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Fusões e aquisições no Japão atingem recorde impulsionadas por compradores estrangeiros

As fusões e aquisições envolvendo empresas japonesas atingiram um nível recorde este ano, no período até setembro, com investidores estrangeiros adquirindo empresas japonesas em um ritmo histórico.

Valor Econômico4 min de leitura
Fusões e aquisições no Japão atingem recorde impulsionadas por compradores estrangeiros

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Foram registradas 3.883 operações desse tipo entre janeiro e setembro, segundo a empresa de pesquisa de fusões e aquisições Recof Data. Esse número representa um recorde histórico para o período de nove meses, considerando dados comparáveis desde 1985.

Em termos de valor, as transações totalizaram 22 trilhões de ienes (US$ 139 bilhões), uma queda de 20% em relação ao ano anterior. O ano passado foi marcado por grandes reestruturações corporativas, como a aquisição integral do NTT Data Group pela gigante de telecomunicações NTT.

Houve 326 operações de fusão e aquisição realizadas por empresas estrangeiras no Japão nos primeiros nove meses deste ano, um aumento de 20%. O valor dessas transações subiu 40%, atingindo 6,2 trilhões de ienes, superando o total de todo o ano passado. Até o momento, este já é o terceiro melhor ano em termos de valor de aquisições por compradores estrangeiros.

As fusões e aquisições realizadas por empresas de investimento cresceram 14%, chegando a 5,5 trilhões de ienes, impulsionadas por operações de grande porte conduzidas por grupos de investimento internacionais. Um exemplo importante é a operação da Apollo Global Management para fechar o capital da Nippon Sheet Glass, em um negócio avaliado em 590 bilhões de ienes.

Grupos de investimento estão destinando volumes expressivos de capital para fusões e aquisições no Japão. Em abril, a empresa europeia EQT criou um fundo de “private equity” de US$ 15,6 bilhões focado na região da Ásia-Pacífico. Espera-se que o montante a ser investido no Japão chegue à casa das centenas de bilhões de ienes.

A Bain Capital, sediada nos Estados Unidos, também anunciou em maio um fundo asiático de US$ 10,5 bilhões. O plano é destinar cerca de metade desse valor ao Japão.

A EQT está envolvida em uma disputa para adquirir a Kakaku.com, operadora do popular site de reservas de restaurantes Tabelog. A contraparte na disputa é um consórcio formado pela Bain e pela LY, operadora do aplicativo de mensagens Line e do portal de internet Yahoo Japan.

As empresas japonesas também estão realizando, cada vez mais, operações de desmembramento de negócios (“carve-outs”). A Renesas Electronics vendeu sua divisão de dispositivos de temporização para a SiTime, uma empresa americana de design de chips. Espera-se que a Renesas registre um ganho de 443,3 bilhões de ienes com essa venda no trimestre de julho a setembro.

Nos últimos anos, empresas de “private equity” dos Estados Unidos e da Europa entraram no mercado japonês. A americana Warburg Pincus adquiriu a J.S.B., operadora de dormitórios estudantis, por cerca de 200 bilhões de ienes. Essa foi a primeira vez que a Warburg Pincus fechou o capital de uma empresa japonesa desde que retornou ao mercado em 2025.

A desvalorização do iene facilitou o crescimento de aquisições por investidores estrangeiros. Mudanças promovidas pelas empresas japonesas também estão atraindo capital estrangeiro.

Em 2023, a Bolsa de Valores de Tóquio orientou as empresas listadas a melhorar seus índices de preço sobre valor patrimonial (“price-to-book”). Isso gerou um movimento generalizado de revisão das estruturas de negócios, inclusive por meio de desmembramentos.

Pedestres em frente à Bolsa de Valores de T

Eugene Hoshiko/AP

A postura da comunidade empresarial japonesa em relação a fusões e aquisições (M&A) também mudou. As diretrizes para aquisições corporativas publicadas pelo Ministério da Economia, Comércio e Indústria do Japão em 2023 "alinharam ainda mais o mercado japonês de M&A às práticas internacionais", afirmou Akira Kiyota, codiretor de banco de investimento (“investment banking”) do Citigroup Global Markets Japan.

"O mercado japonês tem potencial para se tornar um ambiente de M&A ainda mais ativo", acrescentou Kiyota.

Além disso, a partir do próximo ano, será aplicada uma alíquota mínima de imposto de 30% sobre a renda anual que exceder 165 milhões de ienes. Esse percentual é superior à alíquota de 22,5% aplicada anteriormente sobre rendas acima de 330 milhões de ienes.

Diante dessa carga tributária adicional, fundadores e proprietários-gestores enfrentam pressão para vender ativos de seus negócios. Vários fundos de investimento relataram um aumento nas consultas de última hora feitas por proprietários-gestores interessados em vender suas empresas.

No período de janeiro a setembro, o número de transações de sucessão empresarial cresceu mais de 10%, totalizando 833 operações, segundo a Recof Data. Este é o número mais alto desde 2007, o primeiro ano para o qual existem dados comparáveis.

A alta das taxas de juros no Japão pode gerar preocupações quanto a custos mais elevados de captação de recursos, mas muitos acreditam que o impacto será limitado, uma vez que as taxas japonesas permanecem baixas em comparação com as de outras economias.

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Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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