Inteligência institucional transforma riscos em vantagem competitiva
Nos últimos anos, os riscos institucionais deixaram de ser eventos pontuais para se tornar parte da rotina das empresas brasileiras.

Trecho
O ambiente de negócios passou a conviver com um cenário de instabilidade mais persistente, marcado pelos efeitos da pandemia, pela polarização política, pelas tensões geopolíticas que afetam relações comerciais, cadeias produtivas e decisões regulatórias, entre outros fatores.
Nesse contexto, decisões regulatórias, tributárias e legislativas passaram a ser tomadas em ciclos mais curtos, sob maior pressão política e, muitas vezes, com menor tempo de maturação técnica. Ao mesmo tempo, a judicialização recorrente amplia as incertezas e desloca decisões econômicas relevantes para instâncias menos previsíveis. Para as empresas, esse cenário exige uma compreensão mais sofisticada das dinâmicas de poder, dos incentivos políticos e dos fatores sociais que influenciam sua licença para operar.
É um cenário que exige também um cuidado com a reputação das marcas, o que já vem sendo compreendido por 75% dos líderes entrevistados para a pesquisa “Crise e Reputação de Marca”, realizada em junho de 2026 pela InPress Porter Novelli e pela Opinion Box. Tais gestores avaliam a gestão de reputação como de muita ou extrema importância para a alta liderança.
Pesquisa "Crise e Reputação de Marca"
Arte/G.lab
A pesquisa mostrou ainda que 59,4% dos líderes entrevistados sabem que prevenir custa menos do que remediar.
No entanto, o mesmo estudo mostrou que menos de 38% dos líderes realizam simulados práticos e que apenas 21% deles contam com orçamento dedicado. É uma falsa sensação de segurança que expõe a marca a altos custos quando a crise se instala na companhia. A maioria das empresas possui manuais de crise (64,4%) e comitês de crise (75,5%), mas 62,6% não realizaram nenhum simulado nos últimos 12 meses.
Segundo Rodrigo Pinotti, CEO da InPress Porter Novelli, agência de comunicação full service e integrada, com expertise multissetorial, a inteligência institucional tornou-se um elemento essencial para garantir maior previsibilidade aos negócios.
— O cenário muda muito mais rápido do que no passado. Sem conhecer os riscos, a companhia será mais afetada, porque não estará preparada para agir e vai acabar se comportando de forma apenas reativa. É nesse contexto que as relações públicas e as relações institucionais garantem a previsibilidade do negócio, transformando o mapeamento de riscos institucionais em vantagem competitiva e segurança para a tomada de decisão do C-level. Assim é possível antecipar cenários.
Ao incorporar a capacidade de prever situações à estratégia corporativa, as organizações conseguem atuar com mais segurança diante dos diversos atores que influenciam sua atuação, como Congresso Nacional, Executivo, Judiciário, agências reguladoras, imprensa, formadores de opinião, entidades setoriais, academia, organizações da sociedade civil, redes digitais e comunidades impactadas.
Outro fator que amplia a relevância dessa abordagem é o avanço da inteligência artificial (IA) como fonte de informação e ferramenta de construção de reputação, destaca Pinotti.
— Todas as ferramentas de IA generativa buscam informações consideradas confiáveis, que são as validadas pela sociedade, especialmente nos grandes veículos de imprensa. Nesse sentido, as práticas de advocacy se tornam ainda mais relevantes. Com informações confiáveis disponíveis e compartilhadas por canais respeitados, a imagem da organização é valorizada e fortalecida.
Do Risco à Tomada de Decisão
Arte/G.lab
Reputação e inteligência política
A InPress Porter Novelli atua em conjunto com a Athos, agência do Grupo In Press, para traduzir os movimentos dos Três Poderes em impactos concretos para a estratégia dos negócios, a saúde financeira das empresas e a perenidade das marcas.
A atuação conjunta reúne comunicação, relações institucionais e inteligência política para apoiar a interação das organizações com governos, sociedade civil e demais partes interessadas. Com isso, reputação, influência e inteligência institucional passam a trabalhar de forma integrada na construção de estratégias de longo prazo.
A solução conta com um hub multidisciplinar formado por especialistas em comunicação, análise de dados, direito e relações institucionais, oferecendo uma visão integrada dos riscos e das oportunidades do ambiente político. Também inclui sessões de imersão e advisory para lideranças, com análises de bastidores e projeções político-eleitorais voltadas ao planejamento de investimentos e à expansão dos negócios.
Na prática, a Athos contribui com leitura de cenário, inteligência política, compreensão dos processos decisórios e estratégias de advocacy. Já a InPress Porter Novelli agrega gestão de reputação, relacionamento com a imprensa e campanhas integradas de comunicação e engajamento para múltiplos stakeholders, em diferentes canais e plataformas. A integração das duas frentes busca oferecer às empresas uma resposta mais consistente a um ambiente em que poder, reputação e legitimidade social se tornaram fatores cada vez mais interdependentes.
Antecipar Cenários Faz Diferença
Arte/G.lab
Leitura política reduz incertezas e fortalece decisões estratégicas
Em um ambiente de negócios cada vez mais influenciado por decisões políticas e regulatórias, a inteligência institucional torna-se um diferencial para reduzir incertezas e apoiar a tomada de decisões. Essa é a avaliação de Fábio Zambeli, diretor-geral da Athos Public Affairs.
— A inteligência política é instrumento de soberania corporativa. Permite interpretar sinais, antecipar movimentos, compreender bastidores, mapear interesses e avaliar a trajetória provável das decisões públicas.
Segundo o especialista, essa capacidade tem sido relevante em 2026, quando o calendário eleitoral tende a reduzir o ritmo das votações no Congresso, ampliar a sensibilidade social e intensificar incentivos políticos de curto prazo.
— A boa leitura institucional garante uma navegação mais segura no ambiente conturbado de pressões das campanhas e transições de gestões, tanto na esfera federal quanto quanto nas esferas estaduais. É um repertório crucial para o setor privado preservar seu capital institucional — afirma Zambeli.
Para ele, a antecipação é determinante porque, quando um tema chega ao noticiário, ao plenário, às agências reguladoras ou ao Judiciário, parte importante da disputa já ocorreu.
— Quem entra tarde opera na defensiva, com menor influência e maior custo reputacional. É natural que companhias adotem cautela, sobretudo por governança, compliance e exposição pública. O ponto é que discrição não pode significar ausência de estratégia.
Na avaliação de Zambeli, essa postura exige um trabalho estruturado, baseado em monitoramento qualitativo, análise de cenários, leitura dos principais atores, conhecimento dos ritos decisórios e capacidade de transformar informações políticas em decisões empresariais.
Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.
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