‘Jogo sentimental’ e promessas de sociedade: homem é suspeito de aplicar golpes virtuais de mais de R$ 300 mil
Morador de Presidente Prudente é suspeito de aplicar golpes virtuais e causar prejuízos de mais de R$ 300 mil

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Reprodução/EPTV
Um homem de 44 anos, morador de Presidente Prudente (SP), é suspeito de aplicar golpes pela internet que teriam causado prejuízo de mais de R$ 300 mil às vítimas. A Polícia Civil confirmou que há registro de boletim de ocorrência por estelionato relacionado aos fatos. A defesa do investigado disse que as acusações não têm conclusão policial ou judicial. Leia mais abaixo.
Conforme apurado pelo g1, os contatos com as vítimas ocorriam pelas redes sociais, principalmente em lives do TikTok. Em um dos casos, uma brasileira de 48 anos que mora na Austrália afirma ter perdido mais de R$ 323 mil. Segundo o relato da vítima, o homem teria oferecido uma sociedade a ela para criar uma agência dentro do aplicativo, que, na prática, funcionava sem custo.
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“A gente pega uma representação que é de graça, mas ele me vendeu uma agência do TikTok por R$ 43 mil. Depois ele me mostrou um contrato, eu assinei algo que não valia de nada”, relembra.
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Vínculo afetivo e ameaças
Os primeiros contatos com a vítima começaram em outubro de 2025 pela plataforma de vídeos e mensagens. Com o passar do tempo, a relação entre os dois se tornou mais afetiva, e eles iniciaram um relacionamento virtual, com trocas de mensagens e videochamadas.
Segundo o pedido de instauração de inquérito policial, após conquistar a confiança da vítima, o suspeito passou a solicitar quantias em dinheiro sob diferentes justificativas, incluindo a suposta agência.
Além disso, conforme o registro, o suspeito pediu dinheiro para a compra de equipamentos eletrônicos e para o pagamento de uma suposta multa contratual relacionada à desvinculação dele de outra agência de influenciadores, além da compra de um carro.
Segundo a vítima, o argumento utilizado pelo homem era de que todo o valor seria um investimento. Em outra situação, ele pediu apoio financeiro para uma viagem ao Paraguai, onde compraria materiais de trabalho. “Nessa brincadeira toda, eu cheguei a gastar em torno de R$ 65 mil”, revela.
“Depois disso, ele começou a me pedir dinheiro para outras coisas, para montar uma sociedade, e ele entrando na minha mente, fazia todo um [jogo] sentimental, falava do filho…”, lamenta a vítima.
A vítima disse que percebeu ser vítima de um golpe meses depois, quando o suspeito passou a ameaçá-la com a exposição de fotos e vídeos íntimos após ela dizer que não tinha mais dinheiro para continuar enviando a ele.
Durante esse período, a vítima disse que encontrou outras mulheres que também afirmam ter sido vítimas de golpes atribuídos ao mesmo homem.
Outras vítimas
Em contato com o g1, outra vítima, de 40 anos, moradora de Fortaleza (CE), informou que perdeu R$ 14,2 mil após promessas relacionadas a parcerias de trabalho. Ela registrou um boletim de ocorrência em julho de 2026.
Segundo o registro policial, o suspeito de Presidente Prudente se apresentou pelas redes sociais em março de 2026 como amigo de mais de 10 anos do ex-companheiro dela.
A vítima informou que considerou a abordagem confiável e manteve o contato. Ao longo da conversa, o homem foi até Fortaleza para oferecer mentorias e recursos relacionados a produtos digitais, já que a vítima trabalhava na área de marketing.
Ainda segundo o boletim de ocorrência, a vítima aceitou participar do projeto e realizou transferências bancárias via PIX, até que o homem deixou de enviar o contrato e não respondeu mais às mensagens.
Posteriormente, uma aluna da mesma “mentoria” entrou em contato espontaneamente com a vítima, alegando que também teria sofrido prejuízo. Segundo a vítima, até o momento, ao menos quatro pessoas teriam sido prejudicadas. No entanto, não há confirmação de que todas tenham registrado formalmente boletins de ocorrência.
Alerta golpes virtuais; crimes virtuais; golpe digital
Beatriz Jarins/g1
Denúncias registradas
O g1 entrou em contato com a Polícia Civil, que informou haver registro de boletim de ocorrência relacionado aos fatos mencionados, feito em 24 de julho de 2026, pela natureza de estelionato, prevista no artigo 171 do Código Penal. O caso foi posteriormente distribuído à Central de Polícia Judiciária de Presidente Prudente.
No entanto, até a última atualização desta reportagem, o procedimento aguardava a apresentação de representação formal pela vítima para o prosseguimento das medidas cabíveis.
Além disso, a Polícia Civil reforçou que, por se tratar de procedimento em fase inicial e sem investigação formal instaurada até o momento, não havia outras informações passíveis de divulgação.
Já a respeito do boletim de ocorrência registrado pela segunda vítima, a Polícia Civil do Estado do Ceará (PCCE) informou ao g1 que instaurou inquérito policial para apurar as circunstâncias de um crime de estelionato, ocorrido em 10 de março deste ano, em Fortaleza, que teve como vítima uma mulher de 40 anos.
Conforme a PCCE, um boletim de ocorrência foi registrado. As autoridades reforçaram que as diligências e oitivas seguem em andamento, sob a responsabilidade da 16ª Delegacia de Polícia Civil de Fortaleza.
O g1 também entrou em contato com o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJ-SP), pois o advogado da vítima que mora no exterior ajuizou uma ação na 4ª Vara Cível da Comarca de Presidente Prudente.
Em nota, o TJ-SP reforçou que, como o processo tramita sob sigilo absoluto, não é possível fornecer nem confirmar informações sobre o caso.
Procurados, os representantes do TikTok no Brasil não haviam se posicionado até a última atualização desta reportagem.
O que diz a defesa
Ao g1, a defesa do homem reforçou que não há investigação policial instaurada em desfavor do suspeito, relacionada às pessoas e aos fatos mencionados na matéria.
“O que consta, segundo as informações obtidas, é apenas a existência de um boletim de ocorrência registrado por pessoa que sequer integra os autos do processo judicial em questão, circunstância que, por si só, evidentemente não permite concluir pela prática de qualquer crime, tampouco autoriza qualificá-lo como ‘golpista’ ou ‘estelionatário’”, conforme a nota.
Segundo a defesa, o morador de Prudente já adotou as medidas judiciais cabíveis para esclarecer os fatos e resguardar sua honra e sua imagem diante da divulgação de acusações sem qualquer “lastro probatório”.
Ainda conforme a nota de defesa, o homem está à disposição das autoridades competentes para prestar quaisquer esclarecimentos que se fizerem necessários.
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Matéria publicada por G1. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.
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