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Onda de direita impõe derrota a caciques; Renan e Alcolumbre são principais vítimas

Alcolumbre: derrota, apesar de coligação de 12 partidos

Valor Econômico7 min de leitura
Onda de direita impõe derrota a caciques; Renan e Alcolumbre são principais vítimas

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Presidência do Senado/Senado

A onda de direita que marcou as eleições deste ano impôs derrotas amargas aos principais caciques da política nacional, com destaque para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o senador Renan Calheiros (MDB-AL) - que vai ficar sem mandato pela primeira vez desde 1995. Houve também quem conseguiu renovar o mandato, mas falhou no principal objetivo do pleito, que era eleger aliados, casos do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do ex-governador do Pará Helder Barbalho (MDB).

Engrossam a fila de caciques derrotados o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves, e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). O primeiro decidiu concorrer ao Senado de última hora e amargou a sétima posição na corrida por Minas Gerais. Já o senador piauiense - atingido em cheio pelo escândalo do Banco Master - também não conseguiu renovar o seu mandato.

O principal vitorioso é o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), que além de ver o arquirrival Renan Calheiros derrotado, foi o mais votado para o Senado em Alagoas. Ele terá a companhia do senador Eduardo Braga (MDB-AM), que conquistou o terceiro mandato consecutivo no Senado pelo Amazonas. O presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, chega à Câmara dos Deputados pelo Rio em sua primeira eleição.

Hugo Motta: presidente da Câmara não conseguiu eleger o pai

Reprodução/TV Senado

A derrota mais ampla foi a de Alcolumbre. O senador colocou seu peso político a serviço da reeleição do governador Clécio Luís (União), mas viu o ex-prefeito de Macapá Dr. Furlan (PSD) vencer com 62% dos votos. O revés ocorreu apesar de Alcolumbre ter montado uma coligação de 12 partidos, reunido 15 dos 16 prefeitos do Amapá.

A derrota se estendeu à disputa pelas duas cadeiras ao Senado. Rayssa Furlan (Podemos), mulher de Dr. Furlan e principal adversária de Alcolumbre na eleição de 2022, ficou com uma das vagas. A outra ficou com o senador Lucas Barreto (PSD-AP), deixando a indicada de Alcolumbre, Alliny Serrão (União-AP), na quinta colocação.

O resultado é especialmente relevante porque aliados do presidente do Senado já tratavam a eleição estadual como decisiva para sua própria sobrevivência política: Alcolumbre terá de disputar a reeleição ao Senado em 2030 diante de um grupo Furlan agora fortalecido pelo comando do governo e duas cadeiras no Senado.

Renan: derrota encerra ciclo de mais de 30 anos no Senado

Reprodução/Instagram

A reaproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva havia sido colocada a serviço da eleição local. Na reta final, o presidente do Senado ainda pautou a PEC do fim da escala 6x1, uma das principais vitrines eleitorais do petista. A movimentação foi tratada como um trunfo para Lula e também para o grupo de Alcolumbre no Amapá. Diante do revés nas urnas, contudo, não se sabe se ele terá força para patrocinar a votação.

Após a derrota, Alcolumbre divulgou nota em que reconheceu o resultado e disse que continuará atuando pelo Estado. “Recebo com respeito o resultado das urnas e a decisão soberana da maioria do povo do Amapá”, afirmou. “Minha posição em defesa do Amapá permanece. Seguiremos trabalhando para que o nosso estado tenha um futuro de desenvolvimento, segurança e oportunidades.”

Hugo Motta garantiu a própria reeleição como deputado federal pela Paraíba, mas fracassou na operação à qual dedicou boa parte da campanha: levar o pai, Nabor Wanderley (Republicanos), ao Senado. Nabor terminou em terceiro, atrás de João Azevêdo (PSB) e Veneziano Vital do Rêgo (MDB).

A candidatura do pai ajudou a definir o posicionamento nacional de Motta. Depois de atuar como fiador da neutralidade do Republicanos na eleição presidencial, ele declarou apoio a Lula e alinhou a legenda na Paraíba ao petista. Nabor integrou a chapa de João Azevêdo, mas o arranjo não foi suficiente para garantir sua eleição.

Ciro Nogueira sofreu uma derrota pessoal no Piauí. Ex-ministro-chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro e presidente do PP, terminou em terceiro para o Senado, atrás de Marcelo Castro (MDB) e Júlio César, o “Julim do Lula” (PSD). Seu candidato ao governo, Joel Rodrigues (PP), também foi derrotado com larga margem pelo atual governador, Rafael Fonteles (PT).

Ciro chegou à reta final pressionado pelo caso Master. Em junho, foi alvo da Operação Compliance Zero. Reportagens revelaram um grupo de WhatsApp criado pelo senador e integrado por Daniel Vorcaro, Hugo Motta e Fábio Faria. Às vésperas da eleição, o UOL mostrou que Ciro usou R$ 136,5 mil de verba do Senado para complementar o aluguel de uma casa de empresa do advogado Willer Tomaz, também citado nas investigações. Eles negam irregularidades.

Principal vitorioso é Arthur Lira, que viu o arquirrival derrotado e foi o mais votado para o Senado em Alagoas

Helder Barbalho se elegeu senador pelo Pará, mas sai das urnas com seu grupo enfraquecido. Sua vice, Hana Ghassan (MDB), assumiu o governo em abril, quando ele renunciou para concorrer ao Senado, e foi escolhida para preservar o comando estadual nas mãos do grupo Barbalho. Acabou derrotada no primeiro turno por Dr. Daniel Santos (Podemos), que recebeu 51,5% dos votos.

Ex-prefeito de Ananindeua, Dr. Daniel fez campanha contra o que chamava de “oligarquia” dos Barbalho. Hana, ex-secretária de Planejamento, apostou nas entregas da administração estadual e na extensa rede de alianças construída por Helder. As pesquisas mostraram disputa apertada durante boa parte da campanha, mas as urnas deram vitória antecipada a Daniel.

Em Alagoas, a eleição encerrou um dos ciclos mais longos do Senado. Renan Calheiros ocupa uma cadeira na Casa desde fevereiro de 1995 e completará, ao fim do mandato atual, 32 anos consecutivos como senador. Buscava o quinto mandato seguido, o que o tornaria o primeiro político a alcançar a marca no período democrático, mas terminou em terceiro, atrás de Arthur Lira e Marina JHC (PSDB).

Ele também teve que assistir a derrota do primogênito, Renan Filho (MDB), que foi superado pelo ex-prefeito de Maceió João Henrique Caldas (PSDB), o JHC.

A disputa alagoana condensou a rivalidade entre Lira e Renan. O ex-presidente da Câmara usou a relação cultivada com prefeitos e a força construída com emendas parlamentares para ampliar sua base. Renan, três vezes presidente do Senado, contava com a máquina política do MDB e com o filho. As pesquisas chegaram à véspera mostrando Lira, Renan e Marina embolados, mas a urna rompeu o equilíbrio em favor de Lira.

Aécio Neves protagonizou outra derrota expressiva. O presidente do PSDB havia decidido não disputar as eleições, encerrando uma sequência de 40 anos participando de pleitos. No fim de agosto, voltou atrás e anunciou candidatura ao Senado, dizendo ter sido chamado por aliados e movido por um “senso de responsabilidade”.

A aposta terminou muito abaixo das pesquisas. Aécio chegou a aparecer tecnicamente empatado na liderança em levantamentos de setembro e, na última Quaest, tinha 17%. Nas urnas, ficou em sétimo, com pouco mais de 3%. Ex-governador, ex-senador e candidato à Presidência em 2014, sofreu uma derrota com impacto também sobre o PSDB, partido que preside nacionalmente.

Entre os vencedores, Arthur Lira confirmou a força acumulada durante seus anos no comando da Câmara. A eleição ao Senado abre uma nova etapa para o deputado, que deixou a presidência da Casa em 2025, mas manteve influência sobre uma ampla bancada e sobre a distribuição de emendas. A vitória ganhou peso adicional por ocorrer sobre Renan, adversário histórico em Alagoas e em disputas por espaços em Brasília.

Eduardo Braga preservou sua longevidade eleitoral no Amazonas. Ex-governador por dois mandatos, ex-ministro e senador desde 2011, o emedebista conquistou o terceiro mandato consecutivo na Casa. Se concluí-lo, chegará a 24 anos seguidos no Senado.

Presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda, até aqui dirigente de atuação nos bastidores, o advogado disputou uma cadeira de deputado federal pelo Rio de Janeiro. Sua candidatura sofreu pedido de impugnação, mas o TRE a autorizou por entender que não havia indícios de envolvimento pessoal com o crime organizado. Com cerca de 155 mil votos, garantiu uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Completa a lista a ex-governadora do Maranhão Roseana Sarney (MDB), que tentou sem sucesso uma vaga para o Senado. A filha do ex-presidente José Sarney acabou em terceiro lugar na disputa, com 16,4% dos votos, superada pelo ex-ministro do Esporte André Fufuca (PP-MA) e por Lahesio Bonfim (Novo).

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Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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