Pular para o conteúdo
Newra News
Economia

Campanha demorou a falar ‘linguagem do povo’, diz líder

Teresa Leitão: “A oposição está atuando como se a gente já estivesse no ano de 2027 aqui no Senado”

Valor Econômico6 min de leitura
Campanha demorou a falar ‘linguagem do povo’, diz líder

Trecho

Adriano Brito/Valor - 7/7/2026

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demorou para adotar a “linguagem do povo” no primeiro turno, mas o revés no domingo (4) não deverá atrapalhar o rito de votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) do fim da escala 6x1. Essa é a avaliação da líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE). Em entrevista ao Valor, ela argumenta que o discurso eleitoral petista deveria ter sido mais direto em relação ao adversário Flávio Bolsonaro (PL), mas afirma que a campanha acertou ao reorientar a estratégia para a segunda etapa. A senadora diz confiar que o presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP), cumprirá o acordo com o governo e não só vota a proposta até a quarta-feira (14), como tem uma lista para aprovação “até maior” do que a do governo.

Para a senadora, a campanha tem de seguir promovendo o embate em relação à família Bolsonaro, mas de forma mais clara, “mais fácil”. “O que é evasão de divisas? O que é desvio de recursos? Ele [Flávio] está sendo investigado por isso”, lembra. “A gente tem que dizer que a corrupção de Flávio Bolsonaro se traduz em roubo, roubo de dinheiro público.”

A parlamentar se referiu à investigação do caso Master, em que Flávio aparece cobrando recursos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para bancar o filme “Dark Horse”, em homenagem a seu pai. Os investigadores querem saber se os recursos foram utilizados para esse fim realmente e como ocorreu a transferência do dinheiro aos Estados Unidos. Flávio nega qualquer irregularidade e alega que a operação teria sido um negócio privado.

Pernambucana, ela também julga, por exemplo, que o termo “miliciano”, usado pelo partido para tratar a relação de Flávio com condenados por integrar facções criminosas, é restrito ao Rio de Janeiro. “Temos que usar a linguagem que o povo entende: é ‘bandido’ mesmo”, sugere. Procurada pelo Valor, a campanha de Flávio não comentou as declarações.

O PT estabeleceu uma estratégia de contraposição a Flávio neste segundo turno, com intensificação no embate, para tentar escalonar a rejeição ao senador. Parte dessa estratégia passa por vincular o parlamentar à gestão do pai, Jair Bolsonaro (PL), que governou o país entre 2019 e 2022.

“Temos que falar o que foi o governo Bolsonaro, o que foi o governo Lula e fazer um comparativo mais real. O que é a fila do osso? Tem humilhação maior do que você ir pegar o osso que foi desprezado pelo açougue?”, sugere a senadora. Para ela, é preciso “mostrar a face desta família e deste candidato de uma forma que a população entenda quem é Flávio Bolsonaro, Flávio é o pai mais novo”.

Cautelosa para criticar o desempenho petista aquém do esperado no primeiro turno, Leitão elogia, no entanto, a reorganização da campanha na área das redes sociais e a chegada de parlamentares eleitos com forte presença no digital. “Vamos qualificar a nossa presença nas redes. Ela é boa, grande, mas não trouxe votos. Eles [a direita] ganharam nas redes”, disse.

Aos 75 anos, a senadora pondera, contudo, que não se pode também esquecer a frente presencial. Escalada para ajudar na reversão da abstenção em Pernambuco, ela diz que o partido já mapeou os locais onde perdeu votos em relação a 2022 e é por ali que deve começar o trabalho de convencimento. “Eu acho que a gente tem que ir mais para cima com aquilo que é nosso”, afirma.

Em seu Estado, a queda não foi tão expressiva, mas ela promete trazer mais. “Pernambuco foi muito beneficiado com as políticas de Lula, e muitas vezes isso foi ofuscado pela apropriação do governo estadual e pela boa relação administrativa que sempre houve entre a governadora e o presidente”, argumenta, indicando que não espera apoio da governadora Raquel Lyra (PSD), que declarou neutralidade. Apesar da aproximação, o PT esteve ao lado do ex-prefeito derrotado João Campos (PSB).

Temos que falar o que foi o governo Bolsonaro e fazer um comparativo mais real”

Teresa afirma que Alcolumbre tem uma lista maior de pessoas que votarão a favor da PEC do fim da 6x1 do que aquela do governo. Isso indica que o presidente do Senado deve tentar utilizar o seu peso político para ajudar o Executivo federal a conseguir votos para aprovar a matéria.

“A lista do Alcolumbre [de votos favoráveis ao fim da 6x1] é maior do que a nossa quantitativamente, mas eu preciso checar os nomes. A lista dele talvez seja maior do que a nossa, porque tem um grupo de senadores que já estão ali do partido dele”, conta a senadora.

Há parlamentares da oposição e aliados de Flávio que já declararam votar a favor da PEC, como Damares Alves (Republicanos-DF) e Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG).

A líder avalia que a base do Planalto tem, sim, número suficiente de votos - de no mínimo 41 senadores - para aprovar um requerimento para encurtar a tramitação da matéria após a votação dela em primeiro turno. De acordo com ela, a maioria das PECs, na última legislatura, tiveram as duas rodadas de deliberação no mesmo dia.

Teresa também acha que o presidente do Senado deve cumprir o acordo que fez com o governo e colocar a PEC para votar de maneira integral até a última rodada da eleição presidencial. Na quarta-feira (7), Alcolumbre sinalizou que irá colocar o requerimento para acelerar a tramitação em votação caso ele seja apresentado pela base aliada.

Embora Alcolumbre tenha sido derrotado no reduto eleitoral dele, o Amapá, a senadora acha que ele ainda tem influência política na região para ajudar na reeleição de Lula. Para ela, o amapaense pode ajudar a eleger o colega, senador Omar Aziz (PSD), ao governo do Amazonas. O posicionamento da federação União-PP, contudo, deve “puxar o freio de mão” do presidente do Senado, na avaliação dela.

Sobre a nova composição do Senado, a líder do governo crê que há uma “soberba” por parte do grupo político de Jair Bolsonaro, que estaria se posicionando como se já contasse com a bancada de 28 senadores que o PL elegeu nesta eleição.

“A oposição está atuando como se a gente já estivesse no ano de 2027 aqui no Senado. Quem é senador hoje vai ser senador com todos os direitos até 31 de janeiro de 2027. Não adianta eles quererem passar o carro na frente dos bois como se já tivessem no exercício do cargo e com o PL fortalecido”, opinou.

“Há uma soberba, consequência do resultado das urnas. E soberba em política é muito ruim, já derrubou muita gente”, finalizou a pernambucana.

Ao ser questionada se o governo teme que a força da oposição nas urnas e na futura composição da Casa façam Alcolumbre romper com o atual alinhamento a Lula, a senadora destacou crer que “esse ano não” há essa preocupação. Ela lembrou que o amapaense deve se candidatar à reeleição para a presidência do Senado e, quando isso acontecer, deve ser apoiado pela base governista.

Leia na fonte

Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

Leia também

Newsletter

O mundo não cabe no seu feed. O resumo certo cabe na sua manhã.

Receba o Newra Daily no seu e-mail: o artigo do dia, escrito a partir das principais notícias, em uma leitura só.

Um e-mail por dia. Cancele quando quiser, em um clique.