Reunião do FMI na Tailândia terá inflação, IA e clima no centro das discussões
Autoridades financeiras e dirigentes de bancos centrais de todo o mundo se reunirão em Bangcoc, capital da Tailândia, nesta semana para a reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI), com início na segunda-feira.

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Espera-se que as discussões se concentrem em inflação, inteligência artificial e mudanças climáticas.
A Tailândia sedia as reuniões anuais do FMI e do Banco Mundial pela primeira vez em mais de três décadas, tendo recebido o evento pela última vez antes da crise financeira asiática de 1997. As reuniões anuais geralmente ocorrem em Washington por dois anos consecutivos e, a cada três anos, são realizadas em um país-membro. A última reunião na Ásia ocorreu em 2018, na ilha turística de Bali, na Indonésia.
"As reuniões deste ano ocorrem em um momento em que se espera que muitos países enfrentem decisões de política monetária cada vez mais difíceis, uma vez que a alta nos preços do petróleo — decorrente do agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã — impulsiona a inflação de energia, enquanto um fenômeno El Niño prolongado e de maior intensidade gera preocupações quanto à inflação dos preços dos alimentos", afirmou Toru Nishihama, economista-chefe do Dai-ichi Life Research Institute, em Tóquio.
O conflito prolongado no Oriente Médio elevou os preços da energia, alimentando a inflação em todo o mundo, particularmente em economias dependentes de importações, como Japão, Coreia do Sul e Cingapura.
Os bancos centrais caminham na corda bamba. Alguns aceleraram o ritmo de aumento das taxas de juros para combater a inflação, enquanto outros adiaram novos aumentos, receosos de que uma política monetária mais restritiva pudesse desacelerar ainda mais o crescimento econômico.
Outro foco das discussões, que durarão toda a semana, será o avanço frenético dos investimentos globais em inteligência artificial (IA) e suas implicações econômicas mais amplas. Nishihama ressaltou que, com a alta global das taxas de juros, "os investimentos estão sendo direcionados cada vez mais para IA e semicondutores, intensificando a disputa por capital com outras prioridades globais, como energia e infraestrutura.
A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou em seu discurso de abertura na quarta-feira, em Cingapura, que a economia global está sendo puxada em duas direções: um choque negativo na oferta de energia e um choque positivo na demanda impulsionado pela IA. "O impacto combinado dessas duas forças é bastante desigual ao redor do mundo", disse ela.
Georgieva também alertou que o "boom na construção de infraestrutura de IA é inflacionário. Os choques nos preços de energia e alimentos são inflacionários. Tarifas, gastos com defesa e dívida pública elevada podem ser inflacionários".
O encontro ocorre logo após fortes inundações atingirem Bangcoc e arredores, levando as autoridades a elaborar planos de contingência para possíveis novas enchentes durante as reuniões.
O fenômeno climático El Niño, cuja duração prevista vai até fevereiro de 2027, trouxe seca e temperaturas elevadas a toda a Ásia. Rios secaram nas províncias de Kalimantan, na Indonésia. Enquanto isso, a capital do Japão registrou um período recorde de 37 dias de chuva, e uma grande inundação devastou o norte do Nepal.
Com vários fatores críticos pressionando a economia, os rendimentos dos títulos públicos estão subindo em todo o mundo à medida que o cenário fiscal se deteriora em muitos países. "Não vemos ações decisivas nas economias avançadas com altos níveis de endividamento, onde a necessidade do momento são planos críveis de consolidação fiscal a médio prazo, apoiados, em alguns casos, por medidas fiscais imediatas, inclusive para aliviar a pressão sobre a política monetária", alertou Georgieva, do FMI.
"A Ásia é particularmente vulnerável a choques externos por meio de canais comerciais, energéticos e financeiros, tornando importante discutir como a região pode fortalecer sua resiliência a tais choques", disse Makoto Saito, economista do NLI Research Institute, do Japão.
As reuniões prosseguem até domingo. Além da divulgação do relatório “Perspectiva Econômica Mundial” do FMI, o evento contará com uma sessão plenária, uma conversa informal com o presidente do banco central dos Estados Unidos (Fed), Kevin Warsh, e uma série de outros eventos e debates. Os ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20 se reunirão na quinta-feira, paralelamente às reuniões do FMI.
O fato de Bangcoc sediar os eventos "simboliza a crescente importância da Ásia na economia global", disse Saito. "A Ásia não é apenas um motor fundamental do crescimento global, mas sua influência na economia mundial também está se expandindo por meio do comércio, das cadeias de suprimentos, dos investimentos e dos mercados financeiros", observou ele.
Os países do Sudeste Asiático, em particular, mantêm "fortes laços econômicos com as principais economias e tornam-se cada vez mais importante à medida que as empresas reestruturam suas cadeias de suprimentos", afirmou Saito.
Em um momento de crescente fragmentação na economia global, realizar as reuniões na região oferece uma oportunidade para discutir os desafios e as oportunidades de crescimento da Ásia no contexto da economia global como um todo.
A Tailândia espera aproveitar as reuniões para demonstrar seu potencial de crescimento e atrair novos investimentos, afirmou o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Ekniti Nitithanprapas, destacando as tecnologias avançadas como uma área capaz de impulsionar o país rumo ao status de nação de alta renda. "Em meio aos conflitos geopolíticos em curso, todos buscam um local para realocar suas operações, e vamos aproveitar esta oportunidade para dizer ao mundo que a Tailândia é o lugar ideal para investir", disse Ekniti a jornalistas na quarta-feira.
Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.
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