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Socorro, brasileiros, precisamos de estadistas

Precisamos que cada um de nós seja estadista, afinal o Brasil é nosso! Independentemente de quem seja eleito presidente do país, há uma pergunta que as urnas não respondem: quem estará disposto a perder vantagem pessoal para que o Brasil avance?

Valor Econômico3 min de leitura
Socorro, brasileiros, precisamos de estadistas

Trecho

Desde o início dos anos 2000, pesquisamos, no ambiente empresarial, o que chamamos de “dirigente estadista”. Ele pode estar em uma empresa, no governo, em uma ONG, nas nossas famílias, no clube ou em qualquer espaço da sociedade civil. O cargo não o define. O que o distingue é decidir e fazer acontecer pensando no bem comum, mesmo que isso contrarie seu interesse.

Em pesquisa que publicamos na Harvard Business Review Brasil, encontramos apenas 2% de dirigentes com perfil de estadista em 2010. Quinze anos depois, chegamos a meros 5%. Difícil celebrar! A pandemia deveria ter nos ensinado muito mais. Aprendemos pouco, talvez quase nada.

Já abordei nesta coluna a escassez de estadistas nas empresas. A primeira vez foi em 2011. A confusão entre os poderes e a vergonha cívica explicitada no STF são sintomas de algo mais profundo: o interesse individual se apresenta como princípio, enquanto a higidez das instituições desmancha e o bem comum vira discurso, quando vira!

Como distinguir um estadista diante de tantos discursos? Quem aceita limitar seu próprio poder em prol do bem comum? Quem defende uma regra que, embora justa, favorece seu adversário? Quem deixa de assistir à crise na arquibancada e assume sua parte na solução?

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Essas perguntas valem igualmente para presidentes de empresas, para conselheiros, para quem está na base, para os profissionais liberais e para os representantes dos três poderes. O mundo empresarial é uma força de potencial mudança da sociedade: forma pessoas, gera oportunidades, influencia governos e ajuda a definir o que se torna aceitável. Não basta defender instituições em público e cultivar dentro da organização a obediência cega, o privilégio, o silêncio conveniente.

Em pesquisa que publicamos na Harvard Business Review Brasil, encontramos apenas 2% de dirigentes com perfil de estadista em 2010. Quinze anos depois, chegamos a meros 5%, escreve colunista

Freepik

O dirigente estadista reúne competência para compreender a realidade, sensibilidade para mobilizar pessoas e inteligência política para construir pontes. Precisa também de coragem. É fácil defender algum projeto quando isso rende aplausos. Difícil é contrariar interesses, renunciar a um benefício ou enfrentar o próprio grupo quando o bem coletivo exige.

Após as eleições, esse será o teste. Aos eleitos caberá governar para além dos seus. Aos demais poderes, exercer suas atribuições com responsabilidade e respeito aos limites institucionais. Às lideranças empresariais e civis cabe abandonar a posição de espectadoras, de falta de esperança e as constantes reclamações. Temos de pedir estadismo aos diferentes poderes e não podemos praticar o individualismo nas próprias ações.

Socorro, brasileiros! Que cada um de nós seja estadista, e estimule os estadistas, onde quer que estejam! Se você está sem esperança, pense que os filhos e netos deste país merecem viver em uma sociedade mais justa, mais cívica e da qual possam se orgulhar. Esta é a sua escolha, a nossa escolha, a escolha de qual será o Brasil, Brasil!

Betania Tanure é doutora, professora e consultora da BTA

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Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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