que ela vá e volte em pouco tempo para estar ao lado do ex-presidente. Ou seja, se acontecerem, essas agendas devem se concentrar na reta final deste segundo turno.

Quem organiza essas agendas ao lado de Michelle é a senadora e ex-ministra da Mulher na gestão de Bolsonaro, Damares Alves (Republicanos-DF). Na última semana, elas tiveram uma reunião com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e outras candidatas eleitas do PL para definir as estratégias de mobilização nos Estados em prol da candidatura de Flávio.

“A Michelle vai a algumas cidades. Já está confirmado que ela vai ao Amazonas, porque a candidata a governadora de lá é do PL, Maria do Carmo. Ela vai ao Tocantins, porque a candidata é uma amiga querida que é apoiada pelo PL. Ela vai em eventos em São Paulo, e acho que no Rio também. Está na expectativa de uma capital do Nordeste”, afirmou Damares ao Valor.

Além das visitas, a ex-primeira-dama deve participar de encontros virtuais com eleitores de Estados a que ela não for presencialmente. O foco é se conectar com grupos que já se identificam com Michelle, como mulheres e pessoas evangélicas.

“Nós vamos tentar trabalhar ao máximo de forma on-line: muitas lives, muitas reuniões on-line. Aquilo que a gente fez na eleição passada de percorrer todo o Brasil não vai conseguir fazer agora não. A Michelle não tem como viajar tanto. A gente também tem uma obrigação local que é eleger Celina [Leão]”, explicou Damares, referindo-se à governadora do Distrito Federal, do PP, que disputa o segundo turno contra Leandro Grass (PT).

No primeiro turno, Celina teve 49,93% dos votos válidos, enquanto Grass teve 34,47%. A atual governadora não foi reeleita por apenas 186 votos. Na primeira pesquisa Quaest do segundo turno, encomendada pela TV Globo e pelo jornal O Globo e divulgada na segunda-feira (12), Celina aparece com 53% das intenções de voto; Grass, 33%. Votos em branco e nulos somaram 8% e indecisos, 6%. A Quaest ouviu 1.104 pessoas entre os dias 8 e 11 de outubro. A margem de erro é de 3 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%. O número de registro da pesquisa é DF-08737/2026.

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Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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