Vida Veg, do iogurte vegano aos R$ 100 milhões
Álvaro Gazolla: “Uma das grandes dificuldades era a instabilidade da cadeia de suprimentos”

Trecho
Keiny Andrade/Valor
Fundada em 2016, em Lavras, no sul de Minas Gerais, a marca de produtos veganos Vida Veg começou com um iogurte à base de coco. Dez anos depois, a empresa tem um portfólio de 70 itens e registrou faturamento de R$ 100 milhões em 2025. Agora, a ambição é ampliar a presença da marca pelo Brasil e chegar a um faturamento superior a R$ 300 milhões por ano.
A identificação de novas tendências do mercado de alimentos foi o ponto de partida para que Álvaro Gazolla criasse a companhia ao lado do sócio Anderson Rodrigues. “Quando você fala de um produto 100% vegetal, está falando de novas tecnologias e de uma base muito mais ampla de oportunidades para construir sabores e nutrição”, diz o CEO.
O empreendedor falou sobre a trajetória da marca no podcast “Como eu Cresci”, uma parceria da CBN com o Valor e com Pequenas Empresas & Grandes Negócios. As conversas são conduzidas por Leandro Gouveia, repórter e apresentador da CBN, e Mariana Iwakura, editora-chefe de PEGN. A entrevista completa está disponível no site da CBN e em todos os tocadores de podcast.
Gazolla conta que sua experiência como sócio da Verde Campo contribuiu para a criação da Vida Veg. À frente da marca de laticínios vendida à Coca-Cola em 2016, o engenheiro de alimentos participou do desenvolvimento de produtos que ainda eram pouco comuns no mercado, como iogurtes sem lactose e proteicos. Com essa base, identificou, ao lado de Rodrigues, uma oportunidade no mercado de alimentos plant-based, que começava a ganhar espaço no exterior. “Fiz uma viagem para a Alemanha e vi um iogurte à base de coco. Aqui no Brasil ainda não existia isso”, lembra.
Cada um dos sócios investiu R$ 50 mil para reformar uma fábrica parada e tirar a empreitada do papel. Começaram, então, os testes para desenvolver o primeiro produto, que tinha o coco como matéria-prima. “Uma das grandes dificuldades era a instabilidade da cadeia de suprimentos dos nossos fornecedores. Manter um padrão de qualidade era um desafio enorme”, conta Gazolla. Depois de diversas tentativas, chegaram a uma fórmula padronizada. Faltava, porém, convencer o varejo.
O histórico com a Verde Campo ajudou. Os varejistas aceitaram colocar o produto nas gôndolas, mas sua permanência dependeria da saída entre os consumidores. Os fundadores foram à rua: participavam de degustações em supermercados e levavam os feedbacks à fábrica para fazer ajustes.
A empresa passou a testar os itens também entre os próprios colaboradores. Um requeijão à base de mandioca, por exemplo, mudava de textura na geladeira e não agradava nem à família de Gazolla. Foi substituído por um creme à base de castanha de caju.
A expansão do portfólio veio acompanhada da necessidade de ampliar a estrutura. Um investimento anjo permitiu construir uma nova fábrica com capacidade de produção dez vezes maior. Como a unidade começou a operar às vésperas da pandemia e os supermercados estavam cautelosos para cadastrar novos produtos, a empresa aproveitou o período para se concentrar no desenvolvimento de produtos. Foram cerca de seis meses de trabalho até a retomada do mercado.
Em 2022, uma nova rodada de investimentos financiou a construção da atual fábrica, com capacidade para produção mensal de até 1 mil toneladas de alimentos. Com a estrutura preparada para crescer, a empresa diversificou o portfólio. Adquiriu a Plant Choice, de embutidos feitos com insumos vegetais, e passou a investir em categorias como patês, musses proteicos e bebidas à base de aveia.
O plano é avançar em linhas que já têm boa aceitação e ampliar a distribuição. Embora esteja presente em 6 mil pontos de venda, a empresa vê espaço para crescer no interior do país. “Nosso grande objetivo é colocar a Vida Veg na rotina das pessoas, com produtos para diferentes ocasiões de consumo, do café da manhã ao jantar”, diz Gazolla.
Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.
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