Após ser oficializado governador eleito, Douglas Ruas diz que vai rever orçamento do Rio com déficit de R$ 14 bilhões
Pouco depois de o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) concluir a retotalização dos votos que oficializou sua vitória, neste sábado, Douglas Ruas (PL) foi aos estúdios do RJ2, da TV Globo, para sua primeira entrevista como governador eleito.

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Ao vivo, ele afirmou que pretende rever a proposta de orçamento estadual para 2027, que prevê um déficit de cerca de R$ 14 bilhões, e defendeu a criação de um teto para limitar o crescimento das despesas públicas. Ruas também prometeu convocar candidatos aprovados em concursos da Polícia Militar, ampliar o efetivo da corporação ao longo dos próximos quatro anos e entregar o Hospital do Câncer e do Coração de Nova Friburgo nos primeiros 100 dias de gestão. R$ 250 milhões em movimentações: PM e ex-PMs acusados de vender armas e vazar informações para o chefe do TCP no Complexo de Israel são presos Taxímetros adulterados no Galeão: saiba como funcionava o dispositivo e como o passageiro pode identificar um táxi suspeito Presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Ruas afirmou que pretende reunir os chefes dos poderes estaduais para discutir mudanças no projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027 antes de sua votação. Segundo ele, a proposta encaminhada ao Legislativo precisa passar por ajustes para reduzir o desequilíbrio entre receitas e despesas. — Não concordo que a gente aprove essa peça da maneira que se encontra, com mais de R$ 13 bilhões em déficit. Nós vamos ter uma tarefa nos próximos meses para discutir e adequar as despesas no Estado do Rio de Janeiro — afirmou. O governador eleito defendeu uma proposta que, segundo ele, já apresentou à Alerj para instituir um teto de gastos no estado. A ideia é limitar o crescimento das despesas dos poderes à evolução da arrecadação. — O que a gente viu acontecer aqui no Estado do Rio de Janeiro nos últimos anos? A gente volta a cinco anos atrás, quando tínhamos o orçamento equilibrado, quando as despesas cabiam dentro da receita, e não o contrário, como estamos vendo hoje — disse. Ruas afirmou que a arrecadação estadual cresceu 21% no período, mas que as despesas de dois poderes avançaram em ritmo superior. Ele não especificou, durante a resposta, a quais poderes se referia. Questionado sobre o prazo para promover as alterações, já que assumirá o governo perto do fim do ano, Ruas argumentou que a votação do orçamento costuma ocorrer em dezembro e que ainda haverá tempo para negociar mudanças nas comissões temáticas e no plenário da Assembleia. O governador eleito também defendeu a aprovação de dois projetos considerados importantes para aliviar a situação fiscal do estado: um voltado ao enquadramento de contribuintes inadimplentes e outro que trata da transação tributária, mecanismo de negociação de dívidas com o poder público. Segundo Ruas, uma das propostas recebeu mais de 40 emendas parlamentares, que estão sendo analisadas nas comissões da Alerj. A expectativa é que o texto retorne ao plenário ainda neste mês. Reforço de 15 mil policiais Na segurança pública, uma das principais bandeiras de sua campanha, Ruas reafirmou o compromisso de ampliar o efetivo da Polícia Militar para alcançar, até o fim do mandato, o quantitativo previsto na legislação estadual. Segundo o governador eleito, a corporação conta atualmente com pouco mais de 44 mil policiais, enquanto a legislação prevê um efetivo de 60 mil, uma diferença superior a 15 mil agentes. — O meu compromisso com a população do Estado do Rio de Janeiro é convocar todos os excedentes já aprovados, estabelecer um cronograma para a realização de novos concursos, para que a gente possa perseguir e alcançar esse efetivo que já está previsto na lei nos próximos quatro anos — afirmou. Ruas estimou em R$ 1,6 bilhão o custo da recomposição do efetivo, valor que, segundo ele, corresponde a aproximadamente 1% do orçamento estadual. O governador eleito argumentou que será necessário encontrar espaço nas contas públicas para cumprir a promessa. — Se a segurança pública é uma prioridade e a população votou em mim confiando nessa proposta, nós vamos buscar o ajuste que for necessário para cumprir aquilo que a gente pactuou com a população do Estado do Rio de Janeiro — disse. Hospital de Nova Friburgo nos primeiros 100 dias Na saúde, Ruas estabeleceu um prazo para uma das promessas de campanha: a entrega do Hospital do Câncer e do Coração de Nova Friburgo, na Região Serrana, nos primeiros 100 dias de governo. A unidade está com as obras próximas da conclusão e depende da contratação de uma organização responsável pela gestão para começar a funcionar, disse ele. — O Hospital do Câncer e do Coração de Nova Friburgo, o meu compromisso é entregar nos primeiros 100 dias de gestão. É uma obra que está muito pertinho de acabar — afirmou. O governador eleito também reiterou a promessa de implantar centros integrados regionais de saúde. Para acelerar a expansão da rede, disse que pretende buscar parcerias com prefeituras e aproveitar imóveis públicos já existentes, sem a necessidade de construir novas unidades em todos os municípios contemplados. Ruas sustentou que as propostas para saúde e educação foram elaboradas considerando os recursos já previstos nos percentuais constitucionais de aplicação obrigatória nessas áreas. Moradias em áreas de risco Questionado sobre a vulnerabilidade do estado aos eventos climáticos extremos, Ruas defendeu a combinação de obras de contenção de encostas com programas habitacionais para retirar famílias de locais onde não seja possível eliminar os riscos. Durante a entrevista, foi apresentado um levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), segundo o qual pelo menos 860 mil pessoas vivem em áreas de risco em apenas 15 dos 92 municípios fluminenses mapeados. O número pode superar um milhão quando consideradas outras localidades. O caso de Petrópolis, na Região Serrana, foi destacado como exemplo do desafio. Segundo os dados apresentados, mais de 70 mil moradores da cidade vivem em áreas de risco, e a falta de terrenos disponíveis dificulta o reassentamento dessas famílias. — Existem casos em que não é uma obra de encosta, de contenção, que vai resolver. É necessário, sim, dialogar com a população, explicar que aquela área é uma área de risco e que não há uma obra que possa resolver — afirmou. Ruas defendeu investimentos em habitação de interesse social para permitir a transferência dessas famílias para locais seguros. O governador eleito também citou a importância de manter o programa Limpa Rio ao longo de todo o ano, com ações de desassoreamento e limpeza dos cursos d'água para reduzir os impactos das chuvas intensas. A preparação do estado para o próximo período de chuvas, informou, será discutida já durante a transição de governo, inclusive com a avaliação da necessidade de novas contratações para reforçar a capacidade de resposta a emergências. Secretariado quase definido Ruas afirmou que já tem praticamente definida a equipe que pretende levar para o governo, mas evitou antecipar nomes. Segundo ele, os convites formais começarão a ser feitos a partir deste domingo, depois da oficialização do resultado eleitoral. — Na minha cabeça, o time está quase todo pronto, mas eu não fiz o convite a nenhuma das pessoas ainda formalmente. Então, eu pretendo fazer a partir de amanhã, porque de fato saiu a retotalização hoje no Tribunal Regional Eleitoral. Questionado sobre o risco de indicações políticas comprometerem a administração estadual, especialmente em áreas como a educação, prometeu privilegiar profissionais com experiência e capacidade técnica. — Por onde eu passei no serviço público, eu sempre montei equipes técnicas, pessoas que têm conhecimento e que possam verdadeiramente entregar aquilo que a população espera — afirmou. Instado a anunciar ao menos um integrante do futuro secretariado durante a entrevista, Ruas desconversou e brincou com a possibilidade de divulgar um nome antes de consultar o escolhido.
Matéria publicada por O Globo. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.
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