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Juros pressionam contas públicas e exigem ação de países, diz FMI

O endividamento alto e crescente dos países está ampliando as pressões sobre as contas públicas e intensificando a interação entre política fiscal e juros.

Valor Econômico4 min de leitura
Juros pressionam contas públicas e exigem ação de países, diz FMI

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Em artigo divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), economistas do órgão afirmam que altas nas taxas de política monetária, quando a dívida já é elevada, provocam uma deterioração mais acentuada dos déficits fiscais e da própria trajetória da dívida dos governos.

Pelos cálculos do FMI, o custo médio efetivo dos juros pagos pelos governos para se financiar deve subir de 2,3% em 2021 para 3,7% em 2031. Nos Estados Unidos, os pagamentos de juros devem avançar de cerca de 2,8% do PIB, antes da pandemia, para 5,7% do PIB em 2031, valor aproximadamente equivalente ao gasto projetado com a Previdência Social.

A situação não é diferente nos países de baixa renda. Segundo a pesquisa, os pagamentos de juros por parte dos governos agora estão consumindo mais de 15% das receitas tributárias. No período entre 2011 e 2019, o custo médio estimado foi de cerca de 9% do PIB, de acordo com o FMI.

No relatório Panorama Econômico Mundial, publicado na segunda-feira, o FMI alertou que os déficits primários continuam consideravelmente mais altos do que os níveis pré-pandemia em muitos países, elevando as dívidas. O Fundo estima que a dívida pública global ultrapassará 100% do PIB mundial até 2030, nível visto pela última vez logo após o término da Segunda Guerra Mundial.

“O déficit primário global é de cerca de 3,3% do PIB em 2026. Estabilizar a razão global dívida/PIB neste ano exigiria reduzi-lo para aproximadamente 2,6%. E, como a dívida global continua crescendo, seria necessário nos próximos anos um ajuste adicional de magnitude semelhante”, escrevem Rodrigo Valdés e Era Dabla-Norris, diretor e subdiretora do Departamento de Assuntos Fiscais do FMI, respectivamente, no artigo.

Valdés e Dabla-Norris destacam que o choque do petróleo, a inflação persistente, a maior demanda por investimentos e a expectativa de crescimento associada à inteligência artificial estão elevando os rendimentos dos títulos públicos nas economias avançadas. Os fundamentos fiscais, porém, continuam centrais, pois investidores exigem retornos maiores para deter títulos de prazo mais longo.

Entre fevereiro e setembro, o rendimento médio dos títulos públicos de dez anos dos países do G7 subiu mais de 1 ponto percentual, atingindo o nível mais alto em quase duas décadas, segundo o FMI. Para os mercados emergentes, o Fundo avalia que as condições de financiamento permanecem favoráveis em muitas economias, mas alerta que essa janela pode não durar. Uma mudança no apetite dos investidores por risco poderia reduzir acentuadamente a capacidade de emissão de dívida e ampliar os spreads.

“Em um número crescente de economias, as taxas pagas sobre a nova dívida agora superam as taxas esperadas de crescimento nominal. Portanto, os governos precisam de resultados primários mais fortes para impedir o aumento das razões dívida/PIB”, afirmam os economistas.

“As despesas crescentes com juros estão se tornando um ônus maior e cada vez mais inflexível sobre os recursos públicos, deixando menos espaço para investimento público e gasto social. Elas também limitam a capacidade dos governos de enfrentar desacelerações econômicas”, acrescentam Valdés e Dabla-Norris. “Dívida alta e prazos mais curtos podem tornar a restauração da estabilidade de preços mais difícil e mais custosa para as finanças públicas.”

Tanto para as economias avançadas quanto para as emergentes, a recomendação do FMI é a mesma: ação fiscal urgente. Nas avançadas, os economistas dizem ser necessário tomar medidas concretas para colocar a dívida em uma trajetória sustentável, com planos críveis e realistas de médio prazo. Nas emergentes, a meta deve ser reduzir vulnerabilidades e fortalecer a gestão da dívida.

“Adiar o ajuste faria crescer os encargos de juros e as vulnerabilidades fiscais, restringiria ainda mais as opções de política e, por fim, exigiria um ajuste maior para estabilizar a dívida”, dizem Valdés e Dabla-Norris. “Quanto mais os países esperam, mais doloroso o ajuste se torna.”

Sede do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington (EUA)

Yuri Gripas/Reuters

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Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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