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Proporção de evangélicos e católicos pesa no resultado

O demógrafo José Eustáquio Diniz Alves: “Quanto maior a presença evangélica, maior o voto do bolsonarismo”

Valor Econômico3 min de leitura
Proporção de evangélicos e católicos pesa no resultado

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Fernando Martinho/Valor — 2/3/2026

Os resultados do primeiro turno da eleição apontaram associação entre o estágio da transição religiosa e a proporção de votos de cada um dos candidatos à Presidência nos Estados, ainda que este não seja o único fator de influência, aponta levantamento e análise do demógrafo José Eustáquio Diniz Alves, professor aposentado da Escola Nacional de Ciências Estatísticas, a Ence.

Pelas suas contas, na média brasileira, existe uma relação de 25% entre a maior presença evangélica e a maior vantagem para o senador Flávio Bolsonaro (PL) na votação do primeiro turno. Roraima, Acre e Rio de Janeiro são estados em que há maior proporção de evangélicos e também tiveram ampla vantagem proporcional de Flávio sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Quanto maior a presença evangélica, maior o voto do bolsonarismo. Na média nacional, a associação é de 25%. Não é a única influência nem é majoritária, mas numa eleição apertada o impacto é grande”, diz o demógrafo.

Roraima, por exemplo, tem 175 evangélicos para cada 100 católicos do país, a maior relação entre evangélicos e católicos (REC) do país. Foi ali que o senador conseguiu a maior fatia de preferência do eleitorado (71,1%). Outra forma de olhar a diferença é que o Flávio garantiu 3,1 votos para cada voto do candidato do PT. Na média brasileira, Flávio teve 47% e Lula, 45%.

Por outro lado, a maior vitória de Lula ocorreu no Piauí, Estado com a menor razão entre evangélicos e católicos - 26 para 100. O presidente Lula alcançou 71% dos votos válidos no Estado nordestino. Nesse caso, Flávio conseguiu só 0,34 voto para cada voto de Lula.

“A decisão do eleitor é influenciada por muitos fatores. A religião não é a única variável, mas a associação com o voto é forte e consistente”, afirma Diniz.

Para chegar aos números, foram cruzados dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com a pesquisa mais recente do Instituto de Estudos da Religião (Iser) com a Quaest (Iser/Quaest), de 2026.

Os dois outros Estados com mais evangélicos que católicos no país também apresentaram maior proporção de votos para Flávio. No Rio de Janeiro, há 120,7 evangélicos para cada 100 católicos e o candidato do PL conquistou 53% dos votos. No Acre, onde existem 115,4 evangélicos para cada 100 católicos, a fatia de votos foi de 64,6%. Os números da região Norte refletem também a mais recente fronteira de expansão da fé evangélica no país. nota o especialista.

Os dados do levantamento mostram que existe uma associação entre a fé evangélica e o voto em Flávio Bolsonaro, mas não determinismo. “Os três Estados do Sul e Minas Gerais são muito católicos, em um perfil semelhante ao do Nordeste. Mas isso não impediu a vitória de Flávio. É claro que existem outros motivos”, aponta.

Ainda assim, a análise de Diniz é que o estudo confirma que a transição religiosa no Brasil deixou de ser apenas um fenômeno demográfico e comportamental para se consolidar como um vetor determinante na geografia eleitoral.

O retrato sobre a influência da fé no voto para a Presidência ocorre após uma campanha em que a religião se tornou um ponto central, após embate entre o senador e setores da Igreja Católica.

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Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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