PEC ajuda Lula, mas não é ‘bala de prata’
A aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1 pode favorecer a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas não representa uma “bala de prata” para garantir uma virada sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, de acordo com especialistas consultados…
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A aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6x1 pode favorecer a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas não representa uma “bala de prata” para garantir uma virada sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, de acordo com especialistas consultados pelo Valor.
Para o cientista político Rafael Cortez, sócio da consultoria Tendências, a proposta tem potencial para alcançar um número expressivo de trabalhadores, mas seu efeito eleitoral dependerá de como será explorada na reta final da disputa. Ele lembra que outras iniciativas do governo não conseguiram recuperar a popularidade do governo Lula, como demonstrou o resultado do primeiro turno.
Ainda assim, a PEC se soma aos esforços da campanha petista para reverter o cenário eleitoral, que incluem uma nova estratégia de comunicação voltada a enfatizar os riscos de uma eventual troca de governo para a manutenção das políticas sociais.
Nesse contexto, o especialista interpreta a decisão de Flávio de anunciar voto favorável à PEC, depois de criticá-la, como uma tentativa de neutralizar o discurso petista. “A própria movimentação do Flávio sobre a PEC do fim da 6x1 é um sinal de que esse potencial existe”, afirmou.
Cortez também enfatizou que, embora a implementação da nova jornada seja gradual, seus benefícios são de fácil compreensão para os trabalhadores.
O cientista político Carlos Melo, professor do Insper, também considera precipitado atribuir à PEC capacidade decisiva de alterar o resultado da eleição. “Esta eleição mostra que hoje não existe bala de prata e batom na cueca”, afirmou. Para o cientista político, a disputa ocorre entre dois blocos consolidados, um antipetista e outro antibolsonarista, o que limita o espaço para mudanças expressivas nas intenções de voto.
Melo considerou, porém, que a mudança de posição do candidato do PL revela um cálculo eleitoral difícil: votar contra poderia afastar trabalhadores favoráveis à redução da jornada, enquanto apoiar a proposta expõe a contradição com suas declarações anteriores. Na avaliação do professor, o senador escolheu o caminho de menor desgaste, mas continuará sujeito a cobranças. “Vai ser cobrado dessa incoerência”, declarou.
O professor ressalta que a PEC integra um conjunto de medidas adotadas pelo governo para tentar conquistar eleitores, sem que seja possível identificar, por enquanto, um efeito decisivo. Segundo ele, apenas pesquisas realizadas após a repercussão da votação poderão indicar eventuais mudanças nas intenções de voto, especialmente entre os indecisos e aqueles que não compareceram às urnas no primeiro turno.
A disputa em torno da proposta sobre a escala de trabalho também ganhou força nas redes sociais. Levantamento do Instituto Democracia em Xeque registrou 738.349 publicações sobre o fim da escala 6x1 em 24 horas, entre o meio-dia de terça-feira (13) e o meio-dia de ontem, com cerca de 7,8 milhões de interações e 54,3 mil perfis envolvidos.
O instituto também fez um recorte qualitativo entre 11 a 14 de outubro, com 1.512 postagens de perfis políticos e da imprensa, onde apontou que a esquerda concentrou 61% das publicações e das interações, enquanto a extrema-direita respondeu por 19% das postagens por 16%, respectivamente. A mudança de posição de Flávio foi o principal assunto, com 29% das postagens e 34% das interações, impulsionada sobretudo pelas críticas da esquerda às declarações anteriores do candidato sobre o tema.
Para o levantamento, o instituto utilizou uma base de mais de 19 mil perfis no Facebook, Instagram, YouTube, X e TikTok. As publicações foram agrupadas em seis eixos temáticos, conforme a proximidade de vocabulário, para identificar os principais argumentos mobilizados por cada campo político.
Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.
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