PGR é contra afastamento de Andrei Rodrigues da chefia da PF
A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se nesta terça-feira (13) contra o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada. O parecer foi enviado ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin.

Trecho
No começo de setembro, citando relatórios de inteligência, o ministro André Mendonça, do STF, determinou o afastamento de Andrei, sob o argumento de que teria sido monitorado pela PF por cerca de 30 dias. Pouco depois, Flávio Dino determinou a reintegração.
Provocado pela União, Fachin derrubou as duas decisões dos colegas, o que, na prática, manteve Andrei no posto de chefe da PF. Ele também abriu prazo para manifestação da PGR. Ao responder nesta terça, o órgão afirmou que o afastamento de autoridades policiais exige apresentação de indícios de participação direta em irregularidades.
“A qualificação negativa do comportamento das autoridades policiais, para acarretar a drástica medida de afastamento, precisaria estar acompanhada de evidências da participação imprópria em atos ilícitos, o que, com a vênia devida, não se logrou estampar na decisão impugnada”, disse a PGR.
“A possibilidade de intervenção na chefia e na organização da Polícia Federal não se integra no conjunto de poderes ordinários inerentes à supervisão judicial da investigação, que têm a ver com assegurar a legalidade do procedimento, a proteger direitos fundamentais e a deliberar sobre pleitos de medidas submetidas à reserva de jurisdição”, prosseguiu.
O parecer é assinado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, pelo vice-procurador-geral da República, Hindemburgo Chateaubriand, e pelos subprocuradores Antônio Edílio Magalhães e André Carvalho Ramos.
Entenda
Mendonça afastou Andrei em um pedido apresentado pelo Novo. A decisão tomou por base relatórios utilizados por Alexandre de Moraes para questionar a atuação de Mendonça nos casos Master e INSS.
Moraes apontou suposto abuso de autoridade por parte do colega nas duas investigações. Mendonça disse que os relatórios que citam a sua atuação indicam que ele foi monitorado pela PF.
Dino derrubou a decisão do colega afirmando que o afastamento de Andrei e Almada atrapalham o andamento de investigações. Também afirmou que Mendonça não poderia ter afastado o chefe da PF em um pedido feito por partido político.
Fachin acabou suspendendo as duas ordens, de Mendonça e Dino. Ele abriu prazo de manifestação para as partes e para a procuradoria-geral da República. Todo o episódio ampliou a crise que o Supremo vive por causa do caso Master.
Diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues
Adriano Machado/Reuters
Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.
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