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Terceira via fracassa em conter a polarização

Cury: mais tração que nomes conhecidos em sua primeira disputa eleitoral

Valor Econômico5 min de leitura
Terceira via fracassa em conter a polarização

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Messias Uai/Estadão Conteúdo

O resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (4), confirmou o cenário apontado pelas pesquisas: os candidatos da chamada terceira via não conseguiram romper a polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), que vão se enfrentar no segundo turno, em 25 de outubro.

Os candidatos Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), dois ex-governadores, amargaram o resultado das urnas. Nomes com experiência política e que governaram, respectivamente, Goiás e Minas Gerais por dois mandatos, ficaram atrás dos estreantes Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão).

Cury, Santos, Caiado e Zema, formaram, nestas eleições, um pelotão de nanicos que não conseguiram, juntos, somar nem 10% de votos: ficaram apenas com 7,58%.

Renan Santos: baixa receptividade para sua aposta no discurso antissistema

Adriano Vizoni/Folhapress

Estreante na política, Augusto Cury terminou com 2,89% dos votos. Após o resultado, ele informou que deixará a política, como previam seus aliados. “Hoje eu tenho claro dentro de mim, 100% de convicção, que eu não vou continuar na política. Amanhã ninguém sabe, mas eu costumo não mudar de opinião quando eu tenho uma convicção muito grande, até porque nós temos vários projetos”, disse.

“Eu me coloquei agora, dessa vez, se o povo brasileiro entendeu que deve continuar essa polarização, eu só posso respeitar a vontade soberana do povo brasileiro, sem qualquer mágoa”, afirmou.

No início de setembro, o escritor Augusto Cury chegou a se isolar na terceira posição nas pesquisas de intenção de voto para a Presidência da República. O candidato do Avante, contudo, não conseguiu sustentar o ganho de exposição.

Caiado: candidatura não deslanchou mesmo com estrutura partidária

Divulgação

Também estreante na política, Santos apostou no discurso antissistema e contra a polarização. A estratégia, contudo, não foi suficiente para fazer sua candidatura decolar.

Um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL) e presidente do Missão, partido registrado em 2025 por apoiadores do movimento, Santos terminou a campanha com 2,24% dos votos válidos. Ele entrou na disputa com dois desafios: ampliar seu grau de conhecimento entre os eleitores e formar uma bancada representativa no Congresso.

Sobre a segunda meta, no entanto, admitiu que o desfecho não foi dos melhores. “O resultado é ruim, não vamos passar da cláusula de barreira, vamos ter apenas um deputado estadual e um deputado federal no mesmo Estado. Então, assim, o resultado não é bom. Não é bom para o projeto, não é bom para o que a gente desenhava”, disse em transmissão ao vivo após o fechamento das urnas.

Romeu Zema: satisfeito com o resultado da direita pelo país

Reprodução

Sobre a disputa presidencial, Santos classificou como “acachapante” a concentração de votos, segundo ele, em candidatos do PL. “O Brasil está virando um Republicanos versus Democratas. O PL está devastando o Centrão, o PL vai fazer uma bancada de mais de 120 deputados federais. É colossal o tamanho, vão concentrar ainda mais poder na mão deles”, afirmou.

Embora não declare apoio a nenhum dos candidatos que disputarão o segundo turno, Santos afirmou que o filho de Jair Bolsonaro já é “o próximo presidente da República”.

“Flávio Bolsonaro já é o próximo presidente da República. Já avisei que não voto em bandido, não recomendo que ninguém vote em bandido. Flávio é bandido, Lula é bandido”, disse. Santos classificou o resultado como “pior eleição” e “devastadora”.

Desde o início da propaganda eleitoral, em 16 de agosto, ele se apresentou como alternativa à polarização entre os dois principais postulantes. O discurso combativo contra os adversários marcou a campanha, mas passou longe da conquista de votos em grande escala.

Já Ronaldo Caiado, apesar da estrutura partidária e de um currículo respeitável na política, não conseguiu sequer ficar à frente dos estreantes na política. Ele terminou com 2,18% dos votos. Em seu discurso após a derrota, Caiado não quis antecipar quem vai apoiar no segundo turno da eleição presidencial. Segundo ele, é necessário antes conversar com o presidente do seu partido, Gilberto Kassab, antes de tomar uma decisão.

O ex-governador de Goiás comemorou a eleição de seu grupo político no Estado. Sua influência e popularidade foram trunfos para o governador Daniel Vilela (MDB), reeleito no primeiro turno, e para sua mulher, Gracinha Caiado (União), que conquistou uma das duas vagas ao Senado.

“Eu tenho orgulho de ser goiano e ser hoje uma referência nacional que terá nas mãos de Daniel Vilela uma continuidade e ritmo muito mais acelerado nas ações”, disse Caiado.

Sobre seu resultado nas urnas, Caiado disse ter apresentado um plano de governo reconhecido “por todos” e ponderou que a eleição foi atípica.

“Foi uma campanha totalmente atípica, onde não teve debate. Nunca senti nada igual no cenário nacional. Tantas ingerências indevidas, tantas discussões que não tinham nada a ver com o cenário político nacional, que desviaram o foco do debate”, disse.

A candidatura de Caiado começou a tomar forma em janeiro, quando ele deixou o União Brasil, partido no qual já não encontrava espaço para seu projeto presidencial, e se filiou ao PSD. A mudança, porém, não lhe garantiu imediatamente a cabeça de chapa. Ele entrou em uma disputa interna com os governadores Ratinho Junior (PR) e Eduardo Leite (RS).

Resolvida a candidatura, veio a dificuldade para ampliar a chapa. Caiado buscou alianças fora do PSD e chegou a negociar uma composição com Zema. Sem conseguir sucesso, acabou recorrendo a Kassab para a vaga de vice. A capilaridade da legenda tampouco se converteu automaticamente em palanques para Caiado, que amargou um resultado aquém do esperado.

O candidato do Novo, por sua vez, ficou com 0,27% dos votos. Após a apuração das urnas, ele disse estar satisfeito com o resultado da direita pelo país. “Deu pra perceber claramente um avanço da direita muito maior que as pesquisas apontavam”, afirmou Zema.

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Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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