Pular para o conteúdo
Newra News
Economia

Embalagem sustentável ganha espaço, mas preço é obstáculo

Luis Meyer: “Soluções precisam fazer sentido para o consumidor”

Valor Econômico4 min de leitura
Embalagem sustentável ganha espaço, mas preço é obstáculo

Trecho

Divulgação

A busca por embalagens mais sustentáveis começa a ganhar espaço nas decisões de empresas e consumidores, mas a substituição de materiais convencionais ainda enfrenta obstáculos. Além do custo e da disponibilidade de alternativas, a mudança depende de fatores como praticidade, segurança dos produtos e destinação adequada dos resíduos.

No setor de alimentação, por exemplo, o plástico continua entre os materiais mais descartados, segundo dados do “Diagnóstico de economia circular”, realizado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) e pelo Sebrae, em 2023. O levantamento mostrou também que 49% dos gestores de estabelecimentos de alimentação fora do lar recebiam frequentemente ou sempre estímulos internos para adotar práticas sustentáveis. Já a demanda dos clientes era apontada com essa frequência por apenas 20%.

Segundo a Associação Brasileira de Embalagem (Abre), os consumidores esperam que as marcas ofereçam produtos ambientalmente responsáveis, mas conveniência e preço continuam sendo fatores determinantes.

Na alimentação fora do lar, a mudança envolve desafios específicos. Luíza Campos, líder de ESG da Abrasel, afirma que as alternativas precisam preservar a segurança dos alimentos, a temperatura, o sabor e a textura. Ela diz que a oferta de produtos que atendam a esses requisitos ainda é limitada. “Esses itens geralmente são mais caros, se concentram mais nos grandes centros e não conseguem atender um setor extremamente capilarizado", diz.

Para além da escolha dos materiais, a redução de descartáveis também depende de mudanças de hábitos, afirma Campos. Um exemplo é a prática de embalar individualmente talheres utilizados em restaurantes por quilo. Segundo a executiva da Abrasel, muitos consumidores ainda associam a embalagem a uma proteção adicional, embora ela não seja exigida pela vigilância sanitária. “Hoje, se o restaurante tenta tirar a sacolinha, o cliente reclama, e o gestor fica numa sinuca de bico", diz. Ela menciona a importância de uma comunicação eficiente com os clientes. “Quando bares, restaurantes e lanchonetes conseguem comunicar melhor essas práticas, o consumidor é envolvido na decisão e fica mais fácil implementar.”

Campos defende, ainda, que os estabelecimentos consultem os clientes sobre a necessidade de enviar talheres, canudos e sachês nos pedidos de delivery.

A mudança é percebida pela Macropac, distribuidora de embalagens e descartáveis, com unidades em Salvador, Fortaleza e Recife e atuação no Nordeste. Segundo Sérgio Guimarães, fundador da empresa, a procura se estende de restaurantes e operações de delivery a resorts, hospitais e grandes eventos. A empresa comercializa embalagens com características biodegradáveis, recicláveis e reutilizáveis, além de opções que utilizam menos matéria-prima. Mas a diferença de preço entre materiais pode dificultar a substituição. Segundo Guimarães, um copo de papel pode custar mais de 630% acima de um copo convencional.

A comparação evidencia um dos obstáculos à adoção de embalagens mais sustentáveis. A diferença, porém, varia conforme o material e a solução escolhida. Guimarães afirma que a incorporação de um aditivo biodegradável à linha Meiwa BIO+, da Macropac, não provocou reajuste em relação à versão convencional.

A substituição, contudo, não significa necessariamente menor impacto ambiental. A Abre ressalta que a escolha deve considerar todo o ciclo de vida da embalagem, desde a produção e o transporte até o descarte.

Fora do setor de alimentação, a ampliação dos refis é uma das estratégias adotadas pela indústria. No Grupo Boticário, o volume de refis cresceu cerca de 24% em 2026, na comparação com 2025. Uma pesquisa interna realizada neste ano com consumidores mostrou que o custo-benefício é o principal motivador: 46% priorizam o preço, enquanto 37% apontam a sustentabilidade. Atendendo a esses critérios, na linha Nativa SPA, os refis de hidratante corporal utilizam 90% menos plástico e custam 38% menos.

Para Luis Meyer, diretor de ESG do Grupo Boticário, a adesão do consumidor depende de uma combinação de fatores. "Soluções de menor impacto precisam fazer sentido não apenas do ponto de vista ambiental, mas também na experiência de uso e na relação de valor percebido pelo consumidor, combinando economia, praticidade e menor uso de material em relação às embalagens regulares.”

Leia na fonte

Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

Leia também

Newsletter

O mundo não cabe no seu feed. O resumo certo cabe na sua manhã.

Receba o Newra Daily no seu e-mail: o artigo do dia, escrito a partir das principais notícias, em uma leitura só.

Um e-mail por dia. Cancele quando quiser, em um clique.