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GPTW 2026 premia as melhores empresas para trabalhar no Brasil

A 30ª edição da premiação realizada por Época Negócios, Valor e Great Place to Work ocorreu na noite de terça-feira (6) na capital paulista e reuniu 1,3 mil pessoas

Valor Econômico7 min de leitura
GPTW 2026 premia as melhores empresas para trabalhar no Brasil

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RN Imagem/Divulgação

As 175 vencedoras do prêmio Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil 2026 foram reveladas nesta terça-feira (6), em cerimônia realizada por Época Negócios, Valor e Great Place to Work no Espaço Unimed, em São Paulo, diante de uma plateia de 1.300 pessoas. Foram premiadas empresas em três categorias, de acordo com o número de funcionários: Gigantes, com 10 mil ou mais; Grandes, com 1.000 a 9.999; e Médias, com 100 a 999 funcionários.

Entre as Gigantes, as vencedoras foram Sicredi (1º lugar), Porto (2º) e Gazin (3º). MAG Seguros (1º), Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública (2º) e Tokio Marine Seguradora (3º) foram os destaques na categoria Grandes. Em Médias, os primeiros lugares foram para Grupo Visagio (1º), Sicoob Metropolitano (2º) e Flexform (3º).

O ano de 2026 marca a 30ª edição da lista das melhores empresas para trabalhar no Brasil. Embora hoje o GPTW esteja presente em 180 países, a lista brasileira foi a primeira a ser publicada, em 1997. Naquele ano, 130 empresas se inscreveram para participar da pesquisa inédita e 30 chegaram ao grupo das melhores para trabalhar. Em 2026, o total de participantes chegou a 5.897.

Ao longo dessas três décadas, o mundo corporativo passou por mudanças profundas. A revolução tecnológica redefiniu modelos de negócios, a digitalização acelerou processos e a pandemia levou a novas formas de trabalho, consolidando os modelos híbridos e o home office como práticas rotineiras. E, nos últimos anos, a inteligência artificial trouxe transformações ainda maiores, com o redesenho de processos, a requalificação de funcionários e a entrada de agentes de IA na força de trabalho.

Do lado dos funcionários, a pandemia, a hiperconectividade e a entrada da Geração Z no mercado se combinaram para gerar novas demandas, como a busca por empresas com quem os profissionais possam compartilhar seus valores, a exigência de um propósito para o trabalho e a prioridade para o bem-estar, e não para a produtividade.

Em 2026, pela primeira vez na história da pesquisa, a qualidade de vida aparece como principal motivo de permanência dos funcionários nas 175 empresas classificadas, com 37% das respostas. Ter oportunidades de crescimento, o fator mais valorizado durante 20 anos seguidos, ficou em segundo lugar, com 33%. Na sequência aparecem remuneração e benefícios (16%), alinhamento de valores (9%) e estabilidade no emprego (5%).

No final dos anos 90, o ambiente corporativo era marcado por estruturas hierárquicas rígidas, com pouca mobilidade interna e uma estrutura de comando bastante engessada. As trajetórias profissionais eram lineares e os pacotes de benefícios concentrados em itens como plano de saúde, vale-transporte, seguro de vida e cesta básica. Hoje, quem quer reter talentos precisa ir muito além: os pacotes atuais envolvem, em boa parte das empresas, programas de saúde mental e longevidade, educação financeira, licenças-maternidade e paternidade estendidas e espaços de trabalho com serviços integrados, como academia e creche.

A diversidade também avançou, embora esteja longe do ideal. Na lista de 2026, as mulheres são 44,5% da força de trabalho, enquanto os homens ocupam 55% das posições - 0,5% disse não se identificar com os gêneros masculino ou feminino. O avanço da participação feminina é expressivo quando comparado ao ano 2000. Naquele ano, as mulheres eram 27% do quadro total de colaboradores e os homens, 73%. Apesar das mudanças, há espaço para evoluir, especialmente nos cargos de liderança: embora elas estejam presentes em 40% dessas posições, só exercem o cargo de CEO em 10% das empresas do ranking.

A 30ª edição do prêmio foi aberta por Tatiane Tiemi, CEO do GPTW Brasil, e José Tolovi Junior, presidente do conselho do Great Place to Work Basil e membro do conselho do Great Place to Work México, América Central, Espanha, França e Canadá, responsável pela chegada do ranking ao Brasil.

O GPTW é a prova de que ambiente de excelência é aquele no qual todos podem prosperar”

“O GPTW é a prova de que ambiente de excelência é aquele no qual todos podem prosperar. Impossível estar aqui e não voltar no tempo. Se me dissessem há 22 anos que um dia eu estaria nesse palco, liderando a empresa que me formou, eu não acreditaria. Sou exemplo da história de milhares de mulheres, milhares de vozes que ganharam espaço. Em 30 anos, fomos testemunhas de conquistas históricas, combustível para essas mesmas conquistas nas organizações, que ajudam cada pessoa a desempenhar o seu máximo potencial”, disse Tiemi.

“Há 30 anos, peguei um avião para ir aos Estados Unidos, pois queria descobrir o que é essa ideia de Melhor Lugar Para Trabalhar, um conceito que usamos até hoje. Naquela época, dar voz aos funcionários era uma ideia quase subversiva. Bem-estar, licença-paternidade estendida e benefícios eram palavras que não faziam parte da comunicação corporativa. Nossa primeira lista, de 1997, tinha 30 empresas, e não houve nem cerimônia de premiação. Depois, viramos referência em certificação para mais de 100 países. Mas o que mais me orgulha é essa evolução do mundo do trabalho. Há 30 anos, o topo da liderança era um ambiente quase exclusivamente masculino. Ainda falta muito, mas acredito que estamos evoluindo. Hoje, vivemos a era dos algoritmos, mas eles não escutam com empatia, não criam diálogo, não sentem orgulho. É por isso que o calor humano sempre vai continuar existindo. Nos próximos 30 anos, o que vai nos sustentar é o fator humano”, afirmou Tolovi.

Na sequência, foi a vez de Ruy Shiozawa, cofundador e CEO do Great People Mental Health e sócio do Great Place to Work (Brasil, Angola, México, América Central e Caribe). “Eu queria que vocês saíssem daqui com a expressão ‘Brain Capital’, ou capital cerebral. Esse é um conceito que foi absorvido pelo Fórum Econômico Mundial. Em uma primeira fase da economia, tivemos o capital financeiro. Em uma fase mais recente, o capital digital, que mudou as regras do jogo, e transformou a nossa lista. Agora, estamos entrando em uma terceira etapa, a do capital cerebral. O conceito engloba a ‘brain health’, a saúde cerebral, ou mental, muito valorizada a partir da pandemia, e as ‘brain skills’, competências cognitivas, emocionais e sociais. É o desenvolvimento dessas competências que vai impedir que a IA tome conta das nossas vidas, e que usemos a IA para aprimorar as capacidades humanas.”

“Nestas três décadas, o mundo do trabalho passou por transformações enormes. Vimos chegar as novas formas de trabalho pós-pandemia e o grande impacto da inteligência artificial. Quero chamar a atenção para um ponto do trabalho do GPTW neste ano que simboliza bem estes tempos de mudança. Em 2026, pela primeira vez na história da pesquisa, a qualidade de vida apareceu como o principal motivo de permanência dos funcionários nas 175 empresas classificadas, com 37% das respostas. As empresas precisam ser antenadas e criativas para oferecer o melhor ambiente de trabalho. Quem quer atrair e reter os melhores talentos precisa ir muito além dos benefícios tradicionais. E ninguém conquista os empregados se não tiver propósito muito forte”, afirmou Maria Fernanda Delmas, diretora de redação do Valor e Marcas Segmentadas de Economia e Negócios da Editora Globo. Ela fez também uma homenagem aos profissionais que se dedicam a ser os guardiões dos propósitos das empresas: os profissionais de Recursos Humanos e Gestão de Talentos.

Na sequência, foram chamadas ao palco as Melhores Empresas para Trabalhar em 2026, em ordem crescente. O Grupo Visagio recebeu o prêmio pelo primeiro lugar entre as Médias. Na categoria Grandes, a premiada foi a MAG seguros. Finalmente, o Sicredi recebeu o prêmio de primeiro lugar na categoria Gigantes, com 10 mil ou mais funcionários.

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Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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