Neto Eventos começou com câmera caseira e hoje fatura R$ 20 milhões
Eugênio Neto, da Neto Eventos: falta de mão de obra qualificada é gargalo

Trecho
Gabriel Reis/Valor
A Neto Eventos, empresa que oferece infraestrutura tecnológica para grandes eventos, faturou R$ 20 milhões em 2025 e prevê uma receita de R$ 30 milhões neste ano. Fundado por Eugênio Neto, o negócio surgiu de forma despretensiosa. Aos 17 anos, com vontade de bancar a paixão pelo surfe, ele começou a fazer vídeos de festas em Florianópolis com uma câmera filmadora que estava parada em casa.
Em mais de três décadas, Neto apostou em equipamentos, mão de obra capacitada e especialização de serviços para construir uma trajetória de crescimento. “A empresa tem que investir, qualificar e profissionalizar”, afirma o empresário.
A história da Neto Eventos foi contada por seu fundador no podcast “Como eu Cresci”, uma parceria da rádio CBN com o Valor e com Pequenas Empresas & Grandes Negócios, disponível no site da CBN e em todos os tocadores de podcast. As conversas são conduzidas por Leandro Gouveia, repórter e apresentador da CBN, e Mariana Iwakura, editora-chefe de PEGN. O “Como eu Cresci” faz parte da iniciativa “Média é Mais”, que publica conteúdo sobre empresas de médio porte.
Neto fez as primeiras filmagens de eventos sociais em 1991. O empresário conta que aprendeu sobre o ramo com uma vizinha, e o negócio era encarado como uma brincadeira pelo adolescente. “Eu não tinha muita percepção do valor do dinheiro. Comecei a ter facilidade para comprar prancha e roupa de borracha, ir à praia e surfar com meus amigos, coisas às quais eu não tinha acesso antes”, relata.
Quando sua mãe notou a quantidade de cheques que ele recebia de seus clientes - valores mais altos do que os rendimentos do próprio pai -, passou a cuidar da parte financeira do que viria a se tornar a Neto Eventos. Até hoje a empresa tem estrutura familiar. Neto divide a gestão com a mãe, que cuida de finanças, administração e RH, e o irmão, responsável por compras e logística. Ao todo, cinco familiares de três gerações trabalham na companhia.
Para se dedicar de vez ao empreendedorismo, Neto resolveu trancar a faculdade de engenharia e se capacitar, cursando administração e, mais tarde, fazendo pós-graduação em marketing e gestão. “Foi quando comecei a atender o mercado corporativo. Eu ganhava US$ 150 filmando um evento, enquanto o profissional que operava um projetor cobrava US$ 300 e trabalhava sentado. Pensei: ‘Eu posso ganhar mais trabalhando sentado’. Falei com minha mãe e decidimos comprar um projetor”, lembra.
A partir desse investimento, a empresa passou a operar com foco em fornecimento de estrutura técnica para eventos, como luzes, painéis de LED, televisores e áudio. “Viramos uma empresa full service, que entrega uma solução completa para o cliente. Ele não quer contratar uma coisa de cada fornecedor e ter que falar com cinco pessoas; quer resolver tudo em um só lugar”, afirma Neto.
A companhia compete com empresas de grande porte, realizando eventos com mais de 20 mil ou 30 mil participantes. Com filial em São Paulo (SP), tem um galpão de 2,5 mil metros quadrados, em Santa Catarina, e aposta em equipamentos de reserva para lidar com imprevistos. Neto relata um episódio em que os equipamentos da empresa foram furtados durante um evento.
No entanto, o empresário ressalta que o momento mais difícil da trajetória foi a pandemia de covid-19. Nesse período, o empreendedor pensou que teria de demitir todos os funcionários. A solução para manter o negócio foi apostar em lives. “Criamos uma operação para eventos on-line, fizemos mais de 300 deles e faturamos R$ 8 milhões em um ano e meio”, conta.
Para resolver o desafio da mão de obra qualificada, a aposta mais recente é a Neto Academy, que oferece cursos gratuitos em áreas como vídeo e áudio. “É nossa responsabilidade entregar tudo bem-feito, por isso investimos na capacitação. Hoje, nosso principal limite para crescer é justamente encontrar profissionais qualificados”, afirma.
A Neto Eventos faz de 250 a 300 eventos por ano, mas a estratégia é reduzir a quantidade e priorizar contratos maiores e recorrentes. Segundo Neto, cerca de 20% dos clientes respondem por 80% do faturamento. Há empresas atendidas há 20 anos. “Eu quero trocar eventos de R$ 50 mil ou R$ 80 mil por um de R$ 200 mil”, diz.
Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.
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