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Domínio de Flávio entre evangélicos cresceu no primeiro turno

Lideranças evangélicas tradicionais tiveram um desempenho eleitoral pobre este ano, mas o bolsonarismo , já hegemônico neste segmento, tornou-se ainda maior nesta minoria que, segundo o censo, representa 27% da população brasileira.

Valor Econômico4 min de leitura
Domínio de Flávio entre evangélicos cresceu no primeiro turno

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Uma amostra desta força pode ser observada no microcosmo dos 200 municípios em que a população evangélica é proporcionalmente maior, acima de 36,8% dos habitantes.

É um universo composto por municípios com forte presença de protestantes tradicionais, oriundos da colonização europeia, e daí se explica o predomínio na distribuição geográfica de pequenas cidades gaúchas. Mas lá estão também as cidades em que cresce o pentecostalismo, com muita presença no Rio de Janeiro, Amazonas e Rondônia.

São municípios pequenos a médios. O mais populoso deles é Rio Branco (AC) , com 364 mil habitantes, com 39,9% de crentes. A mais evangélica de todas, apesar do nome, é a pequena Arroio do Padre (RS), de 2,6 mil habitantes, na região de Pelotas, nascida da colonização de pomeranos. Lá são protestantes 82,5%, a maioria de confissão luterana.

Nestas 200 cidades superevangélicas, Jair Bolsonaro arrasou em 2022 e Flávio Bolsonaro arrasou ainda mais no primeiro turno de 2026. Há quatro anos o pai ganhou em 130 destas cidades. Agora o filho ficou em primeiro em 155.

Em 189 dos 200 municípios deste grupo a votação da família Bolsonaro cresceu.

Na contagem de votos o jogo é um pouco mais equilibrado, mas também amplamente mais favorável para o bolsonarismo. Em 2022 Jair Bolsonaro teve 1,548 milhão de votos nestas 200 cidades e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu 1,271 milhão. Este ano Flávio avançou para 1,713 milhão e o petista recuou para 1,238 milhão. É uma margem de quase 500 mil votos.

O avanço de Flávio neste segmento se deu em cima dos candidatos não competitivos. Lula teve um ligeiro declínio e a abstenção ficou praticamente estável, com um acréscimo de apenas 4 mil eleitores.

De acordo com o censo de 2022 o avanço evangélico no Brasil desacelerou, mas continua acentuado em algumas fortalezas bolsonaristas. O percentual de evangélicos no Acre, por exemplo, passou de 32,6% para 44,4% entre 2010 e quatro anos atrás. Em Rondônia pulou de 33,8% para 41,1%. No Mato Grosso do Sul foi de 24,1% para 32,5%. No Mato Grosso, de 24,6% para 30%. Nos 14 estados em que o percentual dos evangélicos era acima da média nacional, Flávio ficou em primeiro em doze. Nos 13 estados em que o percentual é abaixo da média Lula terminou em primeiro em nove, os nove do Nordeste.

Se 27% dos brasileiros de quatro anos atrás eram evangélicos, de acordo com o censo, com certeza o percentual entre os eleitores em 2022 era superior, já que o censo engloba a população que não vota. E não há dúvidas de que este percentual, ainda que crescendo menos, subiu nos últimos quatro anos.

Este segmento ganha ainda mais peso eleitoral porque há indícios de que a abstenção entre esses eleitores é menor. O número dos votantes que se abstiveram este ano neste núcleo de 200 municípios foi apenas 4 mil superior aos que faltaram nas eleições de 2022. Mas a base de eleitores do país cresceu entre as duas eleições. Pouco, mas cresceu: 1,4%.

O engajamento maior dos evangélicos à direita pôde ser pressentido na última pesquisa Quaest antes da eleição, realizada um dia antes do pleito. Flávio Bolsonaro conseguiu 32% de intenção de voto espontânea, percentual que se elevava para 42% entre os evangélicos.

Na pesquisa espontânea do Datafolha, também divulgada no sábado, Flávio conseguia 47% entre os evangélicos, ante 33% no percentual total. O percentual de voto efetivo obtido pelo senador em relação ao eleitorado brasileiro apto, ou seja, incluindo na base os eleitores que se abstiveram, foi de 35%.

Os evangélicos também eram o único cruzamento dos diversos feitos na pesquisa Quaest em que a maioria dos eleitores acreditavam mais na vitória de Flávio do que na de Lula (47% a 42%), algo relevante considerando que nesta faixa estava o maior percentual dos que desaprovam o governo Lula (62%).

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Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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