Pular para o conteúdo
Newra News
Economia

Ibovespa fecha acima dos 209 mil pontos pela 1ª vez na história

O maior otimismo eleitoral fez o Ibovespa subir forte nesta sexta-feira e terminar o pregão com alta de 1,38%, aos 209.067 pontos – maior pontuação de fechamento da história.

Valor Econômico5 min de leitura
Ibovespa fecha acima dos 209 mil pontos pela 1ª vez na história

Trecho

Na máxima da sessão, o índice chegou a ir ainda mais longe e tocar os 209.713 pontos, renovando recorde intradiário, à medida que pesquisas eleitorais reforçaram a perspectiva de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa eleitoral, mas devolveu um pouco dos ganhos durante a tarde. No acumulado da semana, o índice registrou avanço expressivo de 8,82%.

O maior otimismo eleitoral fez o Ibovespa subir forte nesta sexta-feira e terminar o pregão com alta de 1,38%, aos 209.067 pontos, a maior pontuação de fechamento da história. Na máxima da sessão, o índice chegou a ir ainda mais longe e tocar os 209.713 pontos, renovando recorde intradiário, à medida que pesquisas eleitorais reforçaram a perspectiva de vitória de Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, mas devolveu um pouco dos ganhos durante a tarde.

Segundo levantamento da Elos Ayta, essa foi a terceira maior alta semanal do principal índice da bolsa brasileira desde janeiro de 2020, ficando atrás apenas das valorizações registradas nas semanas encerradas em 10 de abril e 27 de março daquele ano, em meio à forte volatilidade provocada pela pandemia de Covid-19.

A possibilidade de que um eventual governo de Flávio Bolsonaro possa implementar reformas fiscais tem animado o mercado, embora a equipe do bolsonarista ainda não tenha detalhado o plano de contenção de gastos públicos, incluindo o tamanho do ajuste e as frentes em que seria realizado.

Com as eleições ditando os humores dos agentes financeiros, os dados de inflação de setembro ficaram em segundo plano, ainda que o IPCA tenha subido 0,82%, acima dos 0,74% esperados pelo mercado.

O maior apetite a risco local turbinou a alta de blue chips, especialmente de bancos. No fim, as units do BTG Pactual ganharam 5,20%, liderando as valorizações. Outros papéis do setor bancário subiram em bloco, com exceção das units do Santander, que perderam 0,86%.

O dia também foi de valorização de blue chips de commodities: no fim, as PN da Petrobras ganharam 0,94% e as ON da petroleira subiram 1,82%, indicando um potencial fluxo de compra do papel por parte de investidores estrangeiros; da mesma forma, as ON da Vale subiram 0,38%.

O rali observado nos ativos brasileiros, iniciado no dia seguinte ao primeiro turno, provocou um fluxo de RS 10 bilhões de capital estrangeiro para as ações locais. O J.P. Morgan lembra que o montante foi 20% superior ao segundo maior já registrado e o único entre os dez maiores dias de entrada a ter sido impulsionado exclusivamente por fatores domésticos. "Um feito e tanto", escrevem os analistas, que acreditam haver espaço para mais valorização.

Para justificar o potencial de novos fluxos, o J.P. Morgan compara o momento atual a 2016. Na época, o impeachment de Dilma Rousseff e a expectativa de uma agenda reformista provocaram um choque de confiança nos investidores, contribuindo para a queda dos juros e para um forte rali da bolsa. O banco lembra que o Brasil superou os demais mercados emergentes em 22% nos seis meses seguintes e avalia que uma mudança de regime acompanhada de disciplina fiscal poderia desencadear um movimento semelhante.

Nesse contexto, os analistas estimam que uma volta da alocação em ações dos fundos locais à média dos últimos dez anos poderia destravar cerca de US$ 42 bilhões em compras de ações no mercado brasileiro.

A Capital Economics, por sua vez, destaca que sustentar o rali dos ativos brasileiros e promover novas quedas nos rendimentos dos títulos públicos exigirá medidas fiscais concretas. O economista-chefe para mercados emergentes da casa, William Jackson, afirma que eventuais cortes de gastos de R$ 200 bilhões, cerca de 1,5% do PIB, seriam bem recebidos pelo mercado, mas a falta de detalhes ainda preocupa.

"A equipe de Flávio negou rumores sobre possíveis cortes nos gastos com benefícios sociais, enquanto seguem discussões sobre reajustes das aposentadorias acima da inflação. Sem mudanças no generoso sistema de proteção social, é difícil enxergar como o próximo governo conseguirá impedir o avanço da relação entre dívida pública e PIB", diz o economista.

Entre as maiores altas no pregão ficaram as ações da MRV, que subiram 21,62%, apoiadas pela queda dos juros futuros e pela divulgação dos números operacionais da companhia, embora agentes financeiros tenham visto os dados como mistos.

Para analistas do BTG Pactual, a MRV obteve resultados operacionais contrastantes no terceiro trimestre: a velocidade de vendas foi o destaque positivo da empresa, ao passo que a geração de caixa recorrente foi vista como "fraca".

O volume financeiro negociado no Ibovespa foi de R$ 39,4 bilhões e de R$ 56,1 bilhões na B3. Em Wall Street, o dia também foi de ganhos: o Dow Jones teve alta de 0,83%, o Nasdaq subiu 0,64%, e o S&P 500 avançou 0,59%.

Leia na fonte

Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

Leia também

Newsletter

O mundo não cabe no seu feed. O resumo certo cabe na sua manhã.

Receba o Newra Daily no seu e-mail: o artigo do dia, escrito a partir das principais notícias, em uma leitura só.

Um e-mail por dia. Cancele quando quiser, em um clique.