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Saúde mental: 57% das jogadoras de futebol relatam problemas psicológicos; metade não recebe apoio dos clubes

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G14 min de leitura
Saúde mental: 57% das jogadoras de futebol relatam problemas psicológicos; metade não recebe apoio dos clubes

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Mais da metade das jogadoras de futebol feminino já enfrentou problemas de saúde mental, mas muitas não recebem assistência dos próprios clubes. É o que revela um relatório divulgado nesta segunda-feira (12) pela Federação Internacional de Associações de Jogadores Profissionais (FIFPRO).

O levantamento, que ouviu 800 atletas de diferentes países, mostrou que 57% relataram dificuldades relacionadas à saúde mental. Entre elas, metade afirmou não ter recebido apoio psicológico dos clubes.

A pesquisa também identificou que 49% das jogadoras consideram abandonar o futebol antes do planejado. Entre essas atletas, 59% apontaram dificuldades financeiras como um dos motivos, enquanto 46% mencionaram o estresse psicológico.

Os dados fazem parte do relatório Working Conditions in Women's Football (Condições de Trabalho no Futebol Feminino), apresentado pela FIFPRO como a análise mais abrangente das condições de trabalho das jogadoras na última década.

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O documento mostra que, apesar do crescimento do futebol feminino e do aumento das receitas do setor, boa parte das atletas ainda enfrenta salários baixos, contratos precários e falta de assistência à saúde.

Segundo o levantamento:

57% das jogadoras afirmaram já ter enfrentado problemas de saúde mental;

metade das atletas que relataram esses problemas não recebeu apoio dos clubes;

49% consideram encerrar a carreira antecipadamente;

56% possuem contrato de trabalho;

13% recebem benefícios previdenciários dos clubes;

47% afirmaram que suas equipes não têm profissionais suficientes para atender às necessidades das atletas.

Falta de apoio psicológico preocupa

Os problemas de saúde mental aparecem entre os principais desafios enfrentados pelas jogadoras, especialmente diante da pressão profissional e das condições de trabalho oferecidas pelos clubes.

O relatório não detalha quais transtornos ou sintomas foram relatados pelas atletas, mas identifica o estresse psicológico como um dos fatores que levam parte delas a considerar o abandono precoce do esporte.

Diante dos resultados, a FIFPRO defende que a assistência psicológica passe a ser obrigatória no futebol feminino.

A entidade cita como exemplo a liga profissional feminina dos Estados Unidos, a National Women's Soccer League (NWSL), que possui profissionais de saúde mental trabalhando junto às equipes e garante às jogadoras o direito a uma licença de até seis meses por questões psicológicas.

Para Alex Culvin, diretora de futebol feminino da FIFPRO, muitas atletas precisam atender a exigências profissionais sem receber a estrutura necessária para exercer a profissão.

Segundo ela, as condições melhoraram significativamente para um grupo restrito, que representa cerca de 5% das jogadoras. A maioria, porém, continua enfrentando dificuldades relacionadas à remuneração, à estabilidade profissional e ao suporte oferecido pelos clubes.

Salários baixos e contratos precários

O salário médio mensal das jogadoras chegou a US$ 2.601, aproximadamente três vezes o valor registrado no levantamento anterior, realizado em 2017, após o ajuste pela inflação.

A mediana salarial, porém, é de US$ 1.669. Isso significa que metade das atletas recebe menos do que esse valor, indicando uma distribuição desigual dos rendimentos.

Em dez países do Leste Europeu analisados, a remuneração média das jogadoras permanece abaixo do salário mínimo nacional. Mesmo na Europa Ocidental e na Ásia/Oceania, regiões que incluem alguns dos principais mercados do futebol feminino, os salários médios não superam significativamente os pisos nacionais.

A precariedade também aparece nas relações de trabalho. Apenas 56% das atletas possuem contrato de emprego, enquanto 13% recebem benefícios previdenciários dos clubes.

Além disso, 47% afirmaram que suas equipes não possuem profissionais suficientes para atender às necessidades das jogadoras.

A FIFPRO cobra a adoção de padrões mínimos obrigatórios para salários, instalações, equipes de apoio e assistência médica, formalizados em acordos trabalhistas nacionais.

Atualmente, apenas oito das 30 ligas nacionais de futebol feminino analisadas possuem acordos coletivos negociados com as jogadoras por meio de seus sindicatos.

Proteção à maternidade avançou

Apesar das dificuldades, o relatório identificou melhorias nas condições oferecidas às atletas que desejam ter filhos.

Desde que a Federação Internacional de Futebol (FIFA) estabeleceu padrões mínimos globais de proteção à maternidade, em 2021, a proporção de jogadoras que consideram abandonar a carreira para formar uma família caiu de 47%, em 2017, para 19% em 2026.

Outros indicadores também melhoraram. A duração média dos contratos passou de 12 para 19 meses, enquanto a proporção de atletas representadas por agentes subiu de 14% para 41%.

Para a FIFPRO, os avanços mostram que a regulamentação pode melhorar as condições de trabalho no futebol feminino, mas ainda são necessárias medidas para garantir que o crescimento comercial do esporte seja acompanhado pela proteção das jogadoras.

A entidade defende que clubes e organizações esportivas assumam maior responsabilidade pela saúde, pela estabilidade financeira e pelas condições de trabalho das atletas.

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Matéria publicada por G1. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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