Ataques a Lula, STF e ausentes marcam debate ao Senado no Rio
Debate de candidatos ao Senado no Rio reuniu Carlos Jordy, Carlos Portinho, Marcello Crivella, Marcos Dias e Monica Benicio

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Ana Branco/Agência O Globo
O debate entre os candidatos do Rio ao Senado, promovido na quarta-feira (30) pelos jornais Valor, O Globo e Extra e pela rádio CBN, foi marcado pela dobradinha entre os candidatos de direita presentes, os quais fizeram ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, e aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente Alexandre de Moraes. Também foram alvo de críticas os candidatos ao Senado Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD), que não compareceram ao debate.
Participaram Carlos Jordy e Carlos Portinho, ambos do PL, Marcello Crivella (Republicanos), Marcos Dias (Podemos) e Monica Benicio (Psol), única representante da esquerda. Benedita e Pedro Paulo foram convidados, mas não aceitaram participar. Outro candidato ao Senado, Waguinho (Republicanos), inicialmente iria participar, mas terminou declinando.
Segundo a pesquisa Quaest divulgada na terça-feira (29), Portinho, Benedita e Jordy aparecem com 15% das intenções de votos cada na pesquisa estimulada que combina os votos totais. A eleição elege dois senadores este ano. Crivella e Pedro Paulo vêm em seguida com 7% cada, enquanto Benicio tem 6%. Waguinho registra 2%.
Logo no começo do debate, os candidatos do PL citaram fala recente de Lula sobre exames de próstata no SUS em que o petista critica a resistência masculina enquanto mulheres “aprendem a tomar toque desde pequenas”. Carlos Jordy direcionou sua pergunta ao colega de partido, afirmando que Lula estaria “normalizando o abuso infantil”. Também fez um ataque pessoal ao petista: “[Portinho] Você acredita que o presidente Lula está com a sua saúde mental debilitada ou isso é um desvio de caráter que demonstra realmente quem ele é?”
A dobradinha prosseguiu com Crivella e Portinho, quando os dois defenderam valores cristãos à família como a base da sociedade. O candidato do Republicanos continuou a criticar Lula ao afirmar que o presidente foi “profundamente infeliz” ao apoiar uma escola de samba cujo enredo dizia que família formada por pai, mãe e filhos é uma coisa conservadora e ruim para a sociedade.
Crivella referia-se à Acadêmicos de Niterói, que homenageou Lula no desfile do Grupo Especial este ano. O candidato, que foi missionário da Igreja Universal do Reino de Deus na África, disse ainda que os problemas daquele continente ocorrem por causa da ausência da família e porque os homens “casam com muitas mulheres”.
“Devemos incentivar a família, proteger a família, garantir a família, aplaudir a família”, disse. Em outro momento, Crivella e Marcos Dias (Podemos) afirmaram ser favoráveis à castração química de estupradores. Dias afirmou que o tema é uma “agenda prioritária na vida dele” e defendeu endurecimento de penas a criminosos. Porém, Dias afirmou que a educação é necessária como antídoto contra crimes.
O presidente Lula está com a sua saúde mental debilitada?”
Monica Benicio seguiu no tema sobre o combate à violência contra a mulher ao questionar Jordy sobre suas políticas para o tema para além de medidas “punitivistas” contra agressores. O candidato do PL, porém, enfatizou apenas medidas que aumentem as penas para quem cometer esse tipo de crime. “É necessário que nós façamos o endurecimento penal”.
Jordy aproveitou ainda para fazer um ataque a Pedro Paulo, que faltou ao debate, citando que ele já foi acusado de ter agredido sua ex-mulher. “Nós precisamos impedir que pessoas que têm esse histórico de agressão a mulheres possam ingressar nesse cargo de tamanha envergadura que é o Senado Federal, inclusive um desses candidatos a quem me refiro, Pedro Paulo, não está presente aqui”, disse Jordy. Pedro Paulo tem afirmado que o caso em que foi investigado foi encerrado há mais de dez anos e foi inocentado.
Benicio citou estatística segundo a qual sete a cada dez mulheres que foram vítimas de feminicídio sofreram violências domésticas. Afirmou que muitas vítimas acabam não tendo coragem de fazer a denúncia. Por isso, segundo a candidata, o Estado deveria investir em educação para mudar essa realidade.
“É preciso que haja condições de prevenção, não só nesse momento da delegacia, mas para que possamos ter um processo educacional com os nossos meninos para que isso não aconteça”, disse a candidato do Psol. Benicio disse ser contra a redução da maioridade penal, hoje de 18 anos, ao afirmar que não adianta diminuir a idade mínima para resolver uma violência que o Estado não consegue conter.
Sobre o STF, os candidatos Carlos Jordy e Carlos Portinho defenderam a reforma do Supremo Tribunal Federal (STF) e o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Segundo Jordy, a reforma é necessária para acabar com a prática de decisões monocráticas. Disse ainda que o STF causa “desarmonia e gera conflitos” entre poderes, além de desfazer leis aprovadas pelo Congresso.
Ambos defenderam que Moraes seja removido do cargo. Jordy disse que se isso não for feito por iniciativa do próprio STF, caberá ao Senado abrir um processo de impeachment “para colocar freios e contrapesos”. Em dezembro, o jornal O Globo informou que a Polícia Federal (PF) apreendeu o contrato do Master com Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, na operação Compliance Zero. Segundo o jornal, o documento previa o pagamento de cerca de R$ 130 milhões por três anos ao escritório de Barci e filhos.
Os candidatos defenderam mandato fixo para os ministros. Portinho disse ter proposta de emenda constitucional que prevê indicações por lista tríplice, extraídas do corpo de juízes, de modo que o Supremo, se torne “o ápice da bela carreira da magistratura”. Sobre a situação financeira do Rio, Carlos Jordy defendeu novo regime de renegociação da dívida com a União. Afirmou que o presidente Lula vetou o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e depois “pegou carona” em foto com o governador interino do Rio, Ricardo Couto, com a adesão do Estado à iniciativa.
Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.
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