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Sorocaba tem frota envelhecida e quase 70% dos carros com mais de 10 anos de fabricação

Sorocaba tem frota envelhecida e quase 70% dos carros com idade superior a 10 anos

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Sorocaba tem frota envelhecida e quase 70% dos carros com mais de 10 anos de fabricação

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Quase 290 mil carros circulam todos os dias pelas ruas e avenidas de Sorocaba (SP), mas cerca de 70% têm idade superior a 10 anos, o que corresponde a 200 mil automóveis. Desse total, por volta de 30% têm mais de 20 anos de fabricação.

Os dados são do Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) e correspondem a um levantamento feito até o dia 13 de outubro de 2026. Os números também são de uma frota considerada envelhecida quando contabilizados outros meios de transporte, como motos e caminhões. Dos cerca de 485 mil veículos ativos no município, quase 63% têm mais de 10 anos.

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Cerca de 200 mil carros que circulam pelas ruas e avenidas de Sorocaba (SP) têm mais de 10 anos de fabricação

TV TEM/Reprodução

Mas, afinal, existe uma idade média ideal para os automóveis? Douglas Fontana, engenheiro mecânico e professor da UniFacens, afirma que, tecnicamente, é difícil estabelecer esse parâmetro.

“Qualquer projeto de veículo leve ou pesado tem uma vida útil pré-determinada de 10 anos. Esse cálculo é feito a partir de uma base que considera uma distância percorrida conhecida e que é utilizada como referência pelas fabricantes. Mas depende do proprietário e da realização de manutenções, que postergam preventivamente essa vida útil mantendo os critérios de segurança. Então, não é possível dizer tecnicamente se há uma idade média ideal ou limite para os veículos”, esclarece.

Uma série de fatores podem explicar esse cenário de frota envelhecida, segundo o especialista em trânsito e mobilidade Renato Campestrini.

“Em um passado não muito distante, houve incentivos governamentais para que as pessoas adquirissem veículos próprios. A renda permitia, as taxas de juros eram mais baixas e havia os chamados carros populares no mercado, que, apesar do valor, permitiram a muitas famílias realizar o sonho do carro zero quilômetro".

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"Tudo isso ajudou, mas não renovou a frota nacional como era esperado. Tanto que, nos melhores anos dessa fase de ‘ouro’ da indústria, a idade média da frota chegou a ser de oito anos”, detalha.

Campestrini diz que, atualmente, a busca pelo carro zero quilômetro está mais complexa. “A renda do trabalhador diminui, as famílias estão endividadas e as taxas de juros acabam por dificultar a compra”.

Para Renato Campestrini, especialista em trânsito e mobilidade, carro não tem ano, tem dono

Arquivo Pessoal/Divulgação

Consequências

Uma frota de automóveis envelhecida pode trazer consequências para a segurança, mobilidade e até para o meio ambiente, de acordo com os especialistas ouvidos pelo g1.

“Veículos mais antigos acabam por não atender, por exemplo, normais ambientais relacionadas a emissões de poluentes. Mas a segurança acaba sendo a questão mais grave”, destaca Fontana.

“As novas tecnologias proporcionam veículos mais limpos. A tecnologia de motores flexíveis, que já tem pelo menos 20 anos de mercado, permite a utilização de combustível mais limpo como o etanol, mas, ainda assim, os níveis de emissão de poluentes de veículos com 10, 20 anos de fabricação é bem maior do que a dos veículos zero quilômetro, sendo que, em alguns casos, a tecnologia híbrida de motorização já está se fazendo presente e isso ajuda a reduzir gastos com combustíveis e na melhora da qualidade do ar que respiramos”, completa Campestrini.

Sobre segurança, o especialista em trânsito e mobilidade pontua que a evolução tecnológica da indústria automobilística passou a garantir a presença dos itens obrigatórios.

“A medida que os veículos envelhecem, as chances de termos tecnologias superadas são maiores, entretanto, o ponto positivo é que os veículos de 2014 para cá passaram a contar com itens de segurança como airbags, freios com sistema antibloqueio, materiais apropriados para absorver impactos e proteger os ocupantes”.

Sorocaba tem uma frota de transportes envelhecida, com 63% dos veículos com mais de 10 anos de fabricação

TV TEM/Reprodução

No entanto, o professor da UniFacens frisa que veículos mais antigos podem justamente ter problemas de segurança por conta da ausência desses itens. “Carros no mercado, hoje, seguem critérios e uma frota desatualizada pode não ter acesso a itens que protegem os motoristas”.

A mobilidade também acaba sendo impactada pela circulação de uma frota mais antiga. “Estão mais suscetíveis a quebras em vias públicas, ocasionando lentidão, bloqueio de faixas e, no caso de uma manutenção deficiente, há o risco de envolver-se ou ocasionar um sinistro de trânsito”, conta Campestrini.

Desgaste de componentes

Cláudio Santos é proprietário de uma rede de oficinas em Sorocaba e relata perceber esse envelhecimento da frota de veículos nas unidades. Ele afirma que os condutores de automóveis antigos devem estar mais atentos à manutenção preventiva, por conta do desgaste natural dos componentes devido ao tempo e uso.

“Materiais como borrachas e plásticos podem perder flexibilidade com o tempo, enquanto componentes metálicos ficam mais suscetíveis à corrosão. Por isso, as visitas a uma oficina de confiança devem ocorrer a cada seis meses ou dez mil quilômetros rodados”, indica.

Santos indica, ainda, quais sistemas e serviços dos automóveis merecem mais atenção com o passar dos anos:

Componentes de suspensão;

Sistemas de freios;

Troca de óleo;

Sistema de injeção eletrônica;

Alinhamento e balanceamento.

'Carro não tem ano, tem dono'

Especialistas afirmam que a manutenção preventiva pode reduzir ou sanar os problemas de uma frota envelhecida

OS2 Comunicação/Divulgação

Os especialistas ouvidos pelo g1 concordam que a manutenção preventiva pode reduzir ou sanar os problemas de uma frota de automóveis envelhecida. “A manutenção não é tratada como deveria. É uma deficiência do nosso mercado”, opina Fontana.

Ter um plano de manutenção preventiva pode garantir, de acordo com Campestrini, que os sistemas do veículos sigam em perfeito funcionamento. “Um motor sempre regulado potencializa a eficiência da queima do combustível e poluí menos o meio ambiente. Além disso, é importante ficar atento ao estado de conservação de cintos de segurança e encostos de cabeça, itens de uso contínuo que podem causar desgaste excessivo”.

“Um carro com mais de dez anos bem cuidado pode oferecer mais segurança e menos custo com manutenção do que um veículo de cinco anos sem os devidos cuidados”, complementa Santos.

No fim, mais do que o ano do automóvel, é o cuidado do condutor que vai definir a segurança dessa circulação. “Para veículos automotores vale aquela máxima de que carro não tem ano, tem dono. Já visualizei muitos veículos praticamente novos com pneus desgastados, problemas no sistema de iluminação, e outros mais antigos em perfeitas condições de manutenção e uso”, finaliza Campestrini.

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Uma série de fatores podem explicar esse cenário de frota envelhecida, segundo especialista em trânsito e mobilidade.

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Matéria publicada por G1. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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