Agenda Global: Estados Unidos atraem 59% das startups brasileiras no exterior
A maioria dos empreendedores e investidores brasileiros ligados ao ecossistema global de tecnologia e inovação, 59,2% deles, estão nos Estados Unidos, com maior concentração em Estados como Califórnia e Flórida.

Trecho
É o que mostra um estudo realizado pela Endeavor Brasil, rede de apoio ao empreendedorismo, que mapeou a presença de 397 executivos do setor de startups em 31 países. Contexto: Trump desmonta a ordem que os Estados Unidos ajudaram a construir Agenda Global: EUA emitem sinais econômicos contraditórios que geram incertezas globais — De uma amostra de 60 fundadores brasileiros de startups nos EUA, a maioria está no Vale do Silício, com 36%, Miami, 18%, e Nova York, 7% — detalha Daniella Mello, CMO (chief marketing officer ou diretora de marketing) da Endeavor Brasil. — As companhias são majoritariamente B2B ou de negócios entre empresas [71%], de áreas como software como serviço [43%], inteligência artificial e aprendizado de máquina [36%]. Initial plugin text Segundo Lindomar Góes Ferreira, presidente da Associação Brasileira de Startups (ABS), a conexão entre o Brasil e os EUA no setor costuma ser costurada de três formas. — Temos startups brasileiras que abrem operação nos EUA, empresas que captam investimentos de fundos americanos e programas de aceleração de negócios, além de companhias que já nascem pensando na atuação internacional — analisa. — O desafio é transformar essa ligação pontual em uma ponte permanente entre os dois ecossistemas. Veja também: Fórum em Nova York debate oportunidades econômicas para o Brasil É o que está fazendo o executivo Igor Couto, CEO da Sofya, plataforma de IA que promete ajudar profissionais de saúde com a transcrição e documentação de consultas médicas. Criada em São Paulo em 2021, dentro de um programa de inovação do Hospital Sírio-Libanês, a startup iniciou o projeto de expansão para os EUA entre 2023 e 2024, e fechou os primeiros contratos no país em 2026. Igor Couto, CEO da Sofya Divulgação — Temos dois clientes nos EUA, com atendimento a cerca de dez clínicas — diz Couto, que mantém a sede da empresa em Miami. Entenda: Países e empresas debatem limites da inteligência artificial e riscos para a Humanidade A meta de faturamento em 2027 é alcançar cerca de R$ 15 milhões, ante os R$ 5 milhões obtidos em 2025, com a expectativa de que 15% a 20% do total venham do mercado americano. — O país apresenta alta demanda por soluções que possam reduzir o tempo dos profissionais de saúde em tarefas administrativas, mas sem comprometer a qualidade do atendimento — explica. — O burnout associado à documentação [de consultas] é um problema reconhecido no sistema de saúde de lá. Para quem planeja desbravar o ambiente de negócios americano, a dica de Couto, que atualmente mora nos EUA, é não replicar apenas os modelos de produção que deram certo no Brasil. — O mercado aqui tem uma alta exigência em áreas como produto, segurança, compliance e capacidade de execução — avisa Couto, primeiro fundador de startup brasileira a participar do programa internacional de aceleração de negócios de tecnologia em saúde da Mayo Clinic, um dos melhores centros médicos do mundo. — No nosso caso, a estratégia foi desenvolver e validar a tecnologia no Brasil, trabalhando com instituições de referência e ainda buscar reconhecimento internacional, como a participação na iniciativa da Mayo Clinic. Potências globais: Regulação da inteligência artificial vira disputa entre EUA, China e União Europeia Daniele De Mari, CEO da Neurogram, startup brasileira que automatiza o exame de eletroencefalograma (EEG) para clínicas e hospitais, concorda com Couto. Daniele De Mari, CEO da Neurogram Divulgação — Nos EUA, vamos trabalhar com um plano de entrada baseado na validação tecnológica e clínica das nossas soluções — diz a empreendedora, que garante que a empresa reduz de 30 para nove minutos o tempo de realização do EEG, da anamnese à assinatura do laudo. — O objetivo é operar além da gestão e análise de exames e consolidar a marca como uma plataforma de tecnologia aplicada à neurologia. Papelada junto à FDA Fundada em 2021, a Neurogram, que já captou US$ 4,4 milhões (R$ 22,6 milhões) em investimentos, está em ritmo de aterrissagem no mercado americano. — Temos um acordo preliminar para atuar no país e o processo regulatório junto à FDA [agência federal dos EUA semelhante à Anvisa] está em curso — adianta De Mari, neurocientista formada pela universidade Georgia Institute of Technology, em Atlanta. — A expectativa é começar a operar ainda em 2026. EUA e China: A nova corrida pelo poder da inteligência artificial Cássio Spina, fundador e presidente da Anjos do Brasil, organização que aproxima CEOs de startups a investidores-anjo e conselheiros, chama a atenção também para a chegada de negócios americanos inovadores no cenário nacional. — O movimento é liderado por empresas de setores como IA, infraestrutura de pagamentos e soluções de produtividade — assinala. É o caso da Zefr, fundada em 2009 na Califórnia e com operação comercial no Brasil desde 2022. Especializada na verificação de qualidade de mídia digital para anúncios em redes sociais, um dos seus objetivos é garantir que publicidades de grandes marcas não apareçam ao lado de conteúdos inadequados, como vídeos de teor violento ou com discursos de ódio
Matéria publicada por O Globo. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.
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