Empresas chinesas lançam 16 modelos de IA em um mês, apesar de alerta da Anthropic
O esforço da China para desenvolver inteligência artificial não mostra sinais de desaceleração. Empresas como DeepSeek, Xiaomi e outras lançaram modelos no mês passado, ignorando os apelos de Dario Amodei, executivo-chefe (CEO) da Anthropic, para que o ritmo fosse reduzido diante dos riscos crescentes.

Trecho
No dia em que o presidente chinês, Xi Jinping, chegou a Washington, no mês passado, para conversas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, um modelo chamado Space Bunny Alpha foi lançado anonimamente na internet. Seu alto desempenho rapidamente impulsionou um aumento no uso na OpenRouter, uma plataforma americana que permite aos usuários alternar entre diferentes modelos de IA.
Acredita-se que o modelo seja um lançamento discreto do MiniMax M3.1-Flash-Preview, desenvolvido pela startup chinesa MiniMax Group.
Segundo um levantamento do “Nikkei Asia”, dez das principais empresas de IA da China — incluindo startups como a DeepSeek e gigantes da tecnologia como Alibaba, Tencent e Xiaomi — lançaram, juntas, 16 modelos em setembro. A contagem abrange apenas modelos recém-desenvolvidos, incluindo aqueles voltados para a geração de imagens e áudio, excluindo modelos que apenas modificam sistemas existentes criados por outras empresas.
Pouco antes da viagem de Xi a Washington, Amodei alertou sobre os riscos de perda de controle da IA. Na semana passada, notícias apontaram que a Anthropic planeja declarar, no prospecto de sua oferta pública inicial (IPO), que sistemas de inteligência artificial poderosos podem representar riscos à sobrevivência da humanidade.
No entanto, essa mensagem não encontrou eco em Pequim. "A China, que valoriza o uso da IA para impulsionar a indústria e a pesquisa científica, não desacelerará o desenvolvimento", afirmou Ichiro Satoh, professor do Instituto Nacional de Informática do Japão.
De acordo com o site de benchmarking de IA BenchLM, oito grandes desenvolvedoras chinesas de IA lançaram 20 modelos de linguagem de grande porte (LLMs) entre julho e setembro, em comparação com apenas dois modelos no período de janeiro a março e 17 entre abril e junho.
Enquanto isso, desenvolvedoras dos Estados Unidos criaram 59 modelos entre janeiro e setembro, cerca de 50% a mais do que a China. A China superou os Estados Unidos em alguns desses meses específicos. Empresas chinesas estão focando em modelos leves, com contagens de parâmetros relativamente baixas, que priorizam custos reduzidos e flexibilidade. A DeepSeek lançou o V4.1-Flash no mês passado, logo após ter apresentado a geração anterior no final de julho.
Outros modelos leves lançados no mês passado incluem o GLM-5.3-FlashX, da Z.ai (sediada em Pequim), e o M3.1-Flash-Preview, da MiniMax, além de produtos similares da Alibaba e da Xiaomi.
A demanda por modelos de menor custo está crescendo à medida que agentes de IA — que consomem grandes quantidades de tokens, ou unidades de processamento de dados — ganham força. "As empresas chinesas entendem bem seus clientes", disse Satoh.
Ao mesmo tempo, as empresas chinesas também continuam desenvolvendo modelos de alto desempenho. Em seu evento anual de computação em nuvem, realizado no mês passado, a Alibaba anunciou planos para desenvolver uma versão de seu modelo de IA Qwen com 5 a 10 trilhões de parâmetros. Seu modelo principal mais recente, revelado em agosto, conta com 2,4 trilhões de parâmetros.
Os principais modelos americanos continuam superando os rivais chineses em pontuações de referência (benchmarks), segundo a empresa de pesquisa americana Artificial Analysis.
No entanto, em termos de preço, os modelos mais avançados da Anthropic custam cerca de 20 a 50 vezes mais para realizar as mesmas tarefas que os novos modelos da DeepSeek e da Xiaomi. A diferença de desempenho está diminuindo gradualmente, mesmo enquanto a diferença de preços aumenta.
Além de alertar sobre os riscos da IA, Amodei argumentou que a liderança da China na área representaria um "grave perigo para os Estados Unidos e para o mundo".
Ele defendeu não apenas restrições mais rígidas à exportação de chips avançados de IA, mas também medidas contra a destilação — uma técnica pela qual desenvolvedores treinam modelos utilizando a saída de sistemas estrangeiros mais avançados.
Os controles de exportação de chips representam um gargalo para o setor de IA da China, mas o país vem encontrando maneiras de contorná-los de forma constante. Tanto a iFlytek quanto a estatal China Telecom lançaram modelos em setembro que utilizam chips produzidos internamente, tanto para treinamento quanto para inferência. A Huawei Technologies também está acelerando o lançamento de novos chips de IA.
No entanto, Pequim não está necessariamente ignorando as preocupações com a segurança da IA. Chelsey Tam, analista da Morningstar, afirmou que a China tem uma motivação clara para garantir que a IA se desenvolva de forma segura, sem comprometer a estabilidade social ou política.
No mês passado, a DeepSeek publicou um artigo sobre técnicas para o treinamento seguro de agentes de IA, incluindo métodos projetados para limitar comportamentos anômalos da tecnologia. O documento observou que nenhum mecanismo isolado é capaz de impedir tais comportamentos e que são necessários mais avanços tecnológicos. O CEO da DeepSeek, Liang Wenfeng, estava entre os autores.
No final de 2025, a Meta concordou em adquirir a Manus AI — uma startup de agentes de IA fundada na China e sediada em Cingapura —, mas o negócio foi posteriormente desfeito devido à oposição do governo chinês. Em seguida, a Meta vendeu toda a sua participação para investidores chineses. A China não demonstra qualquer intenção de ceder terreno aos Estados Unidos no campo da IA.
Tam, da Morningstar, afirmou que os Estados Unidos continuarão desenvolvendo modelos e chips de última geração para manter sua vantagem tecnológica, enquanto a China continuará fortalecendo sua autossuficiência em chips e sua capacidade de implementar modelos de IA de forma eficaz.
Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.
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