Codelco investiga novos indícios de irregularidades no cálculo da produção de cobre no Chile
A Codelco está investigando indícios de que a produção de cobre pode ter sido contabilizada duas vezes em 2024 e 2025, o que levanta novas dúvidas sobre os números de produção da mineradora estatal chilena.

Trecho
As possíveis irregularidades envolvem material que pode ter sido registrado como produção de mais de uma divisão, o que poderia ter inflado artificialmente a produção relatada pelas minas Ministro Hales e Salvador, afirmou a Codelco nesta terça-feira (6). A empresa encaminhou as conclusões aos promotores e contratou a Ernst & Young para determinar a escala, o impacto financeiro e a responsabilidade por qualquer duplicação.
“Tolerância zero para irregularidades”, disse o Ministro da Economia e Mineração, Daniel Mas, em um vídeo divulgado pelo governo. “Colocar a casa em ordem é vital para garantir o futuro da mineração no Chile e o bem-estar de todos os chilenos.”
A investigação aumenta o escrutínio sobre os números de produção da Codelco em um momento crítico tanto para a empresa quanto para o mercado de cobre. A mineradora estatal tem lutado para recuperar a produção, que atingiu mínimas em mais de duas décadas e a fez perder o título de maior produtora mundial para o Grupo BHP, mesmo com a oferta global restrita e a demanda crescente impulsionando os preços do metal.
Sob a gestão do ex-presidente Máximo Pacheco, a Codelco concentrou-se na recuperação dos volumes e estabeleceu uma meta de produção de 1,7 milhão de toneladas até 2030. O novo presidente, Bernardo Fontaine, abandonou esse objetivo, mudando o foco para a produtividade, a rentabilidade e a geração de mais valor a partir das operações existentes.
As últimas descobertas são distintas das irregularidades descobertas no início deste ano nos números de produção da Codelco para 2025. Uma auditoria constatou que cerca de 27.000 toneladas métricas — ou cerca de 2% da produção declarada de suas próprias minas — foram indevidamente reconhecidas como produto acabado, embora o material necessitasse de processamento adicional. A Codelco demitiu um executivo, aplicou medidas disciplinares a outros funcionários e ordenou o recálculo dos incentivos atrelados à produção.
A KPMG continua a realizar uma revisão independente da produção em todas as divisões da Codelco em 2024 e 2025, enquanto a EY se concentrará na possível dupla contagem recentemente identificada. A Codelco afirmou que a revisão determinará qualquer impacto na produção e nos estoques reportados, bem como possíveis efeitos sobre os pagamentos de incentivos.
Ao contrário do caso anterior, em que o cobre existente foi contabilizado como produção acabada prematuramente, a dupla contagem levantaria questões sobre como a Codelco concilia a produção, os estoques e as transferências entre as divisões, afirmou Juan Carlos Guajardo, fundador da consultoria chilena Plusmining.
“Cometer erros dessa natureza por dois anos consecutivos não pode ser explicado como um simples engano em uma empresa do porte da Codelco”, disse Juan Ignacio Guzmán, diretor da consultoria de mineração GEM. “É um alerta para sermos mais meticulosos e sempre trabalharmos com a verdade, mesmo quando isso nos custa caro.”
Placas de ânodo de cobre na Codelco, no Chile
Cristobal Olivares/Bloomberg
Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.
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