No B55, o trunfo da caminhada longa é a sandália da humildade
O empresário David Feffer presenteou todo o corpo de executivos da Suzano com um par de Havaianas escritas “humildade”. Ricardo Ermírio de Moraes, herdeiro do Grupo Votorantim e fundador da marca de sucos The Natural One, diz que é frequente tomar “chá de cadeira” de gerentes de supermercados.

Trecho
Renata Vichi, conselheira da Kopenhagen e hoje sócia da rede de academias de luxo Six Sport Life, roda o Brasil como uma “CEO de sola de sapato” para se forçar a se manter aprendiz todos os dias. O que essas histórias têm em comum é que, para esses empresários, manter o pé no chão bem juntinho da realidade mesmo quando o negócio mudou de patamar é fundamental para manter suas empresas longevas e bem-sucedidas. Eles participaram da B55 Conference, realizada nos últimos dois dias no Suhai Music Hall, em São Paulo. Foram pouco mais de 3,5 mil pessoas na plateia por dia, composta principalmente por donos de empresas pequenas e médias que querem ganhar escala. ‘Por mim, o iFood nunca vai fazer IPO’, diz o CEO ‘O empresário perde muito tempo discutindo política’, diz André Street “O sucesso é a melhor coisa que acontece para uma empresa, mas ele alimenta nosso ego. E um ego bem alimentado nos deixa vaidosos, que nos deixa cegos e surdos para o que acontece no mundo. Veja a Kodak e a Xerox”, disse Feffer, presidente do conselho da Suzano, companhia controlada pela sua família há mais de 100 anos. Primeira edição da B55 Conferência reuniu 3,5 mil pessoas por dia no Suhai Music Hall, em São Paulo Rogerio Vieira/Valor “Nossa obra de arte não deve ser a vaidade de se manter no poder”, disse Guilherme Benchimol, fundador da XP, hoje no conselho. A obra de arte é a empresa, que só perdura se o empresário souber a a hora certa de sair da operação e escolher um sucessor para que o negócio continue crescendo. Na XP, a cadeira de CEO foi para Thiago Maffra, que já fazia parte dos quadros da companhia, comandando a área de tecnologia. Ele diz que ganhou o poder de decisão na contratação do time de executivos, incluindo do alto escalão, e a responsabilidade de definir também os planos de longo prazo da empresa. Mas defende que quem criou a companhia ainda deve se manter por perto. Pílulas da B55: exportação de marca, ‘sangue na boca’, distrações e ilusões B55 Conference: as lições dos líderes “O papel é manter a visão de ousadia de um fundador e ajudar o CEO a ter a visão alongada do negócio”, disse Maffra. “Mas a decisão final na operação é minha porque eu vou ser cobrado pelos resultados, então quero ter os meios em que eu acredito que farão funcionar.” Por falar em funcionar, é quando tudo está redondo que é hora de mexer na engrenagem, diz Artur Grynbaum, que foi por anos CEO do Grupo Boticário e hoje é vice-presidente do conselho de administração. Se o senso comum é que a hora mexer na empresa é quando o negócio vai mal, ele defende o contrário. “Em 1996, pegamos o Boticário e reviramos de ponta cabeça, sendo a semente do que a empresa é hoje”, diz ele. Mudança em créditos judiciais provoca corrida a firmas de advocacia GEB e CDPQ avaliam ativos da Quantum, da Brookfield A estrutura da empresa foi reunificada, passando a unir diferentes as marcas, como Boticário e Eudora, e colocando-as juntas em áreas de negócios, como marketing, finanças e tecnologia. Além dos benefícios de sinergias de custos, o grupo viu diminuir a competição entre equipes internas e passou a pensar o consumidor a partir da jornada de compra, e não a partir de diferentes produtos. “Ao contrário do Zagallo, a gente mexe, sim, em time que está ganhando”, afirmou. Com foco em liderança e gestão e temas mais específicos nas mentorias — como go to market, CX, funding, M&A e remuneração —, na B55 até se falou sobre inteligência artificial, mas sem o frenesi que tem dominado encontros corporativos nos últimos tempos. As menções foram, inclusive, em tom de cautela. Na fintech de infraestrutura bancária Pismo, comprada pela Visa por US$ 1 bilhão em 2023, a adoção de teste de IA foi intensiva nos últimos dois anos. Mas a implementação é com parcimônia. Biotech brasileira chega ao Vale do Silício para prever epidemias Fami incorpora Rio Capital e chega a R$ 80 bilhões “Uma empresa de infraestrutura bancária tem que tomar muito cuidado com a venda com inteligência artificial. Precisa ter supervisão humana, ter controle, precisa ter fundamentos, senão vira uma zona”, alerta Daniela Binatti, CEO e cofundadora da Pismo. Diego Barreto, CEO do iFood, emenda para os gurus de plantão na internet: “Não é com rede social que um empresário vai aprender a usar IA, pelo amor de Deus”.
Matéria publicada por Valor Globo. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.
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