Senado mais à direita? O que as pesquisas sugerem sobre a disputa pelas vagas da Casa
Pesquisas de intenção de voto para o Senado, sobretudo quando se trata de renovação de duas vagas, são pouco relevantes, porque a maioria dos eleitores decide o voto no dia da eleição e o índice de branco e nulo nesta disputa é muito alto.

Trecho
Dito isso, poucos recortes dos levantamentos divulgados neste sábado são tão sugestivos do avanço da direita como este.
De acordo com a batelada de pesquisas da Quaest e do Datafolha, o PL poderá eleger 19 das 54 cadeiras em jogo. Apenas três- as de Eduardo Gomes (TO), Marcio Bittar (AC) e Carlos Portinho (RJ) são reeleições. Outras três, no Distrito Federal, Rondônia e Rio de Janeiro, são reposições, ou seja, senadores do PL estão sendo substituídos por outros do mesmo partido. Caso este cenário se confirme, o partido teria um crescimento líquido de 13 cadeiras, passando de 15 para 28 senadores. Nenhum senador do PL está perdendo a reeleição.
O PT do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de acordo com este levantamento, elegeria somente cinco senadores, quatro deles na realidade reeleitos: Humberto Costa (PE), Jaques Wagner (BA) , Randolfe Rodrigues (AP) e Rogério Carvalho. Duas cadeiras, as de Paulo Paim no Rio Grande do Sul e Fabiano Contarato no Espírito Santo, estão sendo perdidas. O saldo líquido seria encolher de 9 para 8.
De longe, o maior recuo é do bloco dos partidos de centro mais distantes do bolsonarismo, PSD e o MDB. Só ganhariam sete cadeiras, sendo quatro reeleições, uma delas a do bolsonarista infiltrado Carlos Viana (MG). Outra vaga é uma substituição, de Jader Barbalho (MDB-PA) pelo filho Helder . Nada menos que oito senadores do PSD e cinco do MDB perderiam o mandato, entre eles o ex-presidente do Senado Renan Calheiros (AL). No saldo líquido estes dois partidos cairiam de 22 para 16 cadeiras.
Um Senado com este desenho empareda o presidente Lula caso ele seja reeleito. O petista terá dificuldades não apenas para preencher vagas para o Supremo, mas para nomear um simples embaixador. Na hipótese de vitória de Flávio Bolsonaro, o bolsonarismo de volta ao Planalto ganharia uma alavanca formidável para estabelecer a hegemonia que pretende no Supremo, com quatro indicações e contrabalançaria a força maior do Centrão e da esquerda na Câmara.
Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.
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