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Geopolítica e guerras terão impacto duradouro no comércio, diz OMC

Mudanças geopolíticas e as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio terão um impacto duradouro nos fluxos do comércio mundial, à medida que as empresas se protegem contra choques futuros, disse Ngozi Okonjo-Iweala, diretora-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), à Reuters nesta quinta-feira.

Valor Econômico3 min de leitura
Geopolítica e guerras terão impacto duradouro no comércio, diz OMC

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O comércio contraiu-se acentuadamente no Oriente Médio como resultado da guerra do Irã, apesar de uma série de soluções alternativas, e levará algum tempo para se recuperar, afirmou Okonjo-Iweala em entrevista, acrescentando que algumas dessas mudanças podem se tornar permanentes.

A OMC projeta uma queda de 17% nas exportações este ano, com as importações caindo cerca de 15%. Especialistas do setor privado preveem uma recuperação assim que a guerra terminar e o Estreito de Ormuz for reaberto, por oferecer uma rota mais barata para o comércio, mas conflitos repetidos reforçaram a necessidade de diversificação e planejamento de contingência, e algumas das rotas comerciais alternativas provavelmente devem perdurar, disse ela.

"Estamos percebendo que gargalos e ativos estratégicos vulneráveis são questões sobre as quais precisamos pensar para o mundo", disse Okonjo-Iweala em entrevista à margem das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial. "Acredito que algumas dessas alternativas permanecerão porque tanto países quanto empresas querem se proteger contra eventualidades."

Ela afirmou esperar que os esforços de diversificação mais ampla para diferentes regiões e países continuem, dados os repetidos choques causados por guerras e outras perturbações comerciais, incluindo uma onda massiva de tarifas imposta pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. "Não há dúvidas de que as cadeias de suprimento vêm se reconfigurando", disse ela.

Líderes empresariais demonstraram criatividade ao encontrar novas rotas comerciais, embora sejam mais dispendiosas. Alguns desses esforços perdurarão "porque a geopolítica torna essa uma decisão sensata", afirmou.

O comércio regional também continuará a se expandir, disse Okonjo-Iweala, observando que os países africanos, por exemplo, poderiam impulsionar significativamente o crescimento e o comércio ao negociar mais dentro do próprio continente. "Africanos negociando entre si podem realmente gerar valor e criar empregos", disse, ressaltando que o comércio intra-africano responde atualmente por cerca de 20% do comércio da África, enquanto o comércio interno na União Europeia (UE) representa cerca de 60% das suas trocas.

Espera-se que acordos comerciais regionais continuem avançando, embora o comércio regido pelas regras da OMC ainda responda por quase três quartos de todo o comércio global.

Na semana passada, a OMC elevou sua projeção para o crescimento do comércio global de mercadorias, com a demanda por produtos relacionados à IA ajudando a compensar o impacto das perturbações causadas pela expansão da guerra no Oriente Médio.

A entidade informou que a projeção para o crescimento do volume do comércio mundial de mercadorias deve atingir 3,9% em 2026, acima dos 1,9% da previsão base da OMC divulgada em março. Okonjo-Iweala disse que o futuro permanece incerto, dados os conflitos em andamento, as tarifas e os receios de que o boom da IA possa perder força ou colapsar.

"O impacto da IA [inteligência artificial] está mascarando outras tendências do comércio que não estão do lado positivo", concluiu.

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Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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