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França pode ter cruzado linha entre ser grande demais para quebrar ou ser salva, diz Paul Krugman

O economista ganhador do Prêmio Nobel Paul Krugman alertou que a deterioração das finanças públicas da França segue uma "trajetória insustentável" e corre o risco de desencadear uma crise da dívida em toda a zona do euro.

Valor Econômico3 min de leitura
França pode ter cruzado linha entre ser grande demais para quebrar ou ser salva, diz Paul Krugman

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"A situação atual da França é realmente preocupante", escreveu ele em uma publicação no Substack datada de 8 de outubro. "Em particular, não é uma questão que diz respeito apenas à França. A participação da França na zona do euro cria a possibilidade de uma crise explosiva da dívida — e tal crise poderia ser destrutiva para a unidade europeia."

A publicação de Krugman ocorre após uma forte onda de vendas de títulos da dívida pública francesa nos últimos meses, desencadeada inicialmente por temores de uma nova onda inflacionária e, posteriormente, alimentada por preocupações com o grande déficit orçamentário e a polarização política do país. O prêmio de risco exigido pelos investidores para deter títulos franceses de dez anos em relação aos seus equivalentes alemães — considerados o ativo seguro da região — subiu para níveis visos pela última vez durante a crise de 2011 e 2012.

No montante de 3,6 trilhões de euros (US$ 4 trilhões), ou 119% do PIB, a dívida da França é a mais alta desde a criação do euro. No entanto, o governo continua a aumentar esse fardo, escreveu Krugman, e sua falta de responsabilidade fiscal significa que outros membros da zona do euro provavelmente resistiriam a oferecer um resgate financeiro — o qual, de qualquer forma, seria "extremamente caro" dado o tamanho da economia francesa.

"A França pode ter cruzado a linha entre ser grande demais para quebrar e ser grande demais para ser salva", acrescentou Krugman. "Em suma, é muito fácil descrever um cenário realmente sombrio para uma crise francesa que seria extremamente divisiva dentro da Europa.

A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, disse aos ministros das Finanças da zona do euro, nesta semana, que as autoridades estão acompanhando os mercados financeiros e dispõem de ferramentas para conter movimentos desordenados e injustificados. Enquanto isso, o ministro das Finanças da França, Roland Lescure, afirmou que o país está longe de precisar de uma intervenção do BCE.

Os títulos franceses valorizaram-se na sexta-feira, fazendo com que o rendimento dos papéis de dez anos caísse três pontos-base, para 4,86%.

Embora a segunda maior economia da zona do euro não seja a única a enfrentar dificuldades com finanças públicas frágeis, Krugman afirma que ela se destaca devido à sua "incapacidade persistente de encarar a realidade da aposentadoria", com pessoas recebendo suas pensões mais cedo do que em qualquer outro lugar da Europa Ocidental.

Marine Le Pen, favorita na eleição presidencial do próximo ano, prometeu permitir que alguns trabalhadores se aposentem já aos 60 anos. Paralelamente, estudantes de toda a França protestam contra a falta de professores, a superlotação e as condições precárias das instalações escolares.

"A França está, na prática, concedendo grandes subsídios aos franceses mais velhos em detrimento de todos os outros. Manifestações estudantis em massa em todo o país não deveriam causar surpresa", escreveu Krugman.

O economista afirmou que a probabilidade implícita de a França não conseguir pagar suas dívidas, com base na precificação dos credit default swaps (CDS, uma espécie de seguro contra calotes), é mínima — 1,2% —, mas "baixa demais".

"A súbita alta no preço atual dos CDS de títulos do governo francês é muito preocupante", escreveu ele.

O economista Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2008

Silvia Costanti

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Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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