Distribuidores voltados para PMES, com carteira pulverizada, sofrem mais lentamente efeitos de cenário retraído
O Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), que congrega empresas responsáveis por aproximadamente 70% da distribuição nacional, prevê uma queda de 1% nas vendas de aços planos no conjunto de seus associados este ano. Até agosto, a retração desses negócios chegou a 1,4%.
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No ano passado, os associados reportaram alta de 1,3% na comercialização sobre 2024.
Os associados do Inda -- que têm o foco voltado para o atendimento a clientes de pequeno e médio porte, cujas demandas não atingem o pedido mínimo dos grandes fabricantes e distribuidores – sofrem os mesmos problemas de toda a cadeia setorial, especialmente a perda de competitividade da indústria nacional. No entanto, esses impactos levam um pouco mais de tempo para serem sentidos.
Isso porque os revendedores de aços vinculados ao Inda, que costumam comercializar volumes menores do que os grandes distribuidores, têm uma carteira mais pulverizada, contando com um maior número de clientes. “Essa característica pode retardar um pouco a chegada da falta de consumo”, observa Gilson Santos Bertozzo, superintendente do Inda e Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Produtos Siderúrgicos (Sindisider).
Para ele, embora possam demorar mais, os efeitos de um ambiente de negócios marcado por imprevisibilidade acabam chegando em algum momento. “Soma-se a isso os juros estratosféricos do Brasil e você tem uma combinação perfeita para nenhum empresário querer arriscar”, afirma.
E esses juros altos mencionados vêm afetando diretamente o caixa das empresas. Dados do Serasa Experian divulgados em 1º de setembro mostram que em julho, 9,2 milhões de CNPJs estavam inadimplentes, comando dívidas totais de R$ 238,6 bilhões. Do total de empresas negativadas, 8% são indústrias.
A grande maioria dos inadimplentes são micro e pequenas empresas. Em julho, eram 8,7 milhões delas com dívidas atrasadas, que somavam R$ 206 bilhões. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro são os estados com as maiores concentrações de CNPJs devedores, seguidos por Paraná e Rio Grande do Sul.
Afonso Sartorio, líder de Energia e Recursos Naturais da EY, lembra que os setores com maior consumo de aço, como automotivo, máquinas e construção, dependem de crédito. E, justamente devido às taxas de juros ainda elevadas, uma retomada com mais força da demanda depende do ritmo dos cortes da Selic pelo Banco Central e do cenário fiscal pós-eleição
“Para 2027, podemos esperar um mercado interno com crescimento modesto. Se o ciclo de redução de juros continuar e houver recuperação de investimentos, construção, bens de capital e consumo, o aço tende a capturar essa melhora”, diz ele.
De acordo com os dados do Inda, São Paulo permanece como o maior consumidor de aços do país. Já a região Norte é a menor enquanto o Centro-Oeste vem apresentando um pequeno crescimento. “Esse cenário regional de consumo no país permanece inalterado já há muitos anos”, comenta Bertozzo, superintendente do Instituto.
As projeções para o ano que vem serão elaboradas pelo Inda em novembro, mas as avaliações preliminares indicam uma melhora nas vendas em relação a 2026. Essa perspectiva, acrescenta o executivo, depende a recuperação da atividade industrial.
Em 2026, os aços laminados a quente seguem como o principal produto vendido em volume pelos associados do Inda, mesmo com queda de 5,6% nas vendas acumuladas até agosto de 2026. Já os zincados se destacaram pelo desempenho, com alta nas vendas de 3,9% no período.
“A construção civil e fabricantes de máquinas e equipamentos estão entre os setores que sustentam a procura por esses materiais”, diz Bertozzo. Ele afirma que atualmente o maior desafio do setor é o processo de desindustrialização pelo qual passa o país e lembra que os clientes sofrem a concorrência, “muitas vezes desleal”, de produtos industrializados vindos da China.
“Em 2026, o governo federal deu sinais de lucidez ao instituir o antidumping em relação a diversos tipos de aços planos importados da China, que chegavam ao nosso mercado com preços subsidiados. Esse é apenas um movimento na direção de garantir a equidade em nossa cadeia produtiva”, afirma.
Bertozzo lembra que o Brasil está há mais de 30 anos com um consumo per capita de aço por volta de 120 kg por habitante, enquanto a média global é de 210 kg e na China é 560 kg. Por isso, cobra uma política de Estado visando valorizar o desenvolvimento da indústria, o combate ao déficit habitacional e a modernização da infraestrutura do país.
Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.
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