Campanhas de Lula e Flávio chegam a acordo para reduzir judicialização e cobram tratamento igualitário de 'big techs'
As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) fecharam um acordo nesta quarta-feira (14) para diminuir a judicialização na reta final da eleição. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, foi comunicado sobre o consenso.

Trecho
Representantes das duas campanhas se reuniram na tarde desta quarta para tratar de alguns temas, entre eles sobre canais no WhatsApp de apoiadores de Lula e Flávio, caso do “Exército de Lula”, que foi criado pelo deputado federal André Janones (Rede-MG). A campanha de Lula é representada pelo advogado Angelo Ferraro. Já a de Flávio, pela advogada Maria Claudia Bucchianeri. O acordo prevê que uma campanha informe a outra sobre eventuais irregularidades, para que elas sejam corrigidas dentro do prazo de até três horas. Só haverá judicialização se não forem adotadas medidas para sanar eventuais ilegalidades. O objetivo é diminuir o número de processos que chegam ao TSE. A hiperjudicialização foi tema de uma fala de Nunes Marques na sessão de terça (13). Ele afirmou que há uma “judicialização excessiva” em 2026. Após as conversas, as duas campanhas também fizeram exigências a respeito da atuação de "big techs". Os advogados de Lula e Flávio pediram tratamento igualitário por parte das empresas de tecnologia, em especial quanto a ferramentas de inteligência artificial (IA). As demandas serão levadas por Nunes Marques às plataformas em uma reunião que deve ocorrer na quinta-feira (15). A coligação Brasil Pronto pra Mais, do presidente Lula, por exemplo, alegou, em pedido enviado ao TSE, que a ferramenta de IA da Meta estaria favorecendo a candidatura de Flávio na geração de imagens eleitorais. Segundo a campanha, o sistema permite a criação de materiais associados ao candidato do PL, mas impõe restrições a pedidos semelhantes envolvendo Lula. Apesar dos acordos que avançaram nesta quarta, não foram resolvidos impasses quanto aos canais de apoio no WhatsApp. As campanhas querem que o TSE fixe balizas mais claras sobre em quais casos as campanhas precisam registrar na corte canais que são de terceiros. Os advogados tentarão consultar a coordenação das duas candidaturas ainda nesta quarta para construir uma solução até quinta-feira. Se não houver um consenso, a expectativa é que o TSE decida o tema. Candidatos a presidente Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) Fotos: Reuters/Pilar Olivares e Diego Herculano
Matéria publicada por Valor Globo. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.
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