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Maior avanço de Flávio foi nos grotões do Nordeste; Lula resiste nas cidades médias

Há uma mudança importante em curso na demografia eleitoral do Brasil. O eleitorado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não apenas encolheu, mas está em transformação. E o da família Bolsonaro, como espelho, avança no espaço cedido pelo inimigo.

Valor Econômico4 min de leitura
Maior avanço de Flávio foi nos grotões do Nordeste; Lula resiste nas cidades médias

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Em 2022 a maior parte dos votos de Lula veio da faixa dos municípios com até 20 mil eleitores. Foram na ocasião 14,26 milhões de votos a Lula neste estrato no primeiro turno daquela ocasião, segundo levantamento do Valor Data. O hoje presidente ficou em primeiro lugar em 2.682 municípios neste segmento. Não é mais assim.

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Arte/Valor

Agora Lula ficou na frente em 2.046 cidades pequenas, com 12,99 milhões de votos conquistados. Ele perdeu neste segmento 1,27 milhão de votos, a maior perda proporcional que teve. O principal manancial de votos lulista passou a ser o das metrópoles, municípios com mais de 500 mil eleitores, onde ele teve este ano 13,38 milhões de votos. É menos do que os 14,04 milhões que recebeu em 2022, mas foi uma diminuição inferior à experimentada nos grotões.

Municipios-conquistados

Arte/Valor

Flávio Bolsonaro (PL) naturalmente avançou neste segmento de cidades pequenas em relação à votação obtida pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, ainda que a maior parte dos votos do bolsonarismo continue vindo das metrópoles. Mas é nessa faixas de municípios pequenos que ele registrou o seu maior avanço, com 1,6 milhão de votos a mais do que o pai, e esta escalada se deu com mais força particularmente no Nordeste. Enquanto Lula perdeu 270 mil votos nos grotões nordestinos, Flávio avançou 520 mil em relação à votação do pai.

O dado é surpreendente porque desde a criação do programa Bolsa Família Lula passou a ter um amplo predomínio político no Nordeste, em particular no sertão. Essa hegemonia permanece, o que vale ressaltar é que ela desbotou. Lula teve 7 milhões de votos nos pequenos municípios nordestinos, enquanto Flávio conseguiu 2,47 milhões, mas a diferença diminuiu.

Chama a atenção que a diminuição desta diferença aconteça em um nicho do eleitorado em que a abstenção eleitoral diminuiu entre 2022 e 2026. Nos municípios até 20 mil eleitores do Nordeste foram registradas este ano 2,5 milhões de ausências, uma queda de 280 mil em relação à abstenção de quatro anos atrás. Coincidência ou não, um montante que equivale ao avanço do bolsonarismo neste contingente do eleitorado.

Ou seja, a desilusão com Lula em parte do eleitorado sertanejo é um dado concreto. Quem compareceu mais para votar entregou o sufrágio para a oposição. Este é um sinal de que a possibilidade de Lula crescer sua votação no segundo turno em sua principal base eleitoral é para lá de reduzida.

Flávio Bolsonaro cresceu em relação à votação do pai em todas as faixas demográficas. Onde ele avançou menos foi nas grandes metrópoles, com uma votação apenas 360 mil votos superior à de Jair na disputa do primeiro turno de 2022. Há espaço, contudo, para ele avançar mais. Nestas grandes cidades as votações dos candidatos presidenciais não competitivos foi maior.

Não houve variação a favor do bolsonarismo nas grandes cidades do Centro-Oeste, algo facilmente explicável pela presença entre os candidatos do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD). Caiado teve 13,5% dos votos em Goiânia, 11,5% em Anápolis e 4,8% em Brasília, percentuais bem acima de sua performance nacional, e estes votos saíram da direita.

O ganho para o bolsonarismo também foi muito pequeno nas grandes cidades da região Norte, de apenas dez mil eleitores. Em Manaus e Belém, Flávio e Jair obtiveram praticamente os mesmos percentuais em 2026 e 2022 (respectivamente 54,2% e 53,5%). Lula teve um pequeno crescimento proporcional na capital paraense (de 45,7% para 48%).

O desempenho razoável de Lula nas grandes metrópoles do Norte compensa seu recuo nas cidades acima de 500 mil eleitores na região Sudeste, onde o seu eleitorado recuou de 7,72 milhões de votos para 7,22 milhões. Este retrocesso do lulismo é parcialmente explicado pelo aumento da abstenção nestas grandes cidades, de 360 mil ausências. Foi o maior aumento da abstenção por faixas eleitoral no país.

Está aí uma brecha para o lulismo tentar reverter a sua situação desesperadora no confronto de segundo turno contra Flávio: se esforçar para diminuir a abstenção nos grandes centros urbanos do Sudeste. Em relação ao candidato do PL, a sua tarefa é converter o eleitorado dos adversários menos competitivos. Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante) por exemplo, tiveram 3,8% cada um na capital paulista, onde Flávio ficou atrás de Lula por apenas 4,5 pontos percentuais.

O presidente teve uma relativa preservação do patrimônio eleitoral na faixa de municípios médios, de 200 mil a 500 mil eleitores, com variação negativa de apenas 110 mil votos. Cresceu ligeiramente neste segmento no Nordeste (8 mil votos a mais) e no Norte (13 mil votos).

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Matéria publicada por Valor Econômico. O Newra News coleta e organiza; o texto e a apuração são do veículo original.

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